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Posted On 2022-11-01 In Artigos de Opinião

Quão velho se sente um Movimento de Renovação com 110 anos?

Pe. Elmar Busse para o 27 de Outubro de 2022 •

Em Outubro deste ano, o Ramo dos Homens de Schoenstatt recorda os seus 110 anos de história. Embora o Fundador tenha visto na sua palestra de 18 de Outubro de 1914 a hora do nascimento do Movimento de Schoenstatt, a Juventude Masculina de Schoenstatt viu o seu início na conferência inaugural do novo Director Espiritual aos estudantes da casa de estudos no dia 27 de Outubro de 1912. E não foi em vão que o Padre Kentenich deu a esta “Declaração de Governo” o título de “Documento de Pré-Fundação”. —

O Fundador voltou repetidamente ao facto de que uma característica essencial do trabalho de grupo de Schoenstatt dever ser a troca de experiências, ou seja, a “linguagem do coração”, e não tanto a troca de opiniões. Em que medida é que os impulsos de renovação do Padre Kentenich moldaram o estilo da Pastoral da Igreja na Alemanha? Quão jovem ou quão velho se sente um Movimento que afirma ser um Movimento de renovação e não de preservação?

Para responder a esta pergunta, podemos recorrer a uma abordagem desenvolvida por Martin F. Saarinen:

O modelo Saarinen

O que distingue as empresas que têm sucesso durante longos períodos de tempo daquelas que desaparecem do mercado ou que perdem importância? As primeiras, quando atingem o auge do seu desenvolvimento, atrevem-se a dar um “salto” no qual abraçam um novo quadro de desenvolvimento. Reinventam-se a tempo, mas ao fazê-lo, baseiam-se em experiências anteriores. Na ciência das organizações, existem vários modelos que descrevem o desenvolvimento, maturidade, ritmo e possibilidades de desenvolvimento das organizações.

Nos anos 80, o investigador de organizações finlandês-americano Martin F. Saarinen apresentou um conceito no qual relacionava o processo de desenvolvimento organizacional de Comunidades ou Movimentos religiosos com o ciclo de vida evolutivo-biológico (Saarinen, 1986): O ciclo de vida de uma congregação. Saarinen era um religioso cristão e observou o ciclo de vida na sua própria organização. Há comunidades cristãs que desapareceram com o tempo, mas também comunidades que conseguiram transformar-se mesmo após grandes crises, como uma fênix que se ergue das cinzas.

Exemplos históricos

  • Os Cistercienses são uma ordem beneditina reformada que, após a sua fundação (1075 por Roberto de Molesme – Estatutos definitivos aprovados pelo Papa em 23/12/1119), desenvolveu um dinamismo fabuloso e fundou muitos mosteiros. No final do período de expansão, por volta de 1300, a Ordem estava presente em todos os principais países da Europa, com um total de 742 filiais.
  • Teresa de Ávila reformou a Ordem das Carmelitas. Fundou 17 mosteiros de reforma (+4/10/1582).
  • João da Cruz reformou a Ordem dos Carmelitas (+14/12/1591).
  • A Ordem Franciscana de 800 anos de idade experimentou uma “visão alimentada” pelo movimento ecologista; Francisco tornou-se o “Santo Padroeiro” dos Verdes.

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No início, há o visionário que depois reúne à sua volta uma comunidade com a qual desenvolve um programa e finalmente confia numa administração à medida que a comunidade cresce e o programa é realizado. 

Na economia encontram-se visionários bem conhecidos:

  • Steve Jobs (+5/10/2011), o fundador de Apple
  • Elon Musk (*1971), o empresário nascido na África do Sul que está a montar a sua fábrica de automóveis eléctricos em Brandenburg, disse uma vez: “A nossa existência não pode consistir apenas em resolver um miserável problema atrás do outro. Deve haver razões para viver

Dr. Martin Luther King – um visionário típico 

I Have a Dream” (Tenho um sonho) é o título de um famoso discurso proferido por Martin Luther King em 28 de Agosto de 1963 na Marcha pelo Emprego e a Liberdade em Washington, perante mais de 250.000 pessoas no Lincoln Memorial em Washington, D.C.

O discurso resumiu as exigências mais importantes do movimento de direitos civis da época, relacionadas com a igualdade social, económica, política e jurídica dos afro-americanos, sob a forma de uma visão para o futuro dos Estados Unidos. Manifestou a esperança de King de que no futuro haja congruência entre a Constituição dos EUA, especialmente o seu princípio de igualdade, e a realidade social, em grande parte caracterizada pela segregação e pelo racismo. A frase espontaneamente improvisada e repetida como um estribilho I have a dream da passagem final do discurso tornou-se o título do discurso. Este tornou-se um dos discursos mais citados de King, representando a sua visão do sonho americano de uma forma exemplar.

