Colocado em 2016-06-29 In Francisco - iniciativos e gestos, Francisco - Mensagem, Igreja - Francisco - movimentos

“Os mártires e os santos de todas as tradições eclesiais já são um em Cristo…”

FRANCISCO NA ARMÉNIA, por AICA e redacção •

O Papa Francisco iniciou na sexta-feira, 24 de Junho, a sua visita apostólica à Arménia, o “primeiro” povo cristão da História, marcado pelo genocídio. A visita do Papa terminou no Domingo, 26 de Junho, e foi muito esperada pela população, depois da que foi efetuada por João Paulo II no ano de 2001.

Antes de começar a viagem, o Papa Francisco dirigiu-se à Basílica Pontifícia de Santa Maria Maior, para pedir que ajudasse e abençoasse a viagem apostólica à Arménia. Como é tradição, o Santo Padre permaneceu em oração diante da Imagem de Nossa Senhora Salus Populi Romani e, como em outras ocasiões depositou um ramo de flores sobre o Altar, em honra de Nossa Senhora. As flores tinham as cores da bandeira da Arménia.

A fé é uma realidade constitutiva da identidade do povo arménio

O Papa Francisco destacou que a fé é uma realidade constitutiva da identidade do povo arménio, no seu primeiro discurso na Arménia, pronunciado na Catedral Apostólica da cidade de Echmiadzín, onde protagonizou o abraço da paz com o Patriarca Karekin II, Catholicós de todos os arménios.

“Para a Arménia, a fé em Cristo não foi uma espécie de vestido que se põe ou tira segundo as circunstâncias e conveniências, mas um elemento constitutivo da sua própria identidade, um dom de enorme valor que se há-de acolher com alegria e guardar com empenho e fortaleza, à custa da própria vida”, afirmou.

O Papa pediu que o Senhor abençoe este povo “Queira o Senhor abençoar-vos por este luminoso testemunho de fé, que demonstra de maneira exemplar, com o sinal eloquente e sagrado do martírio, a poderosa eficácia e fecundidade do Batismo recebido há mais de mil e setecentos anos, que se manteve um elemento constante da história do vosso povo”.

Também agradeceu pelo caminho que a Igreja Católica e a Igreja Apostólica Arménia percorreram “Agradeço ao Senhor também pelo caminho que a Igreja Católica e a Igreja Apostólica Arménia realizaram, através dum diálogo sincero e fraterno, para chegar à plena partilha da Mesa Eucarística”. “Apraz-me lembrar aqui o impulso decisivo dado à intensificação das relações e ao fortalecimento do diálogo entre as nossas duas Igrejas nos últimos tempos por Suas Santidades Vasken I e Karekin I, por São João Paulo II e por Bento XVI.

“O mundo está, infelizmente, marcado por divisões e conflitos, bem como por graves formas de pobreza material e espiritual, incluindo a exploração das pessoas, mesmo de crianças e idosos, e espera dos cristãos um testemunho de estima mútua e colaboração fraterna, que faça resplandecer diante de cada consciência o poder e a verdade da Ressurreição de Cristo”, lamentou.

O Jesuíta Giullermo Ortiz explica:

“O Papa Francisco que sustenta que “a realidade é superior à ideia”, afirma que, o sangue dos mártires de uma e de outra tradição nos une fortemente. Porque antes de serem mortos não lhes perguntaram se eram evangélicos, ortodoxos, luteranos, católicos, apostólicos. Foram mortos por serem cristãos. “Os mártires e os santos de todas as tradições eclesiais já são um, em Cristo…” (Maio de 2015, mensagem em vídeo para o Encontro de diálogo e oração em Phoenix, Estados Unidos).

A viagem do Bispo de Roma à Arménia está assinalada por esta convicção. Quando massacraram o povo arménio não perguntaram se aceitavam ou não o Concílio de Calcedónia, digo eu. Mataram-nos por acreditarem em Jesus. Francisco explica: ” Isto tem que nos animar a fazer o que, hoje, estamos a fazer: rezar, falar entre nós, encurtar distâncias, irmanarmo-nos cada vez mais”.

