Colocado em 21. Dezembro 2019 In Artigos de Opinião, Hoerde

Porquê a sinodalidade está na moda?

Fernando Besser Mahuzier, Chile, União das Familias •

Em Schoenstatt, em Outubro de 2019, foi realizado um Simpósio (um pouco escondido) para trocar informações sobre a sinodalidade, entre outros temas importantes. —

Ignacio Serrano participou, defendendo a sua preleção e relata-nos:

“De 2 a 4 de Outubro, na Faculdade de Teologia dos Padres Pallotinos de Vallendar, realizou-se o simpósio “Federatividade- Descentralização-Sinodalidade”.  Embora a ocasião tenha sido brindada pelos 100 anos de Hoerde, a situação da Igreja universal e alemã e este novo “kairos da sinodalidade” patrocinado pelo Papa Francisco tornaram o evento mais propício. O encontro reuniu mais de 45 participantes e 10 oradores de diferentes comunidades de países de língua alemã (Suíça, Áustria e Alemanha) e de países de língua espanhola (Argentina, Chile e Costa Rica), as duas línguas oficiais. Entre os convidados de fora de Schoenstatt, destacou-se a presença do filósofo argentino Juan Carlos Scannone SJ (falecido pouco depois, em 27/11/19) e da teóloga Emilce Cuda, que se referiu à Teologia do Povo que orienta a reflexão do actual Pontífice. “Acordai e despertai-vos mutuamente”, disse o Pai-Fundador em 1919, esse pode ser o mesmo espírito que foi vivido neste simpósio”.

 “Sinodalidade” – o Deus comigo e o Deus connosco

Fernando Besser

Para tornar presente a nossa União das Famílias com as suas experiências, enviei uma apresentação: “Da Fidelidade Criadora, experiências do Chile”. Para partilhar este importante evento com o Vínculo (revista de Schoenstatt chilena  NT) e agora com schoenstatt.org, preparei este resumo da minha apresentação sobre a Sinodalidade. Se alguém quiser completá-lo, pode pedir-ma em [email protected]

Hoje, a sinodalidade torna-se central. Procura colaboração e compromisso. Procurai, especialmente partilhar Deus comigo e Deus connosco. Aquela experiência pessoal de viver infinitamente despreocupados nos braços de Deus e aquela bela experiência comunitária de viver e partilhar Deus connosco.

A proposta de sinodalidade é antiga na Igreja, mas ao nível dos Bispos. Agora é levada ao nível dos leigos e globalizada. Esta é uma forma amplamente utilizada, ou seja, noutras esferas da sociedade, para procurar acordos, apoio e governabilidade. Basta rever os antigos costumes suíços (01Aug1291) dos seus referendos permanentes[1] , consultando maciçamente questões específicas de cada Cantão ou da Confederação dos cantões suíços para compreender o valor e a importância de trabalhar com base nos consensos, em decisões de apoio colectivo que permitam efectivamente às maiorias poderosas afirmar o seu Bem Comum e serem capazes de acalmar as maiorias dissidentes. (A Suíça é uma república federada de 26 estados, chamados cantões). Hoje em dia, as sondagens são comuns e temos ferramentas poderosas para as desenvolver. Acredito que em Schoenstatt devemos usá-los massivamente porque promover uma ideia e escrutiná-la para obter o apoio da maioria é melhor, maior e encontra mais adesão. Não o fazer é interpretado como falta de transparência e manipulação do poder.

Schoenstatt é sinodal

Schoenstatt, como toda a Igreja, é fundamentalmente sinodal, isto é, cresce na medida em que encontra consensos que movem e gestam novas correntes de vida ou “fios” de vida que, somados, podem chegar a ser correntes de vida. Os consensos são a capacidade de alcançar acordos apoiados pela maioria e as minorias não se opõem. A condição prévia é a capacidade de conversar para concordar, de se abrir para acolher e servir, de simpatizar para ter misericórdia.

Schoenstatt, como qualquer família, é essencialmente descentralizado para servir a vida que surge em cada fundação, como a vida de cada indivíduo de uma família que é própria, irrepetível, individual e chamada a unir-se e tornar-se social para ser fecunda e multiplicar-se. A originalidade de cada fundação, de cada Santuário, de cada corrente de vida dos peregrinos, como a Mãe Peregrina, os Madrugadores, é a resultante criadora da irrupção de Deus que segue o sopro de vida que, nas suas iniciativas, semeia em lugares e tempos, como o faz em cada criança que gera, nasce e cresce numa família.

Schoenstatt, além disso, como Movimento Leigo, foi criado federativamente em Hoerde. Desde as suas origens foi marcado por um profundo critério federativo que o entende como a associação e união de dirigentes de Schoenstatt para que, despertando e encorajando-se mutuamente, liderem um Movimento Apostólico que facilite o nascimento de um Homem Novo numa Comunidade Nova que estão por nascer neste tempo.

