iglesia fraterna

Colocado em 2021-02-19 In Dilexit ecclesiam, Francisco - Mensagem, Igreja - Francisco - movimentos

A fecundidade do nosso testemunho dependerá também da nossa capacidade de dialogar

DILEXIT ECCLESIAM e Campanha da Fraternidade, Maria Fischer

“A fecundidade do nosso testemunho dependerá também da nossa capacidade de dialogar”, diz o Papa Francisco em sua mensagem para o início da Campanha da Fraternidade 2021 no Brasil, nesta segunda quaresma marcada pela pandemia, “um tempo de intensa reflexão e revisão de nossas vidas”. Nas últimas semanas, compartilhamos alegremente dois artigos de Ana Beatriz Dias Pinto, jornalista e teóloga de renome com vínculos com Schoenstatt. Compartilhamos a alegria dos passos ecumênicos, dos passos em direção ao diálogo, à conversão, ao compromisso com os pobres e com a justiça social. Sabíamos da rejeição violenta e odiosa dos ultraconservadores no Brasil e quisemos apoiar os bispos do Brasil a partir do Dilexit Ecclesiam. Não imaginávamos, no entanto, a onda de ódio combinada com o desconhecimento total da proposta eclesial do Pe. Kentenich, que nos atingiu poucos minutos após o lançamento do artigo. —

É verdade que a Campanha da Fraternidade tem um forte toque de Igreja renovada no sentido profundo – embora às vezes ignorada ou encoberta – do Concílio.

Uma igreja fraterna

Esta Igreja quer estar unida em uma fraternidade extraordinariamente terna, profunda e fervorosa. Uma fraternidade que, ao mesmo tempo, admite um governo hierárquico, uma condução hierárquica. Ao comparar esta segunda qualidade com a imagem da Igreja do passado próximo e distante, tomamos consciência de como a Igreja do passado era vista, de como nós mesmos a experimentamos em grande medida: Naquela época não era uma fraternidade o que unia os membros do povo entre si e o que unia os líderes da Igreja; naquela época havia, por um lado, um senhorio rígido, uma hierarquia que tinha em suas mãos a plenitude da responsabilidade, a plenitude do poder e, por outro lado, um povo (por assim dizer) atrofiado pela falta de responsabilidade, pela falta de responsabilidade compartilhada. Tal era este forte contraste.

Estas características foram estampadas na Igreja nos primeiros tempos do cristianismo pelo então patriarcado dominante do povo romano e, mais tarde, desde o Imperador Constantino, pela educação e formulações baseadas no direito público. Desde aquela época, existe na Igreja uma forte oposição entre “acima” e “abaixo”. Diante deste panorama, a Igreja agora consegue se ver de um ponto de vista homogêneo, vê-se por excelência como o povo de Deus; um povo de Deus que tem um único alinhamento. E todos, sem exceção, coincidem nesta única linha: quer seja a hierarquia ou o próprio Papa, o que nos une é uma fraternidade comum que faz com que as pessoas cresçam em comunhão mútua.

Repito então que a nova imagem da Igreja, a maneira como ela se vê, os traços que percebe em si mesma, é a fraternidade expressa como a realidade compartilhada do povo de Deus. Os membros deste povo de Deus estão unidos uns com os outros, e unidos também com a hierarquia, por uma responsabilidade completa e profunda. Não há falta de responsabilidade, mas cada um é responsável por seu próprio lugar, mas também pela Igreja como um todo. É assim que nos é apresentada a nova imagem da Igreja.

E a hierarquia? Bem, qual é o significado de liderança hoje em dia na Igreja? Primeiro de tudo, descer, entrar nessa comunidade, no que nos une: porque a hierarquia também é o povo de Deus, porque a responsabilidade da qual a hierarquia é depositária não é uma responsabilidade por súditos indignos, mas pelo povo de Deus. O que isso significa? Repito: uma proximidade muito mais forte entre “acima” e “abaixo”. E o que isso quer dizer? Que uma orientação hierárquica, um governo hierárquico, é o governo que parte (como já falamos tantas vezes nestes dias) de uma paternidade manifesta, de uma paternidade ancorada no mundo sobrenatural. Esta é, em resumo, a segunda característica da nova imagem da Igreja.”

 

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¿Citação do texto base da Campanha da Fraternidade 2021? NÃO.

¿Texto de Leonardo Boff ou Heinz Küng? NÃO.

Do Papa Francisco! Sabíamos que era comunistaNÃO.

¿Da equipe schoenstatt.org, aquela página orgulhosamente livre e não oficial? Tampouco.

¿É um texto do nosso padre José Kentenich? SIM.

 

Do dia 8 de dezembro de 1965, celebrando assim o encerramento do Concílio Vaticano II. Um texto que nos compromete como schoenstattianos e como Movimento que tem o Dilexit Ecclesiam de seu fundador em sua bandeira. Ou não?

