Colocado em 2020-03-02 In Dilexit ecclesiam, Igreja - Francisco - movimentos

Histórias do Congresso Nacional de Leigos “Povo de Deus em Saída” e uma surpresa

ESPANHA, Paz Leiva •

Quinze schoenstatteanos puderam participar no Congresso Nacional de Leigos, graças ao bom trabalho e à perseverança de Susana Arregui, do Ramo das Mães, e de Manuel Carrasco, da Liga das Famílias. Ambos trabalham há muitos anos em instituições eclesiásticas sem qualquer apoio ou assistência. No entanto, conseguiram obter mais lugares para se participar, do que em princípio tinham. Três de nós da União das Famílias coincidimos com o Manuel na Jornada do Apostolado Secular e ele encorajou-nos a participar no Congresso. Ele contagiou-nos com o seu entusiasmo.—

Daqui os meus agradecimentos à Susana e ao Manuel pela sua lealdade.

Digo-vos tudo isto para que compreendam que o Movimento Apostólico de Schoenstatt não é muito conhecido em Espanha.

Os quinze assistentes representantes de Schoenstatt escolheram diferentes itinerários e diferentes linhas temáticas, para poderem participar em todos os campos possíveis e depois relatar as suas experiências.

No sábado de manhã, escolhi o Itinerário 4, PRESENÇA NA VIDA PÚBLICA, a linha temática “Como criar um pensamento transformador”.

Primeiro uma exposição de enquadramento, o seu título: “Profetas 3.0”, comum a todo o itinerário escolhido. O orador propôs “curar as pessoas, cuidar dos vínculos e construir pontes… a nossa posição deve ser crítica e precisamos de uma comunidade…”, propôs ilusão face ao cansaço das democracias. Falou de uma “cultura do encontro” e encorajou-nos a levar a formação a sério e a tomar consciência da novidade da mensagem que levamos.

Após a conversa, fomos em grupos de cerca de vinte e cinco pessoas para as salas de testemunhos e de intercâmbio.

O Movimento Comunhão e Libertação apresentou o seu “Encontro de Madrid”, um evento que organizam todos os anos, com um tema diferente e aberto a todos. O próximo Encontro Madrid 2020 abordará o tema da Confiança. Nós schoenstatteanos poderíamos ter apresentado o “Dia do Santuário”, muito semelhante ao projecto “Encontro”, mas não tínhamos participado nos dois anos de preparação para o Congresso.

… mas não tínhamos participado nos dois anos de preparação para o Congresso.

As Comunidades de Vida Cristã apresentaram um projecto de diálogo cívico “Discernimento para a reconciliação” entre sociedades complexas, diálogo a partir da diversidade para transformar os conflitos (mesmo os bélicos) – não por consenso, onde todos cedem e o conflito emerge mais fortemente nas gerações seguintes – descobrindo o que une e não o que separa. Não resolvem conflitos, transformam-nos seguindo o paradigma pedagógico de Santo Inácio. Nós schoenstatteanos poderíamos ter apresentado um pequeno trabalho sobre a pedagogia das vinculações, mas não tínhamos participado nos dois anos de preparação do Congresso.

A partilha girou em torno de três aspectos: atitudes que devem ser superadas, processos que devem ser encorajados e projectos que podem ser promovidos. Foi curioso notar o número de projectos que estão em curso e o pouco que sabemos uns sobre os outros. Também foi interessante notar que existem muitos carismas e muitas maneiras de fazer as coisas bem.

 

Acompanhamento dos acompanhantes

No itinerário da tarde 2, ACOMPANHAMENTO, linha temática “Acompanhamento dos acompanhantes”

A exposição de enquadramento deixou claro o que é e o que não é acompanhar. O que é acompanhamento para discernir, como saímos ao encontro do outro e como temos que nos formar para canalizar as nossas energias e sair para anunciar a Vida, como João Baptista.

As duas apresentações que se seguiram foram uma pastoral de acompanhamento espiritual dos Seminários Ruach: crescer na arte, na ciência e na pedagogia do acompanhamento, “acolher a VIDA, acompanhar a vida quotidiana”. É uma formação muito exigente, que dura dois anos.  Nós schoenstatteanos poderíamos ter apresentado uma breve palestra sobre a Academia das Famílias, mas não tínhamos participado dos dois anos de preparação para o Congresso.

“Apostólico de quê?”

A segunda apresentação foi a “Escola para o acompanhamento de jovens” da Diocese de Ciudad Real. Digno de admiração, com poucos recursos, três livros e muito entusiasmo e respeito pela vida dos outros, com muito poucas pessoas chegaram a todas as aldeias da província.  Nós schoenstatteanos poderíamos ter apresentado uma breve palestra sobre “a vida acende-se na vida” ou “o educador educado”, mas não tínhamos participado nos dois anos de preparação para o Congresso.

Durante a partilha, como no itinerário da manhã, apresentámo-nos brevemente, dizendo o nome e a comunidade de origem. “O meu nome é Paz e venho do Movimento Apostólico de Schoenstatt. “Apostólico de quê?”, quase todos os membros do grupo perguntaram em coro, incluindo o moderador. “Meu Deus”, pensei para mim mesma… e o facto é que nós schoenstatteanos não tínhamos participado nos dois anos de preparação para o Congresso.

 

Bem, nós queremos construir um Santuário no sul…

Durante a Jornada do Apostolado Secular tínhamos falado com o Manuel Carrasco sobre propor um projecto para acompanhar os párocos que se encontram sozinhos, seja porque estão na “Espanha esvaziada”, seja porque estão nas zonas rurais ou porque estão nas igrejas vazias de alguns bairros das grandes cidades. A ideia foi muito bem recebida, especialmente pelo Bispo de Múrcia, que esteve presente no grupo. Havia piadas, risos e um bom ambiente.

No final do encontro, ouvi uma voz atrás de mim: “Quero falar contigo”, “agora vai pedir-me para que lhe conte sobre o apostólico de quê? vamos ver o que este sacerdote quer”. Aí veio uma grande surpresa. “Eu sou Jaime, pároco de Parla (uma cidade ao sul de Madrid). Estou em contacto com Ambrosio Arizu, do primeiro curso da União das Famílias. De onde és tu?” – “Eu sou do segundo Curso”. Pois queremos construir um Santuário no Sul e o Bispo está de acordo. O que nós realmente queremos é viver a Aliança de Amor. Havia uma pessoa que nos conhecia!

Feliz por ter conhecido tantas iniciativas e tantos projectos diferentes, envergonhada por não ter participado nos dois anos de preparação do Congresso, magoada por não conhecerem sequer o estranho e difícil nome do meu Movimento, acontece que entre os 2000 participantes encontro um que está apaixonado pela mesma coisa que eu.

Alguns dias depois, no dia 18, e a convite do primeiro curso da União das Famílias, assistimos a uma Missa numa das paróquias de Parla, a do Padre Jaime. Foi ele quem pregou, explicando aos seus paroquianos o que é Schoenstatt, o que a Mãe de Deus faz a partir do Santuário e por que é que os schoenstatteanos se reúnem no dia 18 para renovar a sua Aliança de Amor.

Não houve schoenstatteanos na preparação do Congresso, mas em Parla há alguns “schoenstatteanos em saída”, juntamente com Ambrosio Arizu.

 

 

Fotos: Juan Zaforas e Conta de Twitter do Congresso dos Leigos

Original: espanhol (28/2/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

A minha crónica e conclusões do Congresso de Leigos

Primeiras impressões do Congresso Nacional de Leigos “Povo de Deus em saída”

 

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