Colocado em 14. Agosto 2015 In Igreja - Francisco - movimentos, Projetos

A Pastoral penitenciária no encontro com o Papa Francisco

PARAGUAI, P. Pedro Kühlcke •

No caminho para a Costaneira de Asunción, lhe dizia a Orlando: “Não fique nervoso, afinal somente tem que proclamar o Evangelho diante do Papa e do mundo inteiro…” Talvez não fosse a frase mais indicada para acalmar os nervos de um jovem de 17 anos a ponto de viver uma das experiências mais fortes de sua vida, mas rimos por bons momentos.

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Na primeira fila

Na Pastoral penitenciária não nos ocorreu que ia ser possível levar a adolescentes privados da liberdade ao encontro dos jovens com o Papa Francisco. Mas quando nos chegou um convite da Comissão central da visita papal, e as autoridades do Ministério de Justiça deram luz verde, começamos a nos mover com muita ilusão. Já tínhamos a experiência de levar os jovens do setor semi-aberto todos os meses a Tupãrenda para a Missa de jovens, mas isto era outra coisa! Ademais, quinze dias antes do grande dia, me pediram que um de nossos jovens proclamasse o Evangelho diante do Papa. Isso sim que não ia ser fácil: alguns apenas sabem ler e escrever, outros são bastante tímidos – mas um deles, Orlando, se ofereceu. Praticou muito, quase já sabia de memória as Bem- aventuranças; e na quinta-feira prévia o diretor o levou para a pratica no lugar mesmo.

Entre considerações de segurança, autorizações dos juízes, e muitos et cetera, finalmente logramos que quatro jovens pudessem participar do encontro com o Papa. Haviam-nos reservado um lugar especial, bem na frente: entre os deficientes e os bispos, na primeira fila! Encheu-me de orgulho encontrar tantos schoenstatteanos entre os servidores e organizadores. Um deles, Marti Ybáñez, candidata as Irmãs de Maria, voltei a praticar com Orlando por qual rampa teria que subir, como teria que mover-se no palco, e tudo mais. Mas meia hora antes da chegada do Papa, veio outra servidora dizer que Orlando teria que estar já atrás do palco, coisa que não estava prevista. Assim que o acompanhei até essa zona, especialmente vigiada. Fiquei muito contente ao perceber que queriam que Orlando estivesse no caminho por onde o Papa ia subir ao palco, para poder saudá-lo. Mas um guarda suíço disse muito energicamente que isso não era possível, de nenhuma maneira. Ocorreu-me perguntar se falava alemão, mas ele falava somente italiano. Chamou a outro, que estava vigiando a escada posterior de acesso ao palco. A este lhe expliquei em alemão que Orlando tinha que proclamar o Evangelho no encontro, e em seguida disse: “Ah, então vocês têm que estar no palco, agora!” Fez-nos subir, deu as explicações do caso a Mons. Marini, o mestre de cerimônias do Papa, e logo estávamos Orlando e eu sentados em duas cadeiras na primeira fila sobre o palco – não sei quem teria que haver estado aí… Mas logo tivemos que levantar outra vez, para ir ao outro lado do palco. Pensei que era para praticar algo mais, mas não: já estava entrando o Santo Padre, e pudemos saudá-lo pessoalmente!

Era muito emocionante

Numa entrevista posterior para o jornal Última Hora, Orlando conta: “Antes de iniciar o encontro conversei com o Papa. Perguntou meu nome e emocionado não pude falar, não me saíam as palavras, era demasiado emocionante, depois de muito esforço lhe contei e também que iria ler. ‘Você se anima a fazê-lo?’, disse-me. ‘E sim!’, respondi. O Papa me respondeu: ‘É um valente!’”.

Eu tive a oportunidade de lhe pedir uma benção especial para todos os adolescentes privados de liberdade. Escutou atentamente, olhou de novo para Orlando, e com um sorriso bondoso deu a benção.

