Colocado em 2019-09-23 In Igreja - Francisco - movimentos

O Papa Francisco convida jovens empresários e estudantes a “promoverem juntos, através de uma ‘aliança’ comum, um processo de mudança global

EM ALIANÇA COM O PAPA FRANCISCO, Maria Fischer

O Papa Francisco convida jovens economistas, empresários e change-makers (pioneiros) para Assis, para assumirem um compromisso no espírito de São Francisco, a fim de se tornar a economia, de hoje e de amanhã, justa, sustentável e inclusiva, sem que ninguém fique para trás. No outro dia, uma amiga do Movimento dos Focolares enviou esta mensagem à sua rede de colegas jornalistas de “Juntos pela Europa”, e schoenstatt.org enviou o convite imediatamente, pois percebemos que as notícias sobre este grande evento ainda precisam de ser divulgadas. “É pena que tenhamos mais de 35 anos”, foi o comentário de Ulrich Grauert. “Gostaríamos muito de participar! O dirigente da Academia Internacional Kentenich para Líderes imediatamente partilhou a informação nas suas redes profissionais e na sua própria empresa. E outros também fizeram o mesmo… —

 

Alejandro Robles Field, da Costa Rica, disse: “Não tenho a certeza se posso deixar o trabalho, mas adoraria participar. Isto parece interessante. Haverá transmissão ao vivo, só por precaução?”

Sim!  A “Economia de Francisco” estará disponível em várias redes sociais – Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e Flickr – para que todos possam ser actualizados sobre o evento de três dias, especificamente dedicado aos jovens, como deseja o Papa Francisco.

O evento, a ser realizado em Assis de 26 a 28 de Março de 2020, já recebeu mais de 500 pedidos de participação de empresários e estudantes sub-35 de mais de 45 países, incluindo Japão, Angola, Brasil, Estados Unidos, Arábia Saudita, Portugal e Cuba.  Em poucos meses, o site www.francescoeconomy.org ( disponível em italiano e inglês) alcançou mais de 2000 assinantes. Em preparação para o Encontro Internacional de Assis, serão realizados workshops, seminários  e conferências na Itália e pelo mundo.  Estes eventos preparatórios serão promovidos por universidades, empresas, redes empresariais e várias outras organizações para cultivar o pensamento crítico, especialmente entre os jovens.  Vários encontros já estão programados.  Em primeiro lugar, a cidade de S. Francisco acolherá os “Caminhos de Assis”; outros encontros preparatórios acontecerão depois, tanto em Espanha como nos Camarões.

 

Mas, pensei em vos convidar de modo especial porque, com o vosso desejo de um futuro belo e alegre, vocês já são profecias de uma economia atenta à pessoa e ao meio ambiente (Papa Francisco)

Onde a teoria e a prática se juntam

O encontro com o Papa não será uma conferência tradicional, mas uma experiência onde a teoria e a prática se unem para construir novas ideias e novas colaborações.

O encontro começará com as propostas e o trabalho preparatório dos jovens; proporcionará um ambiente onde o tempo abranda e se faz espaço para o silêncio e a reflexão.  Workshops e apresentações artísticas serão oferecidos pelos mais conhecidos economistas, especialistas em desenvolvimento sustentável, mulheres e homens empresários actualmente empenhados, globalmente, na criação de uma economia diferente – com a proposta de gerar reflexão e colaboração comuns com e entre os jovens participantes.

Os vencedores do Prémio Nobel Muhammad Yunus e Amarthya Sen já confirmaram a sua presença na “Economia de Francisco“.  Além destes, outros participantes incluirão Bruno Frey, Tony Meloto, Carlo Petrini, Kate Raworth, Jeffrey Sachs, Vandana Shiva e Stefano Zamagni.

Englobar os jovens, para além das diferenças de crença e nacionalidade, um acordo para mudar a economia actual e humanizar a economia de amanhã: torná-la mais justa, mais sustentável e dar novo destaque às pessoas excluídas.

 

Um convite pessoal do Papa Francisco

O convite para participar veio diretamente do Papa Francisco, que emitiu uma carta na qual convida a cidade de S. Francisco, que é símbolo de humanismo e fraternidade, jovens economistas e empresários de todo o mundo, sem distinções de credo ou de nacionalidade, para iniciar com eles um processo de mudança global afim que a economia actual e futura seja mais justa, inclusiva e sustentável, sem deixar ninguém para trás.

