Colocado em 24. Fevereiro 2020 In Dilexit ecclesiam, Igreja - Francisco - movimentos

A minha crónica e conclusões do Congresso de Leigos

ESPANHA, Juan Zaforas •

Neste congresso tivemos a oportunidade de viver uma experiência única, até quando aprendemos e recebemos dos outros, esperamos ter contribuído com algo do que é nosso e desejamos que, a esta experiência, se juntem outras no futuro que nos vão mostrando o caminho para irmos todos juntos. —

 

Como muitos de vós já devem saber, no passado fim-de-semana realizou-se em Madrid (Espanha) o Congresso de Leigos 2020, que reuniu mais de 2.000 pessoas em representação de Paróquias, Associações e Movimentos. O encontro, organizado pela Conferência Episcopal Espanhola, contou também com a participação de um bom número de sacerdotes e cerca de 70 Bispos.

O Movimento de Schoenstatt teve uma importante representação de 16 participantes da Catalunha e Madrid de diferentes comunidades dentro do Movimento de Schoenstatt, entre os quais o Pe. José María García, que actualmente é o Director do Movimento em Espanha.

Tenho alguma experiência na organização de congressos e grandes eventos e tenho que admitir que os aspectos organizacionais e logísticos me surpreenderam muito agradavelmente. Não é fácil organizar e mobilizar 2.000 pessoas e conseguiram-no. Parabéns.

Alguns dos schoenstatteanos presentes

Um congresso de leigos… organizado por Bispos.

No que diz respeito à convocatória, é impressionante que um Congresso de Leigos seja organizado pela Conferência Episcopal, mas receio muito que, como não existem estruturas que reúnam os Leigos, as suas Paróquias, Associações e Movimentos, esta tenha sido a única forma de o conseguir. Esperemos que, a partir desta experiência, os Leigos avancem nesta direcção e, como foi demonstrado em muitas ocasiões ao longo dos três dias, comecemos a trabalhar juntos e em comunhão, procurando o que nos une e enriquecendo-nos na diversidade.

Quanto ao conteúdo do Congresso, e através do trabalho prévio, que foi sendo realizado desde há quase dois anos antes, concretizou-se em quatro itinerários, a saber: “Primeiro Anúncio”, “Acompanhamento”, “Processos de Formação” e “Presença na Vida Pública”, com um trabalho em cada um deles, ao qual foram acrescentadas as Exposições iniciais e finais. Todo o material está disponível no site do Congresso (ES).

Por sua vez, os Itinerários tinham linhas temáticas, testemunhos e até 80 grupos de reflexão. As suas conclusões foram usadas para elaborar o documento final.

 

Sinodalidade e discernimento, duas palavras que ressoaram ao longo dos três dias

As palavras “sinodalidade” e “discernimento” ressoaram fortemente durante todo o Congresso, e tal como foi dito na apresentação inicial (ES), sinodalidade é caminhar sob a condução do Espírito Santo, ou seja, caminhar juntos e com toda a Igreja sob a Sua luz, orientação e irrupção para aprender a escutar e a discernir o horizonte sempre novo que Ele nos quer oferecer. Porque a sinodalidade supõe e exige a irrupção do Espírito Santo”. O discernimento exige partir de uma disponibilidade para a escuta: o Senhor, os outros, a própria realidade que sempre nos desafia de maneiras novas. Apenas aqueles que estão dispostos a ouvir têm a liberdade de renunciar ao seu próprio ponto de vista parcial ou insuficiente, aos seus hábitos e aos seus esquemas.

Pessoalmente, pude participar na linha temática chamada “Para uma presença transformadora nos meios de comunicação e nas redes sociais” dentro do itinerário de Presença na vida pública, onde tive a oportunidade de ouvir o testemunho de Javi Nieves, apresentador de um programa de rádio no Canal 100 do Grupo Cope e representante do Projecto iMision. Evangelizar a partir das redes.

Ambos os testemunhos foram muito úteis para mim e contribuíram com questões de interesse que agora partilho com todos os leitores de schoenstatt.org.

Um Schoenstatteano que repensa a forma de comunicar.

Javi Nieves contou-nos a sua experiência à frente de um programa de rádio que, em poucos anos, passou de um programa muito moderno para um programa “cota” (NR: de ideias retrógradas e conservadoras), e isto deve-se à velocidade da mudança nas nossas sociedades. Agora,estão em meio de um processo de análise para rever os seus conteúdos e ver como podem ser adaptados ao que a sociedade exige, mas sem mudar a sua essência. Esta reflexão leva-me a pensar se não teremos todos de fazer algo semelhante. Se continuarmos com as mesmas fórmulas, com as mesmas mensagens, é muito provável que ninguém nos ouça. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para felicitar os apresentadores da Exposição final, um Bispo e um jornalista que transmitiram uma mensagem de uma forma muito diferente daquela a que estamos habituados dentro da Igreja, sem dúvida chegaram à audiência. Portanto, a minha primeira conclusão, vamos rever a nossa maneira de fazer as coisas e as nossas mensagens, a fim de as adaptar à sociedade de hoje. Javi Nieves também nos deu alguns conselhos. Não devemos discriminar, devemos tentar chegar a todos. Não imponha a sua bandeira e comunique através do exemplo. Em resumo e como conclusão desta parte: Mais do que nunca, na sociedade em que vivemos, as melhores ferramentas à nossa disposição são o diálogo e o exemplo de vida. Ele também nos falou sobre a mudança sofrida quanto ao modelo de família. O seu programa tinha uma orientação para um tipo de modelo familiar, mas em muito pouco tempo e com a ajuda das redes sociais, este modelo está a mudar e a sociedade está a assumi-lo a grande velocidade. É verdade, quer queiramos quer não, o modelo de família está a mudar e se não tivermos em conta esta realidade, não seremos capazes de contribuir e de acrescentar.

 

Menos voluntarismo e mais profissionalismo no missionário digital

O testemunho de iMision entrou plenamente no mundo das redes sociais, as suas oportunidades, os seus desafios, os seus perigos, … Falaram-nos da figura do missionário digital profissional, lembrando-nos que é necessário profissionalizar esta tarefa dentro da Igreja. Há muito voluntarismo e muito franco atirador que correm grandes riscos por não conhecerem bem o meio ou por o usarem de forma incorrecta. Portanto, todos nós devemos dar um passo nessa direcção e exigir  profissionalismo aos nossos comunicadores, especialmente no ambiente da Internet e das redes sociais.

A iMision promove a formação dos comunicadores na rede através de cursos on-line Conecta (ES). Aqueles que colaboram em tarefas de comunicação nas suas Paróquias, Associações ou Movimentos devem ser formados com o iMision ou com outras iniciativas que possam existir para evitar riscos e ser o mais eficazes possível na nossa comunicação e alcançar o maior número de pessoas. Neste sentido, foram-nos mostrados dados segmentados sobre onde está a sociedade que queremos abordar e, na sua maioria, estão nas redes sociais.

Finalmente, deram-nos orientações e conselhos sobre como deve ser um plano dos Media Sociais, que tipo de conteúdo é mais atractivo, e como é a linguagem digital. Devemos comunicar com uma atitude cristã, escolhendo sempre a verdade, usando vídeos, mas bem pensados e todos com uma gestão elegante. Conclusão, devemos treinar e profissionalizar a nossa comunicação.

 

 

Página web do Congreso de Leigos 2020: www.pueblodediosensalida.com

Original: espanhol (19/2/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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