Cepticismo em relação às visões

“Aqueles que têm visões devem consultar um médico”, Helmut Schmidt disse uma vez sobre as visões de Willy Brandt na campanha eleitoral federal de 1980.

O que é uma visão?

A palavra “visão” tem vários significados:

No Antigo Testamento, podemos ler:

“Onde não há visão, o povo extravia-se; bem-aventurados os que são obedientes à lei” (Provérbios 29,18).

Na Bíblia, a visão significa uma revelação de Deus ou dos seus planos para o futuro. Os sonhos de José, as visões dos profetas Ezequiel, Isaías, Daniel, o Apocalipse de João estão cheios de visões.

Na linguagem corrente, a palavra “visão” é utilizada quando se descreve um sonho futuro que neste momento parece muito irrealista: por exemplo, o túnel que atravessa o Canal da Mancha. Já no tempo de Napoleão, as pessoas sonhavam com um túnel sob o Canal da Mancha. Contudo, só em 1994 é que o túnel de 50 quilómetros de comprimento foi aberto. O sonho custou 12,5 mil milhões de euros para ser realizado.

Martin Saarinen utiliza a palavra «visão» neste sentido más geral.

Qual é a visão no início de Schoenstatt?

Em 1951, o Padre Kentenich, na Suíça,escreveu um texto ao Cardeal Bea, que trabalhava então no Santo Ofício. Chamou-lhe “Chaves para compreender Schoenstatt”. Kentenich não falava nessa altura de uma “visão” mas de uma “ideia directriz”.

Visão de Schoenstatt
A IDEIA DIRECTRIZ implica:
(1.) um selo intemporal e
(2.) um selo temporal.

Lê-se: 

1. O Homem Novo na Nova Comunidade com um toque apostólico universal.

Este tipo de ideal é tanto eternamente antigo como eternamente novo. Eternamente velho porque todos os séculos lutaram por ele; eternamente novo, porque a natureza, marcada pelo pecado original, faz sempre concessões e quer descansar na saciedade burguesa e contentar-se com uma mediocridade niveladora.

O “Homem Novo” aqui referido é o Homem espiritual e idealista, muito afastado de toda a escravatura às formas prescritas.

A “Nova Comunidade” liberta-se – sem ser indeterminada – de todo o formalismo sem alma, da mera coexistência mecânica externa; esforça-se por uma profunda vinculação de alma: por uma vinculação espiritual de responsabilidade uns pelos outros, ancorada em Deus, que é sempre eficaz, que empurra o indivíduo e a comunidade para o caminho do apostolado universal e lhes permite que sejam fecundos.

em “Chaves para compreender Schoenstatt”.

O Padre Kentenich escreve noutra parte que esta ideia do Homem Novo era para ele uma “ideia inata”. Ele não se lembrava de quando isto foi acrescentado à sua biografia.

Escreveu: “Uma delas é a completa solidão interior e a consequente falta de contacto vinculada a este mundo e ao seu significado. Sem dúvida que há muitas pessoas cujos anos de desenvolvimento são marcados de forma semelhante. Contudo, creio que após um exame adequado, posso dizer que o grau, extensão e duração, medidos por comparações acessíveis, assumiram proporções extraordinárias. Subsequentemente, o significado disto deve ser fácil de compreender. A alma deve permanecer o mais intocada possível às influências externas, especialmente de natureza pessoal, a fim de permanecer aberta com cada fibra para o verdadeiro mestre da minha vida e para o seu poder formativo e sabedoria educativa. Aqui refiro-me à Santíssima Virgem”.

A viragem copernicana na história da espiritualidade de Schoenstatt já foi delineada na “Santidade da Vida Diária” de 1937. A definição da santidade da vida diária é: “é a harmonia piedosa entre a vinculação amorosa a Deus, ao trabalho e às pessoas em todos os aspectos da vida“. [A. Nailis, Santidade da vida diária, Vallendar-Schönstatt 1974].

O que era novo era o enfoque na vinculação em vez do desprendimento.

O caminho clássico para a santidade era através do desprendimento: isto ainda hoje é cantado no cancioneiro dos países de língua alemã: sigam-me, diz Cristo, o nosso herói, sigam-me, todos os cristãos! Negai-vos, abandonai o mundo, segui a minha chamada… A canção foi escrita por Angelus Silesius em 1668. 

