Colocado em 20. Abril 2019 In abuso

“Como Família, vamos juntos para a outra margem”

CHILE, Pe. Juan Pablo Rovegno, Director Nacional •

Talvez nunca, como antes, Schoenstatt esteja a sofrer – dentro da Igreja Universal, com Ela e como Ela – uma das suas mais graves crises, com os abusos sexuais, de poder e de consciência. A Igreja, como o Movimento do Chile, são os mais afectados, com altos representantes condenados pelo próprio Papa Francisco e pela Justiça. Publicamos um texto do Director do Movimento (do Chile) que nos apela a uma interpretação e conversão, profundas.—

 “Como Família, vamos juntos para a outra margem”. Este é o Lema com o qual queremos inspirar a nossa Jornada Nacional de Dirigentes 2019. Uma Comissão, com representantes de toda a nossa Família, está a trabalhar para lhe dar forma e conteúdo. Acompanhemos este trabalho com a súplica ao Espírito Santo. O fazermo-nos ao mar, no meio da tempestade, surge como uma necessidade face a um tempo que nos apressa a sermos parte activa do processo eclesial que vivemos. As nossas próprias feridas serão o impulso para não cedermos à tentação da imobilidade ou da indiferença, pior ainda: da defesa estéril ou do encerramento dentro de nós mesmos.

O Papa Francisco reuniu-se com representantes da Igreja Universal para tomar sob o seu cuidado o drama dos abusos, para ir mais fundo nesta ferida, não somente, em virtude do “nunca mais” (assumindo esta dolorosa realidade, fixando critérios de verdade, justiça e reparação), mas também, para nos deixarmos iluminar por uma nova forma de se ser Igreja, de nos compreendermos a nós próprios, de nos aproximarmos de Jesus e dos outros.

Há uma mudança de paradigma fundamental na percepção da realidade: assim como, na Cruz as feridas de Jesus nos permitiram compreender a profundidade do amor de Deus, hoje, as feridas das vítimas permitem-nos regressar ao sentido mais autêntico da vida de Jesus e da missão da Igreja: a identificação com aquele que sofre. Naquele que sofre, vive o rosto de Jesus, naquele que sofre, reflecte-se um Deus que não é poder nem forma, juízo ou perfeição, mas Vida, humildade, serviço e salvação.

Ao unirmos o nosso processo em direcção ao acontecimento do 31 de Maio, com o processo eclesial que vivemos, percebemos no horizonte da outra margem, uma nova forma de se ser Igreja e Família, de compreender os nossos, ser e missão, de captar mais profundamente o carisma ao jeito de Maria: sermos instrumentos para darmos forma a Cristo no meio do mundo, no meio do tempo, no meio das feridas da Humanidade. A outra margem tem muito do Jesus das Bem-aventuranças; alguém, para quem o sofrimento humano desperta toda a Sua capacidade de amar.

Que a dor de tantos e, por tanto tempo, não nos deixe de comover, para compreendermos e partilharmos, com uma nova profundidade, o amor de Deus por todos. Esta crise está a conduzir-nos a uma nova conversão: regressar a Jesus que, no meio da tempestade, nos confronta e interpela: “Vamos juntos para a outra margem”, a margem de um renovado amor a Deus e à Humanidade, à maneira de Jesus.

 Fonte: Vínculo, Março  de 2019

Foto: Peter Llewellyn, iStockGettyImages ID 941014542

 

Original: espanhol (11/4/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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