Colocado em 26. Junho 2015 In Francisco - iniciativos e gestos, Igreja - Francisco - movimentos

Não estamos habituados a que o Papa chegue e nos diga “pergunta-me o que quiseres”

por AICA •

O Papa Francisco, desde há algumas semanas, tem vindo a visitar os diversos Dicastérios da Cúria Romana, entrando em contacto, directo, com todas as pessoas que trabalham, em cada um deles. Na quinta-feira, 18 de Junho, foi a vez, entre outros, do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais (PCCS) cujo presidente é Mons. Claudio Maria Celli e que tem os seus escritórios na Via della Conciliazione, 5. O Pe. Ariel Beramendi, encarregado para a América Latina, do PCCS enviou as suas impressões sobre a visita de Francisco, realizada num clima de cordial informalidade.

“As minhas desculpas por chegar atrasado”, disse o Pontífice ao chegar – depois de, antes, ter visitado outros cinco Dicastérios o que lhe valeu um pequeno atraso. Acompanhado, apenas, por um polícia, sem nenhum aparato policial, fotógrafos ou camaramen.

O Santo Padre foi recebido por Mons. Celli que deu a palavra a cada uma das pessoas que desempenham tarefas no Dicastério para que se apresentassem e explicassem, brevemente, ao Papa o trabalho que realizam.

“Assim – conta o Pe. Beramendi – as vinte pessoas que trabalham nestes escritórios ficaram “cara a cara” com o Papa dizendo-lhe quem eram e o que faziam, sem ocultar o nervosismo, espelhado na voz de alguns deles”.

“Perguntem-me o que quiserem”, disse-lhes Francisco e, “de repente, fez-se um silêncio de não saber o que dizer, a verdade é que não estamos habituados a que o Papa chegue e nos diga “pergunta-me o que quiseres”, comentou o sacerdote boliviano Beramendi, que assinalou que “uma vez quebrado o gelo com meia dúzia de perguntas, o Papa Francisco foi-nos contando sobre a experiência que tem da rede social Twitter e que as suas mensagens chegam a muita gente. Falou-nos, também, sobre a percepção que tem da Comunicação e da transmissão do Evangelho, realçando que a base de todo o conselho, encontrá-la-emos na Exortação Apostólica que escreveu: Evangelii Gaudium ; ainda que, esclareceu, o ensino que, ainda, não se superou é a Exortação Apostólica escrita por Paulo VI : Evangelii Nuntiandi, sobre o anúncio do Evangelho.

Não é um Encíclica verde, é social

“De seguida o Pontífice referiu-se à sua recente Encíclica, Laudato, Sí”, apresentada nesse mesmo dia e, esclareceu “que não se trata de uma Encíclica verde, mas de uma Encíclica Social”, e explicou que o tema central desta Carta é “o repensar e expressar de novas formas da Doutrina Social da Igreja” e, que reflete sobre a ecologia, isto é, sobre a Criação de Deus.

“Quis expressar-nos – continua o Pe. Beramendi – a sua preocupação sobre a destruição da criação devido à vontade do ser humano em fazer progredir o mundo e alcançar o bem-estar, chegou-se a um ponto em que se começou a destruir o próprio mundo. Deste modo, uma cultura – explicou-nos o Papa – pode converter-se numa contracultura e foi, por esta razão, que quis escrever esta Encíclica para reformular a Doutrina Social da Igreja, “não toda mas, ao menos, uma parte”, elucidou-nos o Papa.

Benção para a Bolívia

No fim do encontro, que durou à volta de 40 minutos, o Pe. Ariel teve oportunidade de trocar com o Pontífice uma saudação mais pessoal: “ Entreguei-lhe o livro “Colóquios com o Cardeal Terrazas”, visto que, em breve visitará a Bolívia. Disse-me Francisco: “Eia!, envia uma saudação a Terrazas que, muito em breve, vou vê-lo”. Ainda, abençoou, a pedido do Pe. Beramendi, uma imagem da milagrosa Virgem Maria de Urcupiña, Padroeira da Arquidiocese de Cochabamba e, segundo diz o sacerdote “acompanha-me desde o primeiro dia que vim para Roma”.

“Conheço muito bem esta imagem, disse-lhe Francisco, em Buenos Aires, os bolivianos festejam-n’A muito”.

Fonte: AICA

Original: espanhol. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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