Reformulação da Visão de Schoenstatt 2010

No Pentecostes de 2010, os participantes do 3º Congresso Europeu da Família reformularam a visão de Schoenstatt para o futuro, lê-se no documento:

Segundo o Padre José Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt, o cultivo de uma variedade de vínculos estáveis é uma competência fundamental para o sucesso da existência humana:

  • Apesar da alegria da mobilidade – vincula-te aos lugares!
  • Apesar da alegria da individualidade – vincula-te às pessoas!
  • Apesar da alegria da tolerância – vincula-te a valores!
  • Apesar da alegria de moldar o mundo – vincula-te a Deus!

Vinculados a Ti no amor” – o nosso lema do congresso resume a forma como queremos construir a casa comum da Europa.

Reformulação da Visão de Schoenstatt 2014

No âmbito do Jubileu do 100º aniversário, a visão foi reformulada num círculo do Movimento de Schoenstatt alemão:

  1. escolhemos o caminho da santidade.
  2. vivemos vinculações autênticas e fortes.
  3. tomámos uma decisão missionária – Schoenstatt está em movimento.

A visão de Schoenstatt como resposta a uma necessidade dos tempos

A jornalista e política católica Diana Kinnert escreveu um livro espesso (447 páginas!) sobre a nova solidão. Não se trata de viúvos reformados que vivem sozinhos, mas sim da geração actual de 20-35 anos de idade.

Em 2016, os jovens de 20-50 anos foram rotulados como a “geração incapaz de se relacionar”: o blogueiro Michael Nast foi elogiado por este diagnóstico e escreveu livros sobre o assunto.

Já em 2013, o problema do “medo às vinculações” fez a capa da conhecida revista alemã “STERN”.

Desde há vários anos, os livros da terapeuta de casais Stefanie Stahl estão na lista dos mais vendidos na Alemanha.

Neste contexto, esta necessidade dos tempos assume um novo brilho com a visão do futuro do Homem Novo que é definido pela sua capacidade de relacionamento.

Podemos compreender Schoenstatt como uma escola e um campo de treino para a capacidade de relacionamento.

Desde 2014, a palavra-chave para tal tem sido:
Ajudamos a construir uma cultura de Aliança.

Voltemos à curva do ciclo de vida de Saarinen

No início está a visão de Kentenich sobre o futuro do Homem Novo, que ele define como espiritualmente animado e idealmente vinculado, longe da escravatura da forma e da falta de forma. Em 1912, tornou-se Director Espiritual do Seminário Menor dos Palotinos. Na sua “declaração de governo” esta visão do futuro já ressoa, tal como partes do programa. Ele diz aos rapazes:

“Já não deverá acontecer dominarmos diversas línguas estrangeiras, segundo o objectivo do programa escolar, mas sermos os mais perfeitos ignorantes em relação ao conhecimento e à compreensão da linguagem do nosso coração. Quanto mais profundamente penetrarmos nas tendências e no desenvolvimento da natureza, tanto mais racional e adequadamente temos que saber enfrentar as forças instintivas e diabólicas no nosso interior.

O grau do nosso progresso no domínio das ciências tem que ser o grau do nosso aprofundamento interior, do crescimento da nossa alma. Temos que aprender a auto-educar-nos. Temos que nos educar a nós próprios; a nós próprios com todas as nossas capacidades . Portanto, autoeducação! para chegarmos a ser uma personalidade livre, para chegarmos a ser «caracteres firmes, livres, sacerdotais».”. – Essa era a formulação juvenil na altura para o Homem Novo da Nova Comunidade. Portanto, não se trata de discutir algo, mas de aprender a comunicar-se. Este é um estilo de comunicação muito especial.

Trata-se da partilha de experiências, não da troca de opiniões. Esta é a aquisição de uma qualificação chave no contexto do nosso trabalho com a Juventude de Schoenstatt. E também nos Ramos adultos de Schoenstatt trata-se deste estilo de comunicação: a “linguagem do coração”. E aqueles que aprenderam isto podem utilizá-lo mais tarde na sua carreira e na sua escolha de casal.

Lembro-me vividamente de um intercâmbio num Dia de Casais em que os casais contaram como se conheceram e porque se escolheram um ao outro. Uma mulher disse sobre o seu marido: “Foi o primeiro rapaz que não quis dormir comigo imediatamente, mas quis falar comigo primeiro”.

O contrário foi lamentado por uma peregrina na Igreja dos Peregrinos: “O meu marido foi um camionista de longa distância durante 30 anos. Agora está reformado, senta-se em casa, mas não é capaz de abrir a boca. Isto é pior do que quando ele estava ausente antes.

