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Colocado em 2021-02-06 In Francisco - iniciativos e gestos, Igreja - Francisco - movimentos

“A velhice é um dom e os avós são a ligação entre as gerações”

PAPA FRANCISCO, maf •

O Santo Padre Francisco decidiu instituir, em toda a Igreja, a celebração do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos a ser celebrado, a partir deste ano, no quarto Domingo de Julho, próximo da memória litúrgica dos Santos Joaquim e Ana, avós de Jesus. —

Neste momento da história mundial, no segundo ano da pandemia do coronavírus, fala-se muito dos idosos – dos idosos em lares, dos idosos que vivem em casa, dos idosos que devem ser, especialmente, protegidos do contágio – por vezes ao preço de um isolamento brutal que os protege do COVID-19 mas, ao mesmo tempo, os faz cair na solidão, angústia e depressão por não poderem ver os seus filhos, netos e amigos durante meses – dos idosos como um “grupo vulnerável”, privilegiado, em muitos países, com a recepção preferencial da vacina.

Neste contexto, recordamos o projecto “Shema” de schoenstatteanos em Espanha, com telefonemas semanais aos idosos durante o primeiro confinamento.

Para o encontro com os avós e os idosos

É neste contexto mundial que o Santo Padre volta a falar dos idosos e do seu valor para a família, para a sociedade, para o mundo do trabalho e para a Igreja. Depois de rezar o Angelus a 31 de Janeiro, disse:

“Depois de amanhã, 2 de fevereiro, celebraremos a Festa da Apresentação de Jesus no Templo, quando Simeão e Ana, ambos idosos, iluminados pelo Espírito Santo, reconheceram Jesus como o Messias.

O Espírito Santo ainda hoje suscita pensamentos e palavras de sabedoria nos idosos: a sua voz é preciosa porque canta os louvores de Deus e conserva as raízes dos povos. Eles recordam-nos que a velhice é um dom e que os avós são a ligação entre as gerações, para transmitir aos jovens a experiência da vida e da fé. Os avós são muitas vezes esquecidos e nós esquecemos esta riqueza de preservar as raízes e de as transmitir.

Por esta razão, decidi instituir o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que terá lugar na Igreja inteira todos os anos no quarto Domingo de julho, na proximidade da festa dos Santos Joaquim e Ana, os “avós” de Jesus.

É importante que os avós se encontrem com os netos e que os netos se encontrem com os avós, porque – como diz o profeta Joel – os avós diante dos netos sonharão, terão ilusões [grandes desejos], e os jovens, haurindo força dos avós, seguirão em frente, profetizarão. E precisamente a 2 de fevereiro é a festa do encontro dos avós com os netos.”

“O cuidado pastoral dos idosos é uma prioridade que não pode mais ser adiada, para cada comunidade cristã”

O cardeal Farrell, prefeito do Dicastério para Leigos, Família e Vida, ressalta que: “trata-se do primeiro fruto do ano Família Amoris Laetitia, um presente para toda a Igreja destinado a permanecer ao longo dos anos”. O cuidado pastoral dos idosos é uma prioridade que não pode mais ser adiada, para cada comunidade cristã. Na encíclica Fratelli tutti, o Santo Padre recorda-nos que ninguém se salva sozinho. Nesta perspectiva, é necessário valorizar a riqueza espiritual e humana que foi transmitida através das gerações”. 

“O nosso Dicastério”, continuou o Prefeito, “já organizou o Primeiro Congresso Internacional de Pastoral dos Idosos; a partir de hoje nos sentimos ainda mais comprometidos em trabalhar para remover a cultura do descarte e valorizar os carismas dos avós e dos idosos”.

Por ocasião do Primeiro Dia Mundial, que acontecerá significativamente no coração do ano da Família Amoris Laetitia, o Papa Francisco presidirá a Missa Vespertina de Domingo, 25 de julho, de forma compatível com a situação sanitária, em São Pedro.

Não apenas um “grupo vulnerável”

O que é impressionante é que o Santo Padre não se fica apenas na visão dos idosos como um grupo vulnerável. Muitos dos idosos são-no, pensando no perigo que correm ao exporem-se ao COVID-19, os falecidos em lares de idosos, pensando também em tantas pessoas idosas que vivem na pobreza ou com uma reforma que não lhes pode dar uma vida digna, e conhecemos tantas pessoas idosas em solidão. Mas os idosos são também pessoas com tempo, pessoas com ideias, iniciativas, experiência.

Por estes dias, muitos de nós temos falado de Sir Tom Moore, o veterano de 100 anos que entrou no coração do povo britânico depois de angariar 44 milhões de euros para o HNS (SNS inglês) durante a pandemia, e que morreu dois dias depois de ter sido internado no hospital depois de ter dado positivo no teste do coronavírus.

Tornou-se um herói nacional em Abril de 2020, durante o primeiro confinamento nacional. Fê-lo cumprindo um desafio, lançado com fins beneficentes, andar cem vezes à volta da sua casa no condado inglês de Bedfordshire, com a ajuda do seu andarilho, antes do seu 100º aniversário a 30 de Abril. A campanha durou 24 dias. Durante esse tempo, “Capitão Tom” completou as 100 voltas e deu entrevistas que o tornaram uma celebridade, ao mesmo tempo que confortavelmente ultrapassou as doações. A BBC nomeou-o Personalidade Desportiva de 2020 e gravou uma versão de “You’ll Never Walk Alone”, a canção que se tornou o hino da equipa de futebol do Liverpool. Essa versão atingiu o nº 1 na tabela. Moore tornou-se a pessoa mais velha a alcançar o número 1 nos rankings musicais. Milhões de pessoas, graças aos esforços do “Capitão Tom”, encheram-se de esperança de que o mundo possa superar a pandemia.

Quem é o seu “Capitão Tom”?

Rezemos hoje pelos idosos, especialmente por aqueles que estão isolados ou em casas de repouso. Eles têm medo, medo de morrer sozinhos. Sentem que esta pandemia é agressiva. Eles são as nossas raízes, a nossa história. Transmitiram-nos a fé, a tradição e o sentimento de pertença a uma pátria. Rezemos para que o Senhor esteja próximo deles neste momento. (Papa Francisco, Missa na Casa de Santa Marta, 15 de Abril de 2020).

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Original: Espanhol (4/2/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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