San José, padre en la sombra

Colocado em 2020-12-12 In Ano de S. José, Francisco - iniciativos e gestos, Igreja - Francisco - movimentos

“Pai trabalhador”, “Pai na sombra”. Um Ano de São José

ANO DE SÃO JOSÉ, redação •

“Na família do meu marido todos os homens têm como primeiro ou segundo nome José”, diz Elisa da Costa Rica, logo após receber a notícia do Ano de S. José, proclamado pelo Santo Padre a 8 de Dezembro deste ano da pandemia. A capital da Costa Rica, São José, também deveria estar a celebrar como tantos José na Família de Schoenstatt. Mas – qual é a mensagem que o Espírito Santo, através do Papa Francisco, nos envia neste momento da História, com a carta intitulada “Patris Corde”, “Com o Coração de  Pai”? —

Coração de pai

“O mundo – diz Francisco – precisa de pais, rejeita os dominadores, isto é, rejeita quem quer usar a posse do outro para preencher o seu próprio vazio; rejeita aqueles que confundem autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição”.

“Ser pai – especifica –  significa introduzir o filho na experiência da vida, na realidade. Não segurá-lo, nem prendê-lo, nem subjugá-lo, mas torná-lo capaz de opções, de liberdade, de partir. Talvez seja por isso que a tradição, referindo-se a José, ao lado do apelido de pai colocou também o de «castíssimo». Não se trata duma indicação meramente afetiva, mas é a síntese duma atitude que exprime o contrário da posse”.

Dá-nos uma visão nova ou renovada da paternidade, maternidade, autoridade e poder, sempre importante e ainda mais em tempos de uma sensibilidade acrescida em relação ao abuso de poder.

Vocação como um dom de si próprio, como serviço abnegado na vida dos outros

“Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si próprio, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este género de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração”.

Dá-nos uma visão nova ou renovada da vocação, não como um prémio ou privilégio ou motivo de veneração, nem como um sacrifício com gosto pela vitimização, mas como um desafio de maturidade pessoal.

San José

Pintor: Luigi Crosio

A Carta tem vários capítulos dedicados a diferentes aspectos da figura de José: “Pai amado”, “Pai na ternura”, “Pai na obediência”, “Pai no acolhimento”, “Pai com coragem criativa”, “Pai trabalhador”, “Pai na sombra”.

Vejamos dois deles, o primeiro visto através da nossa espiritualidade de trabalho, o outro visto da nossa compreensão da autoridade como sendo autores da vida. Um pouco de desafio, sim.

Trabalho: colaboração com Deus na gestação de uma nova ordem social

“São José foi um carpinteiro que trabalhava honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, dignidade e alegria do que significa comer o pão que é o fruto do próprio trabalho.

“A pessoa que trabalha, seja qual for a sua tarefa, colabora com o próprio Deus, torna-se em certa medida criadora do mundo que a rodeia. A crise do nosso tempo, que é económica, social, cultural e espiritual, pode constituir para todos um apelo a redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho para dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído. O trabalho de São José lembra-nos que o próprio Deus feito homem não desdenhou o trabalho. A perda de trabalho que afeta tantos irmãos e irmãs e tem aumentado nos últimos meses devido à pandemia de Covid-19, deve ser um apelo a revermos as nossas prioridades. Peçamos a São José Operário que encontremos vias onde nos possamos comprometer até se dizer: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!”

Esperamos ansiosamente como projectos, como CIEES ou IKAF, irão cunhar e moldar uma espiritualidade de trabalho e de dar trabalho, neste ano de São José.

A vocação de pai “na sombra”

“A paternidade, que renuncia à tentação de decidir a vida dos filhos, sempre abre espaços para o inédito. Cada filho traz sempre consigo um mistério, algo de inédito que só pode ser revelado com a ajuda dum pai que respeite a sua liberdade. Um pai sente que completou a sua ação educativa e viveu plenamente a paternidade, apenas quando se tornou «inútil», quando vê que o filho se torna autónomo e caminha sozinho pelas sendas da vida, quando se coloca na situação de José, que sempre soube que aquele Menino não era seu: fora simplesmente confiado aos seus cuidados. No fundo, é isto mesmo que dá a entender Jesus quando afirma: «Na terra, a ninguém chameis “Pai”, porque um só é o vosso “Pai”, aquele que está no Céu» (Mt 23, 9).

Todas as vezes que nos encontramos na condição de exercitar a paternidade, devemos lembrar-nos que nunca é exercício de posse, mas «sinal» que remete para uma paternidade mais alta. Em certo sentido, estamos sempre todos na condição de José: sombra do único Pai celeste, que «faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus, e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5, 45); e sombra que acompanha o Filho.”

Esperamos compreender melhor neste Ano de S. José a agora tão questionada paternidade do Padre Kentenich como “sombra do Pai, sombra que segue o Filho”.

“Que não se diga que eu vos invoquei em vão”

Francisco termina a carta com uma breve oração a São José:

Salve, guardião do Redentor
e esposo da Virgem Maria!
A vós, Deus confiou o seu Filho;
em vós, Maria depositou a sua confiança;
convosco, Cristo tornou-Se homem.

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós
e guiai-nos no caminho da vida.
Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,
e defendei-nos de todo o mal. Amém.+

Mas há mais uma oração nesta carta, uma com um toque pessoal. Um certo desafio.

O Papa – como qualquer sacerdote – reza as Laudes e a seguir, dia após dia, há 40 anos, aquela antiga oração encontrada num livro francês de devoção do século XIX. O destinatário deste “certo desafio” diário, como ele o chama, é S. José porque, depois de lhe ter confiado tudo, “situações tão sérias e difíceis”, aquela velha oração termina assim: “Que não se diga que eu vos invoquei em vão”.

«Glorioso Patriarca São José,

cujo poder consegue tornar possíveis as coisas impossíveis,

vinde em minha ajuda nestes momentos de angústia e dificuldade.

Tomai sob a vossa proteção as situações tão graves e difíceis que Vos confio,

para que obtenham uma solução feliz.

Meu amado Pai, toda a minha confiança está colocada em Vós.

Que não se diga que eu Vos invoquei em vão,

e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria,

mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder. Amém».

San José

São José, pintor: Luigi Crosio

Texto integral da Carta “Patris Corde”

 

 Original: Espanhol (11/12/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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