Outro exemplo: quando o Furacão Lothar atingiu a Floresta Negra a 26 de Dezembro de 1999, abateu milhares de árvores. Toda a administração florestal de Baden-Württemberg foi enviada para as florestas para operações de emergência, incluindo um licenciado da escola florestal. No final das manobras, o chefe de operações elogiou o licenciado e disse: “Nunca vi um licenciado dirigir-se aos trabalhadores florestais que lhe foram atribuídos de forma tão cuidadosa, prática e responsável. Alguma coisa deve ter mudado na universidade. – O licenciado aceitou os elogios com um sorriso e pensou para si próprio: “Não aprendi isso durante os meus estudos, mas ajudaram-me muito os muitos anos de experiência como chefe de um acampamento.

Pastoral de eventos e projectos

Não é apenas em retrospectiva que se pode apreciar o valor do compromisso com a Juventude Masculina de Schoenstatt. Vejamos os anteriores festivais da Juventude na Alemanha nos diferentes centros de Schoenstatt e na Noite do Santuário, que após o Dia Mundial da Juventude em Colónia em 2005 faz parte do programa anual fixo da Juventude de Schoenstatt e que se tornou um sucesso certo. Trata-se claramente de uma experiência pastoral, de um acontecimento. E uma vez que cerca de um terço dos participantes estão envolvidos de alguma forma na preparação e implementação, o formato é também uma pastoral de projectos: “Desenvolvemos e conseguimos isto! Só a pastoral de eventos poderia formar consumidores exigentes. É a mistura da pastoral de projectos e da pastoral de eventos que é transmitida aos participantes: isto também pode ser Igreja.

Quando participei pela primeira vez na Festa das Famílias em Graz (Áustria), no Verão de 1992, apareceu também uma mulher do Conselho Leigo Diocesano. Ela não queria apenas informações em segunda mão sobre Schoenstatt, mas também conhecer Schoenstatt. No final do dia, voltámos a falar. Ela tinha perguntado a muitos casais o que tinham feito e por que razão participavam em Schoenstatt. A resposta mais comum que obteve foi: “Sim, em Schoenstatt deixam-nos fazer coisas. Schoenstatt atrai pessoas que estão felizes por serem donos de projectos e não apenas executores das ideias e decisões de outras pessoas.

Encorajar a iniciativa própria

Isto também se enquadra no estilo em que o Padre Kentenich educou a primeira geração. José Engling, um schoenstatteano da primeira hora, foi recrutado como soldado na Primeira Guerra Mundial. Chegou ao seu quartel e escreveu alegremente ao Padre Kentenich que tinha conseguido que o pároco desse palestras aos soldados católicos no quartel. A resposta do Pe. Kentenich deve ter-lhe parecido um balde de água fria. De facto, em 2/3/1917 escreveu:

“Talvez já tenhas percebido até que ponto as nossas instalações congregacionais estão em sintonia com a natureza humana. Qualquer divergência significativa pode ser amargamente vingada. É certamente louvável que o pároco vos dê palestras especiais. Mas, isto não irá estimular a vossa actividade. Trata-se de uma desvantagem muito, muito grande e, sem dúvida, também uma razão para não se aproximarem uns dos outros. O pároco conseguirá assim exactamente o oposto do que pretende. Ele destrói mais do que ajuda. -A afinal, a sua tarefa deve ser, com sabedoria e tacto, remover as influências obstrutivas que reconheceste, ou torná-las o mais ineficazes possível. Aprendeste isto como Prefeito. No entanto, o que não pode ser alterado deve ser suportado com paciência”. Também aqui se torna clara a medida em que o Padre Kentenich estava preocupado em promover a independência.

Uma frase comum durante as décadas de 1920 e 1930: “Onde eu estou, Schoenstatt deve crescer. “Eu sou Schoenstatt. – A mentalidade expressa neste lema seria descrita hoje como “autocapacitação”.

Exemplo: Programa da Juventude Masculina de Schoenstatt

O programa da Juventude Masculina de Schoenstatt alemã foi formulado na passagem de ano 1999/Véspera de Ano Novo 2000 nos “cinco pilares”:

  • Comunidade
  • Escola da vida
  • Aliança de Amor
  • Ser do Homem
  • Ser do apóstolo

Em Outubro de 2012, foram revelados os pilares de basalto junto ao Santuário Tabor em Schoenstatt, no qual estes conceitos centrais foram gravados.