Os problemas mais complexos do mundo de hoje, desde a salvaguarda do ambiente até à justiça para os pobres, exigem um compromisso corajoso para se repensar os paradigmas económicos do nosso tempo. Na Carta Encíclica Laudato si’, o Santo Padre recordou que tudo está intimamente ligado e que a Terra é a nossa “casa comum”, e por isso lançou um apelo para a defender e a toda a Humanidade que habita a Terra. Avisou-nos contra a exploração descuidada dos recursos e as políticas míopes que procuram o sucesso imediato sem perspectivas a longo prazo. Partindo do exemplo de S. Francisco, é necessário, portanto, reconstruir uma nova ecologia integral, inseparável do conceito de bem comum, que deve ser realizada através de escolhas baseadas na solidariedade e na “opção preferencial pelos pobres” a partir da “solução dos problemas estruturais da economia mundial”.

“O convite do Papa Francisco aos jovens economistas é um acontecimento que marca um passo histórico, porque reúne dois dos temas e paixões fundamentais do Papa: a sua prioridade que são os jovens e a sua preocupação por um novo tipo de economia.  Em seu nome, convidamos economistas e empresários mais sensíveis ao espírito da Oikonomia de Francisco (Francisco de Assis e Papa Francisco), a fim de dar aos jovens o melhor do pensamento e da prática económica actual no mundo. A palavra Oikonomia reúne muitas realidades: a raiz grega recorda a gestão doméstica, mas também se refere ao cuidado da nossa casa comum, a OIKOS. Também a consideramos em referência à Oikonomia como entendida pelos Padres da Igreja: uma categoria teológica de salvação universal. Assis é uma parte essencial do evento, porque é uma cidade que proclama uma mensagem sobre um tipo diferente de economia. Vários lugares em Assis acolherão partes do programa, que será construído em torno dos três pilares da Oikonomia de Francisco: os jovens, o meio ambiente e os pobres”, diz o Prof. Luigino Bruni, Director Científico da Comissão.

Para o Papa Francisco, o evento representa a consolidação de uma “aliança para mudar a economia atual e dar uma alma à economia de amanhã”. Pretende dar esperança aos direitos das futuras gerações, ao acolhimento da vida, à equidade social, à dignidade dos trabalhadores e à preservação do nosso planeta. De 26 a 28 de Março de 2020, a Economia de Francisco consistirá em workshops, eventos artísticos, seminários e sessões plenárias com os mais conhecidos economistas e especialistas em desenvolvimento sustentável e humanidades, que reflectirão e trabalharão em conjunto com os jovens.

O evento é organizado por uma Comissão composta pela Diocese de Assis, pelo Conselho Municipal de Assis, pelo Instituto Seráfico de Assis e pela Economia de Comunhão (Movimento dos Focolares).

 

Queridos jovens, sei que sois capazes de escutar, com o coração, os gritos cada vez mais angustiantes da terra e dos seus pobres em busca de ajuda e responsabilidade, isto é, de alguém que “responde” e não se volta para o outro lado (Papa Francisco)

 

Mensagem do Santo Padre Francisco para o evento

“Economia de Francisco” (Assis, 26-28 de Março de 2020)

 

Aos jovens economistas, empresários e empresárias

de todo o mundo

 

Queridos amigos,

Escrevo para vos convidar para uma iniciativa que tanto desejei: um evento que me permite conhecer aqueles que hoje se estão a formar e começam a estudar e a praticar uma economia diferente, que faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da criação e não a espolia. Um evento que nos ajuda a estar juntos e a conhecer-nos uns aos outros, e nos leva a fazer um “pacto” para mudar a economia actual e dar uma alma à economia de amanhã.

Sim, temos de “re-animar” a economia! E qual é a cidade mais adequada para isso do que Assis, que durante séculos foi símbolo e mensagem de um humanismo de fraternidade? Se S. João Paulo II a escolheu como ícone de uma cultura de paz, parece-me também um lugar inspirador para uma nova economia. Aqui, de facto, Francisco despojou-se de toda a mundanidade para escolher Deus como estrela polar da sua vida, fazendo-se pobre com os pobres, um irmão universal. A sua opção pela pobreza também deu origem a uma visão da economia que permanece muito actual. Pode dar esperança ao nosso futuro, em benefício, não só, dos mais pobres, mas de toda a Humanidade. É necessário, de facto, para o destino de todo o planeta, a nossa casa comum, “a nossa irmã a Mãe Terra”, como Francisco a chama no seu Cântico do Irmão Sol.

Na minha Carta Encíclica Laudato Si’, sublinhei que, hoje mais do que nunca, tudo está profundamente ligado e que a salvaguarda do ambiente não pode ser dissociada da garantia da justiça para os pobres e da procura de respostas para os problemas estruturais da economia global. É preciso corrigir os modelos de crescimento incapazes de garantir o respeito pelo ambiente, a abertura à vida, a solicitude pela família, a igualdade social, a dignidade dos trabalhadores e os direitos das gerações futuras. Infelizmente, poucos ouviram o apelo a reconhecerem a gravidade dos problemas e, sobretudo, a pôr em prática um novo modelo económico, fruto de uma cultura de comunhão baseada na fraternidade e na igualdade.

