Colocado em 18. Maio 2019 In Igreja - Francisco - movimentos, Juntos pela Europa

O Papa reza por Jean Vanier, fundador das Comunidades A Arca

FRANÇA, Redacção de schoenstatt.org com material de AICA •

Aos 90 anos, Jean Vanier, filósofo e teólogo canadiano, fundador das comunidades A Arca (L’Arche), dedicadas ao serviço das pessoas com deficiência mental, morreu na madrugada de terça-feira, 7 de Maio, em Paris.

O Papa Francisco, em viagem nesse dia à Macedônia, foi informado da notícia da morte de Vanier e reza por ele e por toda a comunidade de A Arca, segundo a Santa Sé. O Papa, depois do seu encontro com Vanier em Março de 2014, chamou-o “homem de sorriso e de encontro”.

Activo e entusiasta até ao fim, nestas últimas semanas a sua saúde deteriorou-se consideravelmente, pelo que foi hospitalizado no centro de tratamento paliativo Maison Médicale Jeanne Garnier em Paris.

“Jean deixou-nos ao fim de uma longa vida de excepcional fecundidade. A sua comunidade em Trosly, toda A Arca,da Fé e Luz, muitos outros Movimentos e milhares de pessoas foram alimentados pela sua palavra e pela sua mensagem”, anunciou Stephan Posner e Stacy Cates-Carney, os dois líderes de L’Arche International, depois da notícia da sua morte.

De origem canadiana, Jean Vanier nasceu no dia 10 de setembro de 1928 em Genebra. Ele era o quarto de cinco irmãos, muitos dos quais tinham grande sensibilidade artística e espiritual. Um seria um monge trapista, outro um pintor, e outro trabalharia em cuidados paliativos. O seu pai tinha sido um herói da Primeira Guerra Mundial, depois um diplomata e embaixador do Canadá na Liga das Nações, em Genebra. Em 1959, quando Jean tinha 30 anos, viu o seu pai ser nomeado Governador Geral do Canadá.

Aos 13 anos, durante a Segunda Guerra Mundial, Jean juntou-se à Marinha e passou 9 anos na frota militar britânica. Na Marinha, Vanier aprendeu a ser duro e eficaz. Não era lugar para os fracos. Mas  viu muitos fracos: deportados de guerra, fugitivos, feridos, até mesmo sobreviventes de campos de extermínio. Deixou o mundo militar depois de realizar 30 dias de exercícios inacianos, tinha 22 anos e sentiu “um convite de amor de Jesus para deixar tudo para O seguir”. E começou a estudar filosofia, pensando que mais tarde se tornaria padre.

A partir de 1964, começou a viver com um pequeno grupo de pessoas com deficiência mental e assim nasceu a grande aventura de L’Arche, baseada em comunidades onde convivem pessoas com e sem deficiência mental.

Filósofo e pensador

Vanier era um filósofo, um pensador. Doutorou-se em Filosofia em 1962 com a tese “Felicidade: início e fim da moralidade aristotélica”. Nesse ano, começou a ensinar filosofia na Universidade de Toronto.

No mundo académico, consolidou-se na sua experiência de firmeza, inteligência, brilho, exigência, competência… Mas tudo isso era de pouca importância quando se tratava de deficientes mentais. Com eles, a mente e as palavras importavam menos do que o corpo, a presença, a emoção, o abraço. O que era realmente importante era a relação, o tratamento entre as pessoas.

Autor de vários livros, nos seus textos ele valoriza constantemente as coisas simples: o abraço, o sorriso, o jogo, o acompanhamento, a oração com gestos, até as horas de sono. Dormir mais e melhor é importante, escreveu ele, para as pessoas e para as comunidades: menos irritabilidade, mais tranquilidade, menos desejo de “fazer” e “eficiência”. Tudo junto ajuda a fé e a amizade, coisas que andam de mãos dadas.

As comunidades de l’Arche

Começou em 1964, quando duas pessoas com deficiência se instalaram com Jean Vanier numa casa meio arruinada na pequena aldeia de Trosly-Breuil, na França.

A mensagem de A Arca busca o que é comum a todos os homens: amar e ser amado e desenvolver o máximo possível os próprios dons.

“As pessoas vêm à comunidade porque querem ajudar os pobres. Eles permanecem na comunidade porque percebem que eles é que são os pobres”, disse Jean Vanier.

Repetidamente, apresentava as comunidades como escolas de amor: lembrava que os apóstolos que estavam com Jesus às vezes tinham as suas disputas, mas perseveravam em  conjunto com Ele porque eram chamados a isso, a crescer juntos.

Os seus ensinamentos e exemplos inspiraram muitas outras comunidades cristãs de diferentes denominações. Hoje, A Arca de Jean Vanier está presente em 38 países, com mais de 150 comunidades.

Em 1971, juntamente com a francesa Marie-Hélène Matthieu, chefe do Gabinete Cristão para os Deficientes, promoveu uma peregrinação pascal para os deficientes mentais, com as suas famílias e amigos: tornou-se a origem das comunidades Fé e Luz, com muitos familiares, famílias e amigos de pessoas com deficiência, e hoje tem mais de 1.800 comunidades no mundo.

Em 1997, Jean Vanier recebeu o Prémio Paulo VI, entregue por São João Paulo II. O Papa polaco disse da sua obra que era “uma semente providencial para uma verdadeira civilização do amor, um sinal de uma família verdadeiramente humana, de uma sociedade plenamente civilizada e de uma Igreja autenticamente cristã”. Em 2015 foi galardoado com o Prémio Templeton. Em 2016, a França nomeou-o “Comandante da Legião de Honra”.

As comunidades de L’Arche pertencem à rede de Movimentos “Juntos pela Europa”.

 

Original: espanhol (7/5/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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