Colocado em 2020-01-02 In Igreja - Francisco - movimentos

Mulher da salvação, confiamo-Vos este ano, guardai-o no vosso coração

FELIZ ANO NOVO 2020 •

“Na cidade, Deus montou a Sua tenda… e de lá nunca saiu! A sua presença na cidade, mesmo nesta nossa cidade de Roma, “não deve ser fabricada, mas descoberta, revelada” (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 71). Somos nós que devemos pedir a Deus a graça de uns olhos novos, capazes de “um olhar contemplativo, ou seja, um olhar de fé que descobre Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças” (ibid., 71). —

Os profetas, nas Escrituras, advertem contra a tentação de ligar a presença de Deus apenas ao templo (Jr 7,4): Ele habita entre o Seu povo, caminha com eles e vive a vida deles. A sua fidelidade é concreta, Ele está próximo da existência quotidiana dos Seus filhos. Na verdade, quando Deus quer fazer novas, todas as coisas através do seu Filho, Ele não parte do templo, mas do ventre de uma pobre e pequena mulher do Seu Povo. Esta escolha de Deus é extraordinária! Ele não muda a história através dos homens poderosos, das instituições civis e religiosas, mas através das mulheres da periferia do império, como Maria, e através dos seus ventres estéreis, como o de Isabel.

Deus confia-nos a sua Palavra e exorta-nos a lançarmo-nos na luta, a envolvermo-nos no encontro e no relacionamento com os habitantes da cidade, porque “a sua mensagem corre depressa”. Somos chamados a conhecer os outros e a ouvir a sua existência, o seu grito de ajuda. Ouvir já é um acto de amor! Ter tempo para os outros, para o diálogo, para reconhecer com um olhar contemplativo a presença e a acção de Deus nas suas vidas, para dar testemunho com obras e não com palavras da nova vida do Evangelho, é verdadeiramente um serviço de amor que muda a realidade. Ao fazê-lo, de facto, circula um novo ar na cidade e também na Igreja, o desejo de recomeçar, de superar a velha lógica da oposição e das cercas, de colaborar juntos, construindo uma cidade mais justa e fraterna.

Não devemos ter medo ou sentir-nos inadequados para uma missão tão importante. Lembremo-nos: Deus não nos escolhe pela nossa “capacidade”, mas precisamente porque somos e nos sentimos pequenos. Agradecemos-lhe pela Sua graça que nos tem sustentado neste ano e com alegria elevamos-lhe o nosso cântico de louvor.

Papa Francisco, 31/12/2019

 

No primeiro dia do ano, celebramos estas núpcias entre Deus e o homem, inauguradas no seio de uma mulher. Em Deus, estará para sempre a nossa humanidade, e Maria será a Mãe de Deus para sempre. É mulher e mãe: isto é o essencial. D’Ela, mulher, surgiu a salvação e, assim, não há salvação sem a mulher. N’Ela, Deus uniu-Se a nós e, se queremos unir-nos a Ele, temos de passar pela mesma estrada: por Maria, mulher e mãe. Por isso, começamos o ano sob o signo de Nossa Senhora, mulher que teceu a humanidade de Deus. Se quisermos tecer de humanidade a trama dos nossos dias, devemos recomeçar da mulher.

Jesus, logo que nasceu, espelhou-Se nos olhos duma mulher, no rosto de sua Mãe. D’Ela recebeu as primeiras carícias, com Ela trocou os primeiros sorrisos. Com Ela, inaugurou a revolução da ternura; a Igreja, ao contemplar o Menino Jesus, é chamada a continuá-la. Pois também ela, como Maria, é mulher e mãe – a Igreja é mulher e mãe –, e encontra em Nossa Senhora os seus traços caraterísticos. Vê-A imaculada e sente-se chamada a dizer «não» ao pecado e ao mundanismo. Vê-A fecunda e sente-se chamada a anunciar o Senhor, a gerá-Lo nas inúmeras vidas. Vê-A mãe e sente-se chamada a acolher cada homem como um filho.

Aproximando-se de Maria, a Igreja reencontra-se: encontra o seu centro, encontra a sua unidade. Ao contrário o diabo, inimigo da natureza humana, procura dividi-la, colocando em primeiro plano as diferenças, as ideologias, os pensamentos unilaterais e os partidos. Mas não compreenderemos a Igreja, se olharmos para ela a partir das estruturas, a partir dos programas e das tendências, das ideologias, da funcionalidade: entenderemos qualquer coisa, mas não o coração da Igreja. Porque a Igreja tem um coração de mãe. E nós, filhos, invocamos hoje a Mãe de Deus, que nos reúne como povo crente. Ó Mãe, gerai em nós a esperança, trazei-nos a unidade. Mulher da salvação, confiamo-Vos este ano, guardai-o no vosso coração”.

Papa Francisco, 01/01/2020

Texto integral

Mensagem para o Dia Mundial da Paz

 

Original: espanhol (1/1/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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