Colocado em 2015-09-30 In Em Aliança solidária com Francisco

Revendo a Mensagem Papa Francisco à Família de Schoenstatt – Parte 2: Pedagogia e Nossa Mãe como educadora

Sarah-Leah Pimentel, África do Sul •

O cristão não tem o direito de ser um órfão … temos uma Mãe.

Para mim, esta é provavelmente a frase mais poderosa de toda a mensagem que o Papa Francisco compartilhou com a Família de Schoenstatt no ano passado.

Nós temos uma Mãe

MADRE PTÀs vezes é muito fácil sentir-se abandonado. Quando uma empresa abre falência e os trabalhadores são despedidos. Uma mãe cujo filho tem crescido fora do círculo familiar e nunca vem a casa para a visitar. Aquela criança que virou as costas à família e agora é demasiado orgulhosa e tem vergonha de voltar para casa. Um relacionamento quebrado quando parece que o sol nunca mais vai voltar a brilhar nas nossas almas. A pessoa idosa que tem sido esquecida por todos. Uma pessoa agastada por uma depressão profunda.

Nalgum ponto das nossas vidas, somos tentados a sentir que somos órfãos, completamente sozinhos e sem amor. É precisamente contra esta desolação que o Santo Padre nos transmite esperança. Mesmo o pior criminoso, julgado pelos olhos humanos como indigno do céu, tem uma chance de entrar no céu, devido à sua crença no cuidado maternal de Maria, como o Papa Francisco nos conta na história da Virgem dos Mandarins.

Mais importante, diz o Papa Francisco, Maria caminha ao nosso lado todos os dias de nossas vidas, trazendo constantemente Jesus até nós, de tal modo que pelo “poder do Espírito Santo … Jesus pode nascer e crescer em nós.” No seu papel maternal ela “educa-nos na fé” tocando “as nossas consciências” e incentivando-nos a escolher sempre a Deus e a arrepender-nos das ocasiões em que nos temos desviado d’Ele.

O Pe. Kentenich viu a mão maternal de Maria em cada acontecimento da vida

O Pe. Kentenich também experimentou a maternidade de Maria de uma forma única. Ela tornou-se realidade através da sua própria mãe quando já não era capaz de cuidar dele. Nos momentos mais sombrios da crise de fé como seminarista, ele relata que conseguiu superar porque ele estava certo de uma coisa: que Maria era sua mãe e ela estava segurando a sua mão através da turbulência na sua mente. Essa mesma confiança na Mãe de Deus é que o manteve são quando ele foi mantido em isolamento na prisão de Koblenz e mais tarde no campo de concentração de Dachau.

Na verdade, em todos os momentos da sua vida, ele viu a mão de Maria guiando-o. Um excelente exemplo disso foi após o seu regresso a Schoenstatt depois do exílio em Milwaukee, disse à Família de Schoenstatt reunida na Marienschule: “A Santíssima Virgem – diz – presenteia-me novamente a Família. Naturalmente sempre viveu no meu coração. Mas agora dá-ma, uma vez mais, nas mãos, a fim de formá-la e plasmá-la tal qual como está nos planos da Sabedoria Divina, para em seguida marchar para a eternidade e continuar cuidando, de lá, de um modo novo, a obra de toda uma vida.”(Uriburu, E. Um profeta de Maria.[1]).

Uma Igreja sem uma mãe é um orfanato

No entanto, como o Papa Francisco continua a dizer ao falar sobre o papel de Maria na evangelização, Maria não é apenas a mãe de cada um de nós individualmente. Ela é também a Mãe da Igreja. De fato, a Igreja é muitas vezes descrita como Mãe. O Santo Padre está indicando que uma Igreja que é saudável e está verdadeiramente ao serviço da humanidade leva o seu exemplo de qualidades maternais de Maria e o seu papel como um canal para trazer o seu Filho Jesus ao povo de Deus. Francisco adverte que, se Maria não está presente na Igreja, esta torna-se um “orfanato”.

