Ramón Alfredo de la Cruz Baldera

Colocado em 2021-07-27 In Dilexit ecclesiam, Igreja - Francisco - movimentos

“Ir às periferias, ser pastor de uma Igreja em saída”

REPÚBLICA DOMINICANA, Maria Fischer •

“Serei o Bispo dos pobres e dos ricos, dos humildes e dos orgulhosos, dos fortes e dos fracos”. As portas do bispado estarão sempre abertas, para acolher, ouvir e acompanhar”, salientou o Bispo Ramón Alfredo de la Cruz Baldera, do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, na sua Ordenação Episcopal a 24 de Julho de 2021 em San Francisco de Macorís, República Dominicana. —

Ramón Alfredo de la Cruz Baldera

 

A Eucaristia realizada no salão multiusos Julian Javier contou com a presença dos Bispos da Conferência Episcopal Dominicana (CED), presidida pelos Arcebispos Francisco Ozoria Acosta e Freddy Antonio Bretón, bem como Gail Mendez em representação do Núncio Ghaleb Moussa Abdallah Bader. Estiveram presentes sacerdotes dos Estados Unidos, Alemanha e Turquia, assim como o Presidente da República Luis Abinader e a Vice-Presidente Raquel Peña.

O Bispo Emérito Fausto Ramón Mejía, do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, como o novo Bispo, encorajou De la Cruz a “enfrentar com lucidez os grandes desafios que se nos deparam”.

“Como pastor, devo ter uma visão de 360°. Uma ampla perspectiva e ouvidos prontos a ouvir os que estão dentro e os que estão fora. Quero ir às periferias, ser o pastor de uma Igreja em saída, que não tenha medo do diálogo com o mundo, com os sectores social, profissional e religioso. Serei o Bispo dos pobres e dos ricos, dos humildes e dos orgulhosos, dos fortes e dos fracos. As portas do bispado estarão sempre abertas, para acolher, ouvir e acompanhar (…) Promoveremos a Igreja “em saída” que o Papa Francisco nos propõe. A Igreja que vai para os lugares onde os pobres sofrem, mas que também vai para os lugares onde a nova cultura, a economia e a política são forjadas. Uma Igreja em movimento que trabalha com Conselhos de Vizinhança, com movimentos sociais e estudantis, com comunicadores, jornalistas, youtubers e com o governo dominicano.

Assumo esta missão num mundo marcado pela aceleração da mudança, que é tão rápida que quando pensamos ter a resposta adequada, ela já não lhe corresponde. Muitas destas mudanças estão a ter um impacto directo nas mentes e corações dos cristãos. O nosso Santo Padre, o Papa Francisco, reconhece que, como Igreja, estamos a atravessar uma grande crise. A nossa Santa Mãe, a Igreja, está a ser questionada por muitos sectores da sociedade pós-moderna, pelo que devemos estar prontos a responder a partir do Evangelho e do Magistério. Graças a Deus, a Igreja, liderada pelo Papa Francisco, está a dar respostas, como nenhuma outra instituição terrena, com responsabilidade e transparência. Se nos mantivermos unidos na fé, emergiremos fortalecidos na esperança e na caridade”.

Ramón Alfredo de la Cruz Baldera

Dar a razão da esperança

Ramón Alfredo de la Cruz BalderaMonsenhor Alfredo de la Cruz tem como lema episcopal “Dar a razão da esperança”. O que significa, explicou ele:

“Somos chamados a dar a razão da esperança a tantas crianças que carecem de um ambiente familiar estável, cuidadas pelas suas mães solteiras, que todos os dias têm de deixar o suor e os anos para lhes garantir um futuro melhor. Muitas mães, por amor aos seus filhos, sofrem abusos e humilhações por parte dos seus maridos. Gostaria de convidar agentes da Pastoral Familiar para acompanharem as famílias, para ajudarem as mães solteiras, para as apoiarem e encorajarem, para que na nossa Diocese o feminicídio e os maus tratos às mulheres cessem e, para que a esperança do Evangelho possa crescer em todas as casas.

Dar a razão da esperança aos jovens que deixaram de acreditar na Igreja por se terem sentido mal compreendidos e abandonados pelos seus pastores.

Dar a razão da esperança àqueles que perderam a fé no Deus da vida e do amor.

Dar a razão da esperança aos doentes que estão à espera da cura de uma doença até agora incurável.

Dar a razão da esperança aos colectivos feministas, LGTBIQ, anarquistas, pró três causas, artistas urbanos entre outros. Reconheço que nestes grupos há homens e mulheres de boa vontade. Vamos unir sonhos e esperanças para alcançar tudo o que é belo, nobre, digno e justo. Que as nossas diferenças não nos afastem uns dos outros, mas sim, numa co-existência saudável, que possamos aprender a aceitar, pacientemente, as nossas diferenças e unirmo-nos para alcançar a sociedade com que sonhamos juntos. Dar razões de esperança aos imigrantes para que sintam que nós, como povo cristão, os acolhemos e os apoiamos na realização dos seus sonhos. Desejo motivar sacerdotes, religiosos e religiosas, catequistas, Movimentos e Comunidades cristãs a porem os seus carismas ao serviço da Igreja, cada um a partir da sua particularidade para o bem da comunidade. Todos e cada católico é necessário para a vida da Igreja. Ninguém deve sentir-se isolado, incompreendido. Como pastor desta Igreja local, é meu propósito mais profundo acompanhar o rebanho que me foi confiado, a mim indigno servo do Senhor, nesta peregrinação em direcção à casa do Pai”.

Texto integral (ES)


O Papa Francisco nomeou-o Bispo de São Francisco de Macorís a 15 de Maio de 2021, em substituição de Monsenhor Fausto Mejía, que se tinha demitido por razões de idade, tal como estabelecido no Código de Direito Canónico.

Nascido a 5 de Julho de 1961, Alfredo de la Cruz foi ordenado sacerdote a 12 de Janeiro de 1991. Foi, entre outras funções, formador e Decano de Filosofia no Seminário Pontifício São Tomás de Aquino (SPSTA), reitor da Universidade Católica Nordestana (UCNE), Reitor do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt para o México, América Central e Caraíbas, e Presidente da Associação de Reitores Universitários (ADRU). Até à data tem sido Reitor da Pontifícia Universidade Católica Madre y Maestra (PUCMM).

 

Fotos: Twitter da PUCMM e Screenshots

Original: espanhol (25/7/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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