Colocado em 18. Novembro 2016 In Aliança solidária, Igreja - Francisco - movimentos

Jesus na rua, Jesus nos sem-abrigo, Jesus só e sem proteção…Jesus à minha espera

ESPANHA, redacção de schoenstatt.org •

Domingo, 13 de Novembro. Em todo o mundo se fecham as Portas Santas. O Ano Santo da Misericórdia está a acabar… Este ano que ofereceu uma graça inédita a todos os cristãos, a graça de serem misericordiosos como o Pai, a graça de um encontro pessoal, profundo e real com Jesus, dia-a-dia, nos pobres e a graça de Lhe mostrarmos como O amamos através das obras de misericórdia em prol dos Seus e nossos amigos, os pobres. Neste mesmo Domingo, o Santo Padre celebrou, em S. Pedro, para umas 4.000pessoas em situação de rua, o Jubileu das pessoas socialmente excluídas. Seguindo Jesus, a Igreja “por direito e dever evangélico”, tem a tarefa de cuidar da verdadeira riqueza que são os pobres, o Seu verdadeiro tesouro, assinalou o Papa Francisco. “E o que é que resta? O que é que tem valor na vida? Quais são as riquezas que não desaparecem? Seguramente duas: o Senhor e o próximo. Estas duas riquezas não desaparecem. Estes são os bens maiores, que havemos de amar. Tudo o resto – o céu, a terra, as coisas mais belas, mesmo esta Basílica – passa; mas não devemos excluir da vida Deus e os outros (…)

Em todo o mundo se fecham as Portas Santas, lembrou Francisco. E, apela a abrirmos as portas do coração ao excluído, ao perdido, ao pobre na rua: “E abramos os olhos ao próximo, sobretudo ao irmão esquecido e excluído, ao «Lázaro» que jaz à nossa porta. Para ele está apontada a lupa da Igreja; que o Senhor nos livre de a voltarmos para nós. Afaste-nos das quimeras que nos distraem, dos interesses e dos privilégios, do apego ao poder e à glória, da sedução do espírito do mundo. De modo particular a nossa Mãe Igreja «olha para toda a humanidade que sofre e chora, pois ela sabe que esta lhe pertence, por direito evangélico» (Paulo VI, Discurso no início da II Sessão do Concílio Vaticano II, 29 de setembro de 1963); por direito e também por dever evangélico, porque é nossa tarefa cuidar da verdadeira riqueza que são os pobres, como bem no-lo recorda uma antiga tradição referente ao mártir romano São Lourenço. Este, antes de suportar um martírio atroz por amor do Senhor, distribuiu os bens da comunidade aos pobres, por ele designados como verdadeiros tesouros da Igreja. À luz destas reflexões, gostaria que hoje fosse o «dia dos pobres»!

Jesus na rua, Jesus nos sem-abrigo, Jesus só e sem proteção…à minha espera.

Roubaram uma Custódia com o Santíssimo no Santuário de Madrid

20151103111141Foi na tarde deste Domingo tão especial, 13 de Novembro, que uma notícia triste e dolorosa começou a espalhar-se. “O Santuário de Serrano, em Madrid, foi profanado esta tarde, tendo sido subtraída uma das Custódias do Sacrário com o Santíssimo” informou Juan Zaforas à redação e à equipa de schoenstatt.org.

“Pede-se que rezemos uma oração que acompanhe o Senhor ultrajado e, pelo pobre homem que realizou este acto vil”.

Não houve outros danos, foi uma coisa que se passou muito rapidamente e, parece que foi uma tentativa, mais de roubo que, de sacrilégio.

“Convido-vos a que rezem pelo ladrão e pelo Senhor, para que, onde quer que Se encontre, esteja bem”, comunicou a comunidade dos Padres de Schoenstatt, em Madrid. “Senhor, onde estás? Senhor, na rua, sem abrigo, sem proteção…

Em poucos minutos, criaram-se vínculos solidários com os Padres e com a Família de Schoenstatt de Madrid. No Paraguai, na Argentina, na África do Sul, na Áustria, em Espanha, na Alemanha, no Chile, em Itália acenderam-se velas nos Santuários-Lar e, muitos se uniram espiritualmente à Missa de desagravo na segunda-feira à noite, partilhando a tristeza e a dor.

2015-12-24

Rezo por quem profanou a presença do Senhor no sacrossanto santuário do corpo de tantos…

É uma mensagem do Pe. Rolando Montes, cubano a estudar em Roma, que abre um novo horizonte. “Com a oração por quem fez esta dolorosa profanação, rezo pelos que profanam a presença do Senhor no sacrossanto santuário do corpo de tantos e tantas escravas sexuais (muitos cruzam-se connosco nas noites das nossas cidades), de tantas crianças (creio que mais de 6 mil) soldados em África, pelos que enriquecem promovendo guerras, abortos, divórcios, com lobbies que anulam a razão e manipulam a sagrada liberdade humana.

Pelo Corpo profanado do Senhor no Tabernáculo Eucarístico e no sacrário quebrado que é a vida de tantos na nossa aldeia amada pelo Pai, ofereço a minha reparação e a minha oração pelas vítimas e e pela Família de Schoenstatt do Santuário de Serrano”.

“Obrigado, Pe. Rolando, mostras-nos o desafio de evangelizar a partir de Cristo que veio curar o Homem, entregando-Se. Dói-nos, a profanação Eucarística mas, acostumámo-nos à profanação do irmão”, responde o Pe. José Maria García, do Santuário de Madrid.

Comovidos, tristes e, ao mesmo tempo, alegres, deixamo-nos interpelar pelo olhar ao agravo do sacrário vivo que não vemos e com o qual convivemos, como diria a Madre Teresa.

E “saindo” a acompanhar em oração, Nosso Senhor só na rua, onde quer que seja que este ladrão O levou, a mensagem da manhã ecoa nas nossas almas; a mensagem de Jesus na rua, na solidão, Jesus sem abrigo, sem amparo, sem quem O ame…Jesus na situação de rua, em Madrid e em Asunción, em Roma e em Buenos Aires e na minha cidade…Chama-se Lázaro à minha porta e tenho que O ir buscar…

Original: espanhol. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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