No Brasil, existe a Campanha da Fraternidade. Em muitas dioceses da Alemanha, durante a quaresma, somos encorajados a 40 momentos de gratidão ou 40 momentos de caridade. Que tal 40 momentos de diálogo?

iglesia fraterna dialogizar

Requisitos para o diálogo segundo o padre Kentenich

  • Seguir a argumentação (estar atento) do outro, do meu interlocutor.
  • Ressonância da minha alma. Isto é muito importante. Se apenas escuto e não processo meus pensamentos com o que meu interlocutor quer dizer, não podemos falar de entendimento. Deve haver algo que ressoe dentro de mim, do que ressoa no meu interlocutor.
  • Assentir, pelo menos, com o ponto de vista do meu interlocutor.
  • Também acreditar, com uma fé sincera, no valor do que meu interlocutor quer e aspira.
  • Uma firme crença na missão pessoal do meu interlocutor.

Fonte: Jornada pedagógica para ramos femininos, 1932

Papa Francisco

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA A CAMPANHA DE FRATERNIDADE 2021 NO BRASIL

Queridos irmãos e irmãs do Brasil:

Com o início da Quaresma, somos convidados a um momento de intensa reflexão e revisão de nossas vidas. O Senhor Jesus, que nos convida a caminhar com Ele pelo deserto rumo à vitória pascal sobre o pecado e a morte, torna-se peregrino conosco também nestes tempos de pandemia. Ele nos convoca e nos convida a rezar por aqueles que morreram, a agradecer o serviço abnegado de tantos profissionais da saúde e a promover a solidariedade entre as pessoas de boa vontade. Ele nos chama a cuidar de nós mesmos, da nossa saúde e uns dos outros, como nos ensina a parábola do Bom Samaritano (cf.  Lc. 10,25-37). Temos que superar a pandemia e faremos isso na medida em que formos capazes de superar as divisões e nos unir em torno da vida. Como indiquei na recente encíclica  Fratelli tutti ,  “depois da crise da saúde, a pior reação seria cair ainda mais na febre do consumidor e em novas formas de autopreservação egoísta” (n. 35). Para que não seja assim, a Quaresma é uma grande ajuda para nós, porque nos chama à conversão pela oração, pelo jejum e pela esmola.

Como é tradição há várias décadas, a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade como uma ajuda concreta para viver este tempo de preparação para a Páscoa. Neste ano de 2021, com o tema “Fraternidade e diálogo: empenho no amor”, os fiéis são convidados a “sentar-se e ouvir o outro” e assim superar os obstáculos de um mundo que muitas vezes é “um mundo surdo”. Com efeito, quando nos preparamos para o diálogo, estabelecemos «um paradigma de atitude receptiva, de quem vence o narcisismo e acolhe o outro» ( ibid . , N. 48). E na base desta renovada cultura de diálogo está Jesus que, como ensina o lema da Campanha deste ano: «É a nossa paz: ele que fez um dos dois povos»  (Ef  2,14).

Na base desta renovada cultura de diálogo
está Jesus que, como ensina o slogan da Campanha deste ano:
“É a nossa paz: aquele que fez um dos dois povos” (Ef 2,14).

Por outro lado, ao promover o diálogo como compromisso de amor, a Campanha da Fraternidade nos lembra que os cristãos são os primeiros a dar o exemplo, a partir da prática do diálogo ecumênico. Com a certeza de que «devemos recordar sempre que somos peregrinos e peregrinamos juntos», no diálogo ecuménico podemos verdadeiramente «confiar o nosso coração ao companheiro de caminho sem suspeita, sem desconfiança, e olhar primeiro para o que nós busca: paz no rosto do único Deus ”(Exortação apostólica  Evangelii Gaudium ,  n. 244). É, portanto, motivo de esperança que este ano, pela quinta vez, a Campanha da Fraternidade seja realizada com as Igrejas que integram o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

Deste modo, cristãos brasileiros, na fidelidade ao único Senhor Jesus que nos mandou amar-nos como nos amou (cf.  Jo 13,  34) e partindo da “valorização de cada pessoa humana como criatura chamada a sejam filhos de Deus, oferecem um valioso contributo para a construção da fraternidade e para a defesa da justiça na sociedade ”(Carta Encíclica  Fratelli tutti ,  n. 271). A fecundidade do nosso testemunho dependerá também da nossa capacidade de dialogar, de encontrar pontos de união e de os traduzir em ações a favor da vida, especialmente a vida dos mais vulneráveis.

Desejando-vos a graça de uma frutuosa Campanha da Fraternidade Ecumênica, envio a cada um de vocês a minha Bênção Apostólica, pedindo-lhes que não deixem de rezar por mim.

Roma, São João de Latrão, 17 de fevereiro de 2021.

Francisco


A polêmica Campanha da Fraternidade 2021 (1)

A polêmica Campanha da Fraternidade 2021 (2)

Original: Espanhol (18/2/2021). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Brasil

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