A administração do Movimento de Schoenstatt

A administração da organização do Movimento de Schoenstatt é (idealmente) mínima. Não existem (quase) baluartes de escritórios como os que cresceram nas cidades episcopais da Alemanha. São principalmente computadores portáteis, impressoras e telefones inteligentes dos Chefes diocesanos e de Grupo e dos Padres e Irmãs. Se compararmos isso com os bastiões da visão episcopal, então podemos realmente dizer: “pequeno é bonito”.

A estrutura federativa de Schoenstatt permite também que prevaleça em geral um estilo de apostolado que tem sido negativamente popularizado pelas actividades da rede terrorista Al Qaeda. Sociologicamente está estruturado da mesma forma: estamos unidos por uma espiritualidade comum, mas há muitos grupos que actuam independentemente.

Contudo, há sempre a tentação para os Chefes diocesanos (e outros) de mudar isto nos seus respectivos Ramos (ou áreas) e de estabelecer estruturas hierárquicas e cadeias de comando.

Schoenstatt – não é uma ordem terceira

Mesmo os membros dos Institutos e Uniões que trabalham a tempo inteiro no Movimento, ou seja, os chamados “trabalhadores nas centrais”, não são automaticamente reis sem coroas em termos de estrutura e estatutos. Este era o modelo clássico da ordem terceira.

Em Schoenstatt, por outro lado, os líderes leigos têm a última palavra a dizer. Por exemplo, se um Padre numa Diocese parece ser aborrecido ou demasiado polarizador, os chefes leigos têm o direito de o mandar para casa.

Neste contexto, posso recomendar vivamente a leitura do livro “O Segredo de Vida de Schoenstatt, Volume 1: Espírito e Forma”. Nele o Pe. Kentenich escreve em 1952: “É muito mais fácil iniciar uma máquina organizacional e mantê-la em termos de artesanato [= o que Saarinen chama “administração”] do que promover o espírito e a vida. Isto implica um domínio especial que deve ser dado como um carisma por Deus e ou adquirido através da oração, do estudo diligente e de anos de experiência”. “O que deu a Schoenstatt a sua existência, o que o tornou fecundo e o fez chegar com grande dinamismo aos círculos mais amplos, foi a corrente transbordante de espírito e vida, e não o apelo à lei e à forma, à organização e ao destino”.

Saarinen escreve: À medida que se avança em idade, pode ser que a visão desapareça cada vez mais e, no final, só resta a administração. Um repensar da visão ou com uma nova visão, um rejuvenescimento da comunidade pode ocorrer.

Prático: se as coisas se tornam difíceis num acampamento, então como chefe de grupo ou de acampamento pode cair na armadilha da autopiedade e perguntar a si próprio: “Porque é que estou a tornar a vida tão difícil para mim mesmo, ficando zangado com os filhos de estranhos? O meu colega de escola está actualmente com amigos na costa mediterrânica turca, num hotel com tudo incluído, a divertir-se na piscina”. – Ou quando, sob pressão de tempo, se tem de perseguir os certificados de boa conduta da polícia emitidos aos futuros chefes de grupo, porque os jovens os perderam. Mas este processo faz parte do conceito de protecção institucional contra abusos. Ou quando o artigo prometido não foi entregue dentro do prazo editorial e todo o calendário ficou desordenado.

Há muita areia nas engrenagens e é preciso uma dose de teimosia sagrada para continuar, afinal de contas. Mas as competências sociais e de comunicação adquiridas ao longo dos anos nessa formação só podem muitas vezes ser apreciadas anos mais tarde, por exemplo, quando se fala com colegas de escola que nunca se voluntariaram e que têm uma vida muito abaixo do seu potencial.

O Homem Novo na Nova Comunidade é uma visão fascinante e necessária para os dias de hoje. Vale a pena dar a vida pelos outros durante alguns minutos, horas ou dias em busca deste objectivo. Ganha-se vida, ou seja, o sentido da vida.

Mesmo que o Movimento de Homens de Schoenstatt tenha 110 anos e alguns interpretem as vogais do alfabeto alemão com um toque de autoironia como A-E-I-O-U (Alte Esel jubilieren ohne Unterlass), os burros velhos celebram jubileus sem fim, um novo processo de rejuvenescimento pode sempre ter lugar recordando ou reformulando a visão de uma “Igreja nas Novas Praias”.

Atreves-te a dar o teu sim e experimentas o significado. Repetes o teu sim e tudo faz sentido. Quando tudo tem significado, como se pode viver de outra forma que não seja um sim?
Dag Hammarskjöld

Original: alemão (27/10/2022). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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