Depois de dois testemunhos muito emotivos, foi a vez de Orlando proclamar as Bem-aventuranças. Que bem que leu! Senti-me muito orgulhoso dele, e agradecido a Deus. Orlando mesmo conta: “Ao término da leitura me aproximei para abraçá-lo porque ele me chamou. Senti que voava nas nuvens, senti uma paz e que tudo o que pedi iria cumpri-se. Posso dizer que o abraço do Papa vale ouro. Cada vez que falava me pedia que não me esquecesse de rezar por ele, insisti que ore por minha liberdade e por toda minha família. Depois me pediu permissão para mencionar em público o que lhe havia dito, mas que ia referir-se sobre a liberdade em geral. Transformou numa reflexão meu pedido e cada vez que mencionava meu nome eu sentia emoção e sentia que voava”.

E assim, o Papa Francisco deixou de lado o discurso que tinha preparado, para começar a falar de Orlando e seu pedido de liberdade: Após a leitura do Evangelho, o Orlando aproximou-se a cumprimentar-me e disse: «Peço ao senhor que reze pela liberdade de cada um de nós, de todos». É a bênção que o Orlando pediu para cada um de nós. É a bênção que agora pedimos todos juntos: a liberdade. Porque a liberdade é um dom que Deus nos dá; mas temos de saber recebê-lo, é preciso saber ter um coração livre, porque sabemos todos que no mundo há tantas amarras que atam o coração e não deixam que o coração seja livre. A exploração, a falta de meios para sobreviver, a tóxico dependência, a tristeza, todas essas coisas nos tiram a liberdade. Assim que, todos juntos, agradeçamos ao Orlando que pediu essa bênção, para ter o coração livre, um coração que possa falar o que pensa, que possa falar o que sente e possa fazer o que pensa e o que sente. Este é um coração livre! E é isso que vamos pedir todos juntos: a bênção que Orlando pediu para todos.

Repitam comigo: “Senhor Jesus, dai-me um coração livre. Que não seja escravo de todas as armadilhas do mundo. Que não seja escravo do conforto, do engano. Que não seja escravo da boa vida. Que não seja escravo dos vícios, que não seja escravo de uma falsa liberdade, que é fazer aquilo que eu gosto a cada momento.

Obrigado, Orlando, por fazer-nos perceber que temos que pedir um coração livre. Peçam-no todos os dias!”

O que significou para Orlando esse dia? “A leitura, o abraço e o rosário (que lhe presenteou o Papa) são meu maior presente. Tocou profundamente o coração. Meu compromisso é ajudar meus companheiros a crer em Deus, que lhe dediquem seu tempo. Demonstrar que ele ajuda e transforma nossas vidas. Quando saia daqui, vou levar a palavra de Deus primeiro para minha família. Depois ajudar a que os jovens pensem duas vezes para fazer as coisas, que um erro pode custar muito caro”.

Um precedente valioso do que podemos fazer para ajudar a reinserção social efetiva dos jovens

IMG-20150713-WA0032Para nossa Pastoral penitenciária “Visitação de Maria” foi um dia de graças muito especiais, e um precedente valioso do que podemos fazer para ajudar a reinserção social efetiva dos jovens que por diversas circunstâncias, muitas vezes muito trágicas, entraram em conflito com a lei. Motiva-nos muito um parágrafo do discurso do Papa Francisco: “Liberdade de coração. Lembram-se? Liberdade de coração; aquilo que o Orlando nos falava. Serviço, solidariedade; aquilo que a Liz nos falava. Esperança, trabalho, lutar pela vida. Seguir em frente; aquilo que o Manuel nos falava. Como vocês podem ver, a vida não é fácil para muitos jovens e quero que vocês entendam isto, quero que metam na cabeça: «Se a vida é relativamente fácil para mim, há outros rapazes e moças para quem não lhes é relativamente fácil». Além disso, o desespero os empurra para a delinquência, empurra-os para o delito, empurra-os para colaborar com a corrupção. A esses jovens, essas moças, temos que dizer-lhes que estamos perto deles, que queremos dar-lhes uma mão, que queremos ajudá-los, com solidariedade, com amor, com esperança”.

 

 

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Original: Espanhol – Tradução: Lena Ortiz – Ciudad del Este, Paraguai

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