Francisco de Assis é o exemplo, por excelência, do cuidado pelos fracos e de uma ecologia integral. Lembro-me das palavras que o Crucifixo lhe dirigiu na pequena igreja de São Damião: “Vai, Francisco, repara a minha casa que, como podes ver, está toda em ruínas”. Aquela casa a ser reparada diz respeito a todos nós. Trata-se da Igreja, da sociedade e do coração de cada um de nós. Preocupa-nos também, cada vez mais, o ambiente que precisa urgentemente de uma economia saudável e de um desenvolvimento sustentável que cure as suas feridas e nos garanta um futuro digno.

Perante esta urgência, todos nós, mesmo todos nós, somos chamados a rever os nossos padrões mentais e morais, para que estejam mais de acordo com os mandamentos de Deus e com as exigências do bem comum. Mas, pensei em vos convidar de modo especial porque, com o vosso desejo de um futuro belo e alegre, vocês já são profecias de uma economia atenta à pessoa e ao meio ambiente.

Queridos jovens, sei que sois capazes de escutar, com o coração, os gritos cada vez mais angustiantes da terra e dos seus pobres em busca de ajuda e responsabilidade, isto é, de alguém que “responde” e não se volta para o outro lado. Se escutarem o vosso coração, sentir-se-ão portadores de uma cultura corajosa e não terão medo de correr riscos e de se empenharem na construção de uma nova sociedade. O Jesus ressuscitado é a nossa força! Como vos disse no Panamá e escrevi na Exortação Apostólica pós-sinodal Christus Vivit: “Por favor, não deixem que os outros sejam protagonistas da mudança! Vocês é que têm o futuro! Através de vós, o futuro entra no mundo. Peço-vos também que sejam protagonistas desta mudança. Peço-vos que sejais construtores do mundo, que trabalheis por um mundo melhor” (n. 174).

As vossas universidades, as vossas empresas, as vossas organizações estão a construir blocos de esperança para construir outras formas de compreender a economia e o progresso, para combater a cultura do desperdício, para dar voz àqueles que não a têm, para propor novos estilos de vida. Enquanto o nosso sistema económico-social continuar a produzir, nem que seja, uma vítima e se, só houver uma pessoa rejeitada, não pode haver festa da fraternidade universal.

É por isso que desejo encontrar-me convosco em Assis: para promovermos juntos, através de um “pacto” comum, um processo de mudança global que inclua numa comunhão de intenções não só, aqueles que têm o dom da fé, mas todos os Homens de boa vontade, para além das diferenças de crenças e nacionalidades, unidos por um ideal de fraternidade, atentos sobretudo aos pobres e excluídos. Convido cada um de vocês a ser protagonista desta aliança, assumindo um compromisso individual e colectivo de cultivarmos juntos o sonho de um novo humanismo que responda às expectativas do Homem e ao projecto de Deus.

O nome deste evento – “Economia de Francisco” – tem uma clara referência ao Santo de Assis e ao Evangelho que, ele viveu em total coerência também, a nível económico e social. Ele oferece-nos um ideal e, de alguma forma, um programa. Para mim, que adoptei o nome dele, é uma fonte constante de inspiração.

Juntamente convosco, e através de vós, apelarei a alguns dos melhores académicos da ciência económica, bem como a empresários que já estão hoje empenhados, em todo o mundo, numa economia coerente com este quadro ideal. Estou confiante de que eles responderão. E confio sobretudo em vós, jovens, capazes de sonhar e dispostos a construir, com a ajuda de Deus, um mundo mais justo e mais belo.

O Encontro está marcado para os dias de 26 a 28 de Março de 2020. Juntamente com o Bispo de Assis, cujo predecessor Guido acolheu o jovem Francisco na sua casa há oito séculos, no gesto profético do seu despojamento, conto também convosco. Estou ansioso por vos ver e, desde já, vos saúdo e abençoo. E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim.

 

Vaticano, 1 de Maio de 2019

Memória de São José Operário

FRANCISCO

Site Oficial (disponível em ingles e italiano)

Podem candidatar-se à participação através do site oficial da conferência, francescoeconomy.org, preenchendo o formulário apropriado no link “Rumo à Economia de Francisco”.

Francisco de Assis é o exemplo, por excelência, do cuidado pelos fracos e de uma ecologia integral.

 

Material audiovisual:  francescoeconomy.org  (em ingles e italiano)

Original: inglês e italiano (22/9/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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