Colocado em 24. Abril 2015 In Francisco - Mensagem, Igreja - Francisco - movimentos

Francisco na América

Por Jorge José Armas, Geração Francisco – para schoenstatt.org •

A presença na VII Cimeira das Américas do Secretário de Estado da Santa Sé, Pietro Parolin, foi altamente significativa na política hemisférica dos últimos tempos.

No só esteve presente mas foi o primeiro a tomar a palavra para ler a mensagem do Papa Francisco aos Presidentes do Continente, depois dos discursos inaugurais.

Francisco na sua mensagem, fez um forte apelo “a gerar uma nova ordem de paz e de justiça e a promover a solidariedade e a colaboração respeitando a justa autonomia de cada nação”.

De igual forma, mostrou-se contra o modelo neoliberal sustentado por fortes fatores de poder que pretendem retomar o governo tanto nos EUA como em vários países da América Latina:

“Não podemos negar que muitos países experimentaram um forte desenvolvimento económico nos últimos anos, mas não é menos certo que outros continuam imersos na pobreza. Além disso, nas economias emergentes, grande parte da população não beneficiou do progresso económico geral e frequentemente abriu-se uma brecha maior entre ricos e pobres. A teoria do “gota-a-gota” ou “derrame” revelou-se uma falácia: não é suficiente esperar que os pobres recolham as migalhas que caem da mesa dos ricos. São necessárias ações diretas em prol dos mais desfavorecidos, cuja atenção, como aos mais pequenos no seio de uma família, deveria ser prioritária para os governantes. A Igreja sempre defendeu a “promoção das pessoas concretas”, atendendo às suas necessidades e oferecendo-lhes possibilidades de desenvolvimento”.

Mas, sem dúvida, o elemento altamente significativo da Cimeira foi que Francisco se sentou objetivamente com “direito próprio” na mesa que representa os poderes institucionais da América.

A voz oficial da Igreja Católica e sua doutrina pretendem tomar parte ativa do futuro da realidade hemisférica.

Há muitos séculos que isto não acontecia.

Se bem que Castro e Obama agradeceram ao Papa Francisco a sua intervenção pessoal no início de um novo tempo entre EUA e Cuba o trajeto da Igreja em reconstruir a sua presença no continente tem um longo caminho que se inicia nos tempos do Concilio continuando solidamente na Exortação Apostólica “A Igreja na América”, de São João Paulo II, um documento que formava parte do que, na altura, se conhecia como a “geopolítica da fé”.

A designação do Pontífice americano não fez outra coisa coisa do que acelerar os tempos desta presença.

A Igreja Católica está a emergir aceleradamente como um fator central nesta “mudança epocal” em todo o mundo mas, de forma especial, na América.

A visita de Francisco aos EUA, no próximo mês de setembro, será, sem dúvida, uma boa oportunidade para continuar a pregar a já chamada “geopolítica da misericórdia”.

O Capitólio, as Nações Unidas e a Casa Branca são âmbitos ponderados onde apresentar a plena preocupação da Igreja Católica pela imensa quantidade de pobres que semeou “esta civilização…”, os seus estragos entre a infância do planeta, a falta de projetos viáveis para os jovens, o incremento do flagelo da droga e a corrupção, a produção de enorme quantidade de “direitos sociais”, o combate contra as particularidades culturais dos povos e o aumento das mais diversas periferias existenciais produtos de um pretendido mercado globalizado que augurava criar uma Nova Ordem Mundial.

Original: Espanhol – Tradução: Maria de Lurdes Dias Lisboa, Portugal

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