Esta é uma imagem muito dura. Uma Igreja que é um orfanato é um lugar impessoal. É um lugar que apenas atravessa os movimentos da pastoral, sem dar atenção especial a cada um dos seus membros, e trata-os todos como uma massa monolítica.

Em contraste uma Igreja que é Mãe é um lugar muito pessoal, onde cada pessoa se sente em casa. Cada pessoa é valorizada pela sua história única, a sua identidade e o seu caminho particular rumo à santidade. Da mesma forma que não podemos ficar indiferentes ao Corpo de Cristo – tanto o Jesus glorificado na Eucaristia, bem como o sofrimento Salvador na cruz – assim também, não podemos ficar indiferentes às dores de cada um dos nossos irmãos e irmãs. Uma Igreja que encarna o cuidado e preocupação de uma mãe, também reconhece que cada membro da igreja carrega as suas próprias cruzes individuais e o nosso ministério deve ser, como disse o Papa Francisco no início da audiência: “corpo a corpo.”

Schoenstatt: Nós temos o dom de uma mãe

Poderíamos quase ser tentados a pensar que sabemos tudo isso … afinal de contas, a nossa Aliança de Amor com nossa Mãe Três Vezes Admirável é o que identifica o nosso carisma de Schoenstatt. Por esta razão, pode ser muito fácil esquecer que o papa Francisco está dirigindo-se também a nós, chamando-nos a ser modelos marianas.

Como schoenstatteanos, temos um presente maravilhoso. Nós temos uma Mãe. Mas ela não é só nossa. Precisamos compartilhá-la. Nós já fazemos isso de muitas maneiras, a Campanha da Mãe Peregrina, é talvez o exemplo mais visível de como nós compartilhamos Maria com as pessoas de todas as esferas sociais. A Nossa Mãe está presente no santuário e ela torna-se uma fonte de graça e de misericórdia para com muitas pessoas que vêm visitar o santuário. O Pe Pedro Kühlcke, capelão da prisão no Paraguai e as 100 casas são exemplos maravilhosos de como nós estamos dando uma mãe àqueles que foram abandonados pela sociedade.

Onde é que a Santíssima Virgem quer ir?

No entanto, não devemos ficar muito contentes com o que temos conseguido. Precisamos perguntar: onde é que a Santíssima Virgem quer ir?

A Europa está a encher-se com milhares de pessoas que ficaram órfãs das suas comunidades, das suas culturas e das suas formas de vida. Como podemos, como Schoenstatt, oferecer-lhes um lar (espiritual ou físico) e dar-lhes uma mãe no meio de um mundo novo e estranho?

O Santo Padre acaba de viajar a Cuba. Cuba tem sido marginalizada pelo mundo ocidental durante décadas e parou no tempo. À medida que lentamente volta a entrar na economia global e re-encontra um mundo de novas ideias e de ritmo ofegante de tecnologias em evolução, será muito fácil que perca o seu sistema de valores. Como podemos ajudar o povo de Cuba a preservar os bons valores? A Mãe Peregrina já lá está, mas como podemos ajudar de forma tangível a Mãe Peregrina no seu trabalho de formação e evangelização, trazendo o povo de Cuba a Cristo?

Onde estão os outros territórios inexplorados onde podemos dar ao mundo uma mãe? Há tanta coisa que podemos fazer, tanto em nossos próprios círculos pequenos – como uma jovem mãe na Cidade do Cabo que me disse há algumas semanas que ela sente urgência em criar um círculo da Mãe Peregrina para as mães solteiras porque elas precisam de ajuda para fazer crescer os seus filhos – tal como em áreas onde temos a capacidade de levar Maria a ambientes sem mãe, tais como governos, grandes corporações, organizações humanitárias.

A nossa missão é dar uma mãe ao mundo.

[1] NT – Capítulo 12 – O regresso, P162, edição brasileira.

3149-05017 !

O texto completo da mensagem do Papa Francisco à Família de Schoenstatt está disponível em livro /E-Book AQUI

Original: inglês. Tradução: José Carlos A. Cravo, Lisboa, Portugal

 

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