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“A memória é fonte de paz e de futuro”

O Memorial de Tzitzernakaberd é um lugar silencioso, pulcro que, convida ao recolhimento. Uma grande agulha preside um monumento circular, aberto que faz lembrar a Yad Vashem, em Israel, ou o Stonehenge. Uma homenagem aos mortos, avassaladora, ao qual chegou o Papa Francisco, acompanhado pelo Cathólicos e pelo Presidente da Arménia. Ao lado, alguns dos descendentes dos sobreviventes do, ontem, voltou a dizê-lo – ainda que, para muitos parece politicamente incorrecto, mas isto nunca importa a Francisco – “genocídio arménio” que, faz agora um século, massacrou 1,5 milhões de pessoas.

No sábado, 25 de Junho, o Papa Francisco, pela manhã rezou no Memorial de Tzitzernakaberd que recorda todos os falecidos no genocídio arménio perpetrado pelo Império Otomano entre 1915-1923, no qual morreram à volta de 1,5 milhões de pessoas.

“Aqui rezo com dor no coração – escreveu Francisco no livro de visitantes ilustres – para que, nunca mais haja tragédias como esta, para que a Humanidade não se esqueça e, saiba vencer o mal com o bem. Deus conceda ao querido povo arménio e ao mundo inteiro paz e consolação. Deus guarde a memória do povo arménio. A memória não é desvanecida nem esquecida, a memória é fonte de futuro”.

Acompanhado pelo seu séquito e por diversas autoridades civis e religiosas, entre as quais, estava o Presidente da Arménia, Serzh Sargsián, o Santo Padre deixou uma oferenda floral no Memorial que, foi levada até ao local, de modo solene, por três policías.

O Papa Francisco rezou uns momentos, em silêncio, pelos falecidos no genocídio, enquanto uma banda tocava o Hino Pontifício. A seguir, o Papa dirigiu-se ao local da “Chama Eterna” onde deixou uma rosa branca, tendo, o Mandatário e o Catholicós de todos os arménios, deixado rosas vermelhas.

Seguiu-se um momento de oração, no qual o Papa Francisco e o Catholicós Karekin II, abençoaram o incenso, a mesmo tempo que, era rezado o Pai Nosso em arménio. O coro entoou diversos hinos entre os quais o cântico do “Hrashapar”. O Cardeal argentino Leonardo Sandri, Perfeito da Congregação para as Igrejas Orientais leu o Evangelho e o Papa rezou a oração seguinte:

Cristo, que coroas os teus Santos
e cumpres a vontade de teus fiéis e olhas com amor e doçura às tuas criaturas,
escuta-nos dos céus da tua santidade,
por intercessão da Santa Mãe de Deus,
pelas súplicas de todos os teus santos,
e daqueles de quem hoje é a memória.
Ouvi-nos, ó Senhor e tem piedade,
Perdoai-nos, expia e perdoa os nossos pecados.
Faz-nos dignos para Te glorificar
com sentimentos de graças, junto ao o Pai e ao Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.

Depois do acto, Francisco deslocou-se nos já habituais carrinhos de golf até um pequeno “Bosque dos Justos” onde plantou uma árvore em memória dos mortos pela injustiça e sem razão. Ontem, na Arménia. Hoje, nas praias e nas fronteiras da própria Europa que, cada vez menos, se reconhece no espelho do que quis chegar a ser. Hoje, nos terrenos conquistados pelo Daesh onde cristãos são assassinados sem piedade e sem perdão. Hoje, em tantos lugares do planeta onde a dignidade humana, a vida e a felicidade das pessoas são ignoradas e violadas por corrupção, mentira, inveja e ânsias de poder…

Todos os textos da visita à Arménia

Fotos: Twitter A. Spadaro

Fonte da Tradução das palavras do Santo Padre: vatican.va e Aci Digital

Original: espanhol. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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