una nueva alianza

Colocado em 2021-07-04 In Artigos de Opinião

Uma nova Aliança

Mons. Francisco Pistilli, Bispo de Encarnación •

Os testemunhos da Sagrada Escritura que são proclamados no dia do Corpo de Deus (Êxodo 24, 3-8; Sl 115,12-13. 15 e 16 bc. 17-18; Hebreus 9:11-1.5; Marcos 14:12-16. 22-26) fazem memória da Aliança de Deus com o Seu povo, lembrando-nos da Aliança do Sinai e da Nova Aliança de Cristo. O sinal da Aliança é, por um lado, o sangue, que no entendimento judaico-cristão é uma expressão da vida que se oferece para dar vida, e por outro lado a comida partilhada à mesa fraterna. —

Na primeira Aliança, o sangue de animais sacrificados como oferenda implícita no gesto de que aqueles que com ele aspergiam assumiam dois aspectos importantes que confirmavam a aceitação do que Deus oferecia: reconhecer-se como propriedade e povo de Deus, e comprometer-se a cumprir as suas ordens.

A Nova Aliança de Cristo, sacramentalmente celebrada na Última Ceia e sacrificialmente realizada na Cruz, leva-nos a uma compreensão mais profunda do fundamento desta Aliança entre Deus e o Homem.

Um compromisso entre duas partes de estatuto desigual

Toda a Aliança com Deus implica um compromisso entre duas partes de posição desigual; o Homem não pode pretender ser uma contraparte de posição igual; o Homem não pode negociar com Deus uma Aliança baseada na igualdade. As alianças humanas normalmente estabelecem uma certa igualdade entre as partes contratantes, tomando como sinal a mesa comum da amizade.

Mas é Deus quem faz uma oferta, convidando o Homem a fazer parte da Sua vida. Ele quer selar este compromisso com as Suas criaturas, para que eles possam ser uma comunidade e viverem na sua presença.

A Aliança de Cristo leva esta oferta à sua expressão mais elevada, porque Deus oferece o Seu Sangue, a Sua Vida, fazendo-se igual ao Homem excepto no pecado, faz-Se nada para que, redimidos por Ele, possamos ser tudo, possamos ser filhos (cf. Filipenses 2,1-11). O próprio Cristo é o sacrifício oferecido que se torna uma oferta, é o próprio Filho de Deus, Deus feito carne, que ao mesmo tempo é o sacerdote que eleva a oferta e é o altar sagrado onde se consagra para ser elevado e partilhado. Na Última Ceia, sentado com os Seus discípulos, chamou-lhes amigos (cf. João 15:14-14) e partilhou com eles a refeição, o seu Corpo e Sangue oferecido no pão e no vinho (cf. Mateus 26:26-30; Lucas 22:15-20; 1 Coríntios 11:23-25).

Não pode haver oferta maior que esta (cf. João 15,13), uma vez que é o próprio Deus, comprometido com os Seus filhos, que se vincula para sempre na fidelidade levada ao extremo como manifestação do Seu amor sem limites.

Cada vez que celebramos a Eucaristia, fazemos memória desta Aliança

Cada vez que celebramos a Eucaristia, fazemos memória desta Aliança . É a mesma e única oferta que é feita de novo no altar, pelas mãos do sacerdote em unidade com o corpo eclesial de Cristo que adere na renovação da sua fé e do seu compromisso de seguir o Senhor, colaborando com as espécies de pão e vinho. Uma Aliança para “muitos”, para todos, em todos os tempos: Esta é a Acção de Graças oferecida em todo o lado para levar todos ao encontro com a própria Vida, para levar a Criação ao seu Criador e nós pecadores ao seu Redentor.

Oferecemos a nossa fé e o nosso compromisso

Quando oferecemos uma Santa Missa por qualquer intenção, não estamos a oferecer um novo sacrifício. Todos os nossos sacrifícios não são nada, apenas oferecemos a nossa fé e o nosso compromisso ao único que nos pode dar vida, saúde e salvação, o único que pode obter graça para nós na sua infinita misericórdia. É a essa misericórdia que recorremos para acrescentar as nossas orações, louvores e ofertas, implorando com humilde diligência que possamos ser elevados e apresentados perante o Pai Celestial em Cristo pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Viver esta Aliança é o caminho do baptizado que partilha a Páscoa do Senhor e que foi lavado no sangue do Cordeiro imaculado. A nossa contraparte nesta Aliança é a fidelidade em permanecer no seu Amor e de cumprir o seu mandamento. É assim que confessamos e proclamamos que só Cristo é o nosso Messias, o nosso Salvador, o nosso Mestre e a nossa Vida: com a nossa fé e a nossa caridade expressas em palavras, atitudes e acções de verdadeira misericórdia, para trazer esperança e fazer uma Aliança de fraternidade com todos os Homens amados por Deus.

Semeadores do perdão e da fraternidade

Neste tempo de pandemia não deixamos de oferecer todos os dias o sacrifício da Nova e Eterna Aliança. É em Cristo que apresentamos ao Pai todos os nossos doentes com o seu sofrimento, as suas famílias com a sua angústia, o pessoal de saúde com o seu desgaste físico e emocional. Confiamos que, em Cristo, todos eles são curados, pois são o seu Corpo sofredor dado por amor; nenhum deles, oferecido em Jesus, deixa de experimentar a plenitude da Vida.

Recordemos nós cristãos a Aliança de Cristo, selada e celebrada em cada Eucaristia como uma memória presente e permanente do Seu amor.

Vivamos esta Aliança cheios do Espírito de paz que recebemos, fazendo de nós semeadores de perdão e de fraternidade. Avancemos todos os dias na Aliança com Cristo, como filhos pródigos que amam e desejam regressar à Casa do Pai, ao abraço do Pai da Misericórdia.

A nossa Eucaristia diária, a Eucaristia da Igreja, é a renovação do teu sim e do nosso sim, a um dom que nunca poderíamos exigir, mas apenas aceitar da gratuidade d’Aquele que, por amor, nos dá de comer e de beber da sua própria essência, para que possamos sempre viver e existir Nele.

Por isso dizemos: Bendito e louvado seja o Santíssimo Sacramento do altar!

+ Francisco Javier Pistilli Scorzara, Pe. Sch.
Bispo

 

Original: espanhol (3/7/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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