Colocado em 2016-10-12 In Francisco - iniciativos e gestos

Prometeu e cumpriu: no dia de S. Francisco, o Papa visitava Amatrice

FRANCISCO NO ANO DA MISERICÓRDIA •

Não foi numa sexta-feira nem foi em Roma. Mas, foi uma destas obras da misericórdia que o Papa Francisco realiza todas as semanas: as visitas aos mais necessitados.

Tinha prometido e no dia 4 de Outubro cumpriu. Sem aviso prévio, às 9 e um quarto da manhã, o Papa Francisco chegou a Amatrice, uma das localidades mais atingidas pelo devastador terramoto que em 24 de Agosto passado abalou o centro da Itália e que deixou 300 mortos, mais de 5 000 evacuados e incalculáveis prejuízos materiais.

A partir dali, precisamente no dia do seu santo, S. Francisco de Assis, percorreu as zonas que mais sofreram com o sismo e animou a população a “olhar sempre para a frente”.

Como queria que fosse uma visita privada, sem o acosso de cameras e legiões de jornalistas, Francisco chegou, num singelo Wolkswagen Gol com vidros fumados, a Amatrice (fica a 139 Kms de Roma) e surpreendeu todos com a sua visita.

Acompanhado pelo Bispo de Rieti, Mons. Domenico Pompili, o Santo Padre foi, em primeiro lugar, à escola Romolo Capranica, acondicionada, pelos membros da Proteção Civil, num contentor. Ali saudou as crianças da escola primária que, lhe ofereceram os desenhos que tinham feito a seguir ao terramoto, assim como os professores.

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“Desde o primeiro momento, senti que tinha que vir aqui”

À saída da escola, rodeado de gente, o Papa disse: “”Pensei muito nos dias seguintes ao terremoto que uma minha visita seria mais um incômodo do que uma ajuda, e não queria incomodar. Por isso, deixei passar um pouco de tempo para que algumas coisas fossem arrumadas, como a escola.

“Mas desde o início senti que tinha que vir aqui! Simplesmente para dizer que estou com vocês, perto de vocês e nada mais. E que rezo, rezo por vocês. Proximidade e oração, esta é a minha oferta para vocês. Que o Senhor abençoe a todos, que Nossa Senhora vos proteja neste momento de tristeza, de dor e provações”. “

Após a bênção, Francisco rezou uma Ave-Maria com os presentes e encorajou-os: “Vamos avante, há sempre um futuro. Muitas pessoas queridas nos deixaram, caíram sob os escombros. Coragem, olhemos sempre para frente. Ajudemo-nos uns aos outros, pois se caminha melhor juntos. Obrigado”

Agradecimento aos bombeiros

Depois de cumprimentar o presidente da Câmara de Amatrice, Sergio Pirozzi, as forças da ordem, os bombeiros, o Pontífice foi à chamada ‘zona vermelha’, fechada por razões de segurança, e aproximou-se o máximo possível dos escombros, aonde se deteve alguns minutos em recolhimento para rezar. Também cumprimentou o chefe da Comunicação de Emergência do Corpo de Bombeiros com estas palavras: “Rezo para que não tenham que trabalhar, o vosso é um trabalho doloroso. Agradeço-vos pelo que fazem”. E pediu aos membros da Corporação que tirassem uma fotografia com ele porque são “ quem salva as pessoas”.

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Simplesmente mostrar a sua proximidade

O Pontífice prosseguiu a viagem a outra das zonas afetadas pelo terramoto, detendo-se em Rieti para visitar a Residência Sanitária de Assistência S. Raffaele Borbona que acolhe doentes crónicos e dependentes. Francisco cumprimentou todos os doentes, entre os quais havia muitos idosos deslocados pelo terramoto e ficou para almoçar com eles. Duas horas mais tarde, foi ao posto de bombeiros de Cittàreale, campo base das zonas do sismo, de onde partiu para Accumoli, uma das cidades mais afetadas. Saudou várias pessoas, entre elas, o presidente da Câmara e, na Praça de S. Francisco rezou diante da Igreja do mesmo nome destruída pelo terramoto.

Dali prosseguiu até Pescara del Tronto e, deteve-se três vezes no caminho para cumprimentar pequenos grupos de pessoas. Pouco depois das duas da tarde, chegou a Arquata del Tronto. Em ambas as localidades esteve acompanhado pelo Mons. Giovanni D’Ercole, Bispo de Ascoli Piceno.

Em Arquata del Tronto, o Papa saudou mais de 100 pessoas com as quais rezou e, em seguida, visitou a escola acondicionada em tendas de campanha. “Boas tardes a todos – disse ele aos habitantes de Arquata – quero estar convosco nestes momentos e dizer-vos que vos tenho no meu coração e que conheço, sim conheço os vossos sofrimentos e as vossas angústias e sei, também, que morreram entes queridos vossos e estou convosco. E, por isso, hoje, quis estar aqui”.

“Agora – continuou – rezemos ao Senhor para que vos abençoe e rezemos também pelos vossos seres queridos que ficaram aí debaixo e agora estão no céu. Ave- Maria”.

Despois de dar a bênção, o Papa instou, de novo, os presentes a “terem coragem e a seguirem sempre em frente. Os tempos mudarão e poder-se-á andar avante. Estou próximo de vós, estou convosco”.

Nestes momentos quando conhecemos os prejuízos causados pelo furacão Matthew no Haiti, República Dominicana e Cuba “visitemos” as vítimas com a nossa oração pessoal, com a nossa proximidade, com a nossa solidariedade.

 

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Original: espanhol. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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