Colocado em 2016-04-30 In Artigos de Opinião, Igreja - Francisco - movimentos

Do puramente legal à orientação segundo o Ideal

Por Ingeborg e Richard Sickinger, Viena, Áustria •

Com a Exortação Apostólica Pós-sinodal Amoris Laetitia, sobre o amor na família, do Papa Francisco, realiza-se uma mudança de paradigma na Pastoral, no cuidado das almas. Como uma grande linha que percorre esta Exortação Apostólica pode constatar-se uma mudança na acentuação que, deixa para trás o puramente legal para acentuar mais o Ideal. O Cardeal Schönborn, que em 8 de Abril apresentou este documento papal em Roma, afirmou numa entrevista que concedeu à ORF (Radiodifusão Austríaca): “Esta Exortação leva a discussão para um nível superior,… o Papa (fala) sobre o amor dum modo tal que, todos aqueles que se introduzem neste documento acabam a dizer. “Sim, na realidade tem razão, existe uma dimensão maior”.

Introduzir-se em cheio no mundo das orientações fundamentais, das atitudes fundamentais

O Pe. Kentenich previu esta evolução. Em 1968 disse-o a alguns sacerdotes. “Temos que contar que, através do Concílio, tenha tido lugar uma grande transformação no que diz respeito à moral matrimonial, no que diz respeito à moral sexual. Mas, ainda mais importante, é a mudança no princípio moral…A moral era a ciência das normas obrigatórias. Em vez disso, podemos usar outra expressão: Em todo o sentido, se tratou, sempre, duma pedagogia de actos e não duma pedagogia de atitudes; sempre se tratou de práticas, duma piedade de práticas, não duma piedade de atitudes. E, agora, dá-se uma grande mudança na acentuação, já que, agora, trata-se dum afastar-se da coleção de normas, da coleção de práticas, para nos introduzirmos em cheio no mundo das orientações fundamentais, das atitudes fundamentais”.

Ao mesmo tempo, o Cardeal Schönborn vê, na realização do documento, um grande desafio: “Vejo uma grande tarefa para os teólogos, para os especialistas. Algo que, também, tem uma grande importância para a sociedade: como lidamos com as questões fundamentais da moral, é preciso estimular a liberdade, a responsabilidade, a consciência; isto é, é preciso impulsionar a personalidade madura e adulta”.

Maturidade

O Pe. Kentenich, já naquela época, também viu estes desafios dum modo ainda mais crítico: “A Igreja não está preparada para tal maturidade, para uma tal mudança de acentuação, para uma tal ode à maturidade… Não teria Deus que Se preocupar em que existam e se desenvolvam comunidades que considerem esta tarefa, isto é, esta mudança de orientação, esta mudança de acentuação no pensamento moral e no pensamento ascético, como uma tarefa de vida? Isto foi, desde o princípio, o mais característico de tudo o que temos feito”.

O Pe. Kentenich indica que, é tarefa de vida de Schoenstatt, o ajudar a realizar esta mudança na acentuação que nos indica a Amoris Laetitia e ser, ele próprio, um caso preclaro, tendo, desde o princípio, usado de todas as suas forças, de acordo com a lei dos contrastes, para cultivar, em todo o sentido, uma piedade de atitudes, de atitudes por convicções. Por certo, devo acrescentar que, o disse uns 50 anos antes do Concílio”. A Igreja procura caminhos para concretizar a Amoris Laetitia. Schoenstatt tem para esse fim, caminhos e respostas.

A nossa tarefa

Na sua “Pedagogia Mariana” de 1933, o Pe. Kentenich expôs uma aplicação concreta das suas, pedagogia e pastoral. Estas têm o seu ponto de partida no ideal matrimonial católico e, ele desenvolve, pormenorizadamente, as ferramentas da pedagogia do Movimento necessárias para isso. A meta da pedagogia matrimonial mariana define-se dum modo amplo e preciso: “O sentido e a finalidade da pedagogia matrimonial mariana, é criar a capacidade e a disposição, de se viver como filhos de Deus e membros de Cristo, de modo profundo e permanente, o ideal matrimonial católico, inspirado na Imagem de Maria, em virtude duma vinculação mariana de máxima intimidade e, poder realizá-lo, vitoriosamente, na vida prática, apresar das dificuldades que se oponham”.

O caminho para conseguir esta meta, descreve-o da seguinte forma: “As duas leis fundamentais da pedagogia matrimonial são: Primeira lei: preocupar-se com uma conservação pura clássica do ideal matrimonial. Ou, dito com outras palavras: Preocupar-se em ter em alta estima o ideal matrimonial católico na sua clássica pureza. Segunda lei: Preocupar-se em que este ideal matrimonial também se encarne na vida prática”.

Estas, pedagogia e pastoral mariana, são o que, hoje se requer. Corresponde à vocação de Schoenstatt, como oficial da ligação entre a ciência e a vida. A nossa tarefa consiste em as redescobrir, aplicá-las com sucesso e mostrá-las à Igreja como caminho para realizar a Amoris Laetitia e a Imagem futura da Igreja.

Original: alemão. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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