A federatividade de Schoenstatt é descentralizadora e sinodal

A federatividade de Schoenstatt é descentralizadora e sinodal. É-o porque procura servir as correntes de vida favorecendo que a vida das pessoas surja abundantemente, da sua adesão pessoal. Este caminho pedagógico compromete-o, radicalmente, na medida em que a sua decisão seja livre e iluminada, porque “eu sei o que quero, amo o que sei, faço o que quero e amo”. É uma extraordinária simbiose de razão, afecto e vontade. Este modo de agir assegura que a pessoa se encarregue do que empreende, agindo oportuna e activamente, de acordo com o seu próprio impulso. Este modo de tomar conta, pessoalmente, compromete e cultiva o espírito da pessoa, favorecendo, na medida do possível, a sua liberdade com o mínimo de obrigações – essenciais – para a convivência com outros que procuram fazer o mesmo a partir da sua originalidade. Cada um procura realizar plenamente o seu Ideal Pessoal e fazê-lo a seu modo para alcançar a sua santidade pessoal e estas acções individuais vão-se somando e acoplando para gerarem correntes de vida. É o que acontece àqueles que se comprometem a construir um casamento, a partir da individualidade de um homem e de uma mulher, cujos fios de vida se somam para formar uma corrente que se transformará em lar, e depois em família e em famílias de famílias que são o fundamento e a coroa da obra de Schoenstatt.

É descentralizador porque cada família procura que o homem seja mais ele próprio, procura que a mulher seja mais ela própria e nesta aparente diferenciação  complementam-se e tornam-se mais uma só pessoa… um casamento.

 

iStockGettyImages, ID 1067682380, Boonyachoat

Estamos numa nova ERA: colaborativa, ecológica e digital.

Nos últimos 40 anos, descobrimos a colaboração como um dom, a ecologia como uma emergência e o digital como uma ferramenta. Qualquer um pode reconhecer estas três mudanças irresistíveis, segundo a minha interpretação, coincidentes com Schoenstatt e o seu propósito.

Estamos numa nova ERA: colaborativa, ecológica e digital.

De uma era individualista e competitiva a uma era COLABORATIVA e colectiva.

Passámos de uma era individualista e competitiva para uma era COLABORATIVA e colectiva. Numerosas descobertas do humano -especialmente pela moderna psicologia e neuro-ciência- mostraram-nos uma nova concepção sistémica da nossa vida, na nossa linguagem orgânica de Schoenstatt. Descobrimos a sinergia, o trabalho em equipa, o foco, a gestão e a capacidade de liderar processos objectivos e subjectivos, especialmente aprendendo uns com os outros. Certamente que 30% dos nossos processos já mudaram e esta é a mudança mais profunda que estamos a viver, pressionados pelos direitos das minorias que exigem a sua visibilidade e consideração.

Passámos de uma era descartável para uma era ECOLÓGICA

Passámos de uma era descartável para uma era ECOLÓGICA. Em parte por causa da ameaça da mudança climática, em parte por causa de numerosas iniciativas de produtividade contra os descartáveis, em parte por causa de numerosas iniciativas culturais, como a do Papa Francisco na sua encíclica Laudato Si.

Certamente que 40% dos descartáveis já mudaram para ecológicos e estamos numa profunda mudança da pegada de carbono, mudança de utilização e geração de energia não poluente e livre de petróleo e gás.

Passámos de uma era analógica para uma era DIGITAL.

Mais massivamente passámos de uma era analógica para uma era DIGITAL. Trouxe-nos computadores e robotização, smartphone e globalização, com todos os fenómenos das migrações. Certamente já mudou mais de 70% do analógico para o digital, com motores destinados a aumentar a produtividade.

Estas três eras: digital, ecológica e colaborativa surgiram por volta do ano 2000, sinergizadas, têm motores de produtividade rentáveis e vieram para ficar. Fazem parte do nosso ambiente e devemos tê-las em conta para o exercício da nossa filialidade, assim como para a nossa fé prática na Divina Providência.

As três mudanças de ERA são um bem, baseiam-se numa ordem do ser nova e positiva, que nos deve servir para colaborar com Deus e julgar, a partir das nossas consciências iluminadas, as nossas tarefas e acções.

 

Foto: iStockGettyImages, ID 913582690, metamorworks

[1] é convocado pelos cidadãos, ao contrário do plebiscito, que é feito pelo Presidente do Executivo.

Foto principal: iStock Getty Images, ID:1179171065, Boonyachoat, licensed for schoenstatt.org

Original: espanhol (16/12/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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