Colocado em 24. Agosto 2019 In Artigos de Opinião, Hoerde

100 anos de Hoerde

Homilia na Missa Pontifical de 1878/2019 em Schoenstatt,  Mons. Dr. Michael Gerber, Bispo de Fulda •

“Os tempos são sérios e as pessoas muitas vezes são incapazes de permanecer fortes neste processo de purificação que agora está a acontecer. Elas caem em acusações contra Deus e o bem, perdem a fé no bem e nas pessoas.”[1]

 

Queridas irmãs e queridos irmãos!

Esta citação parece vir de um dos comentários mais recentes sobre os acontecimentos atuais. “Os tempos são sérios…“ Pensamos nas tensões globais atuais, no rompimento do tratado de desarmamento nuclear INF entre os EUA e a Rússia, no conflito no Estreito de Ormuz, nos fluxos mundiais de refugiados, nas guerras civis latentes no Oriente Médio, na África ou na Venezuela. Ao mesmo tempo, somos confrontados com a crise de credibilidade na nossa Igreja e com as suas causas. Vêm-nos à mente também as tensões no seio da Igreja que daí resultam entre os seus diversos protagonistas.

“Os tempos são sérios…“ A citação mencionada anteriormente tem, no entanto, quase 100 anos. Ela provém de uma carta de Alois Zeppenfeld, escrita em abril de 1920. Esta carta é escrita sob o impacto da conferência de Hoerde, que ele mesmo tinha organizado há apenas alguns meses. Continuemos a ler o que Zeppenfeld escreve: “A nossa União não conhece pessimismo! Ela opõe-se ao radicalismo do mal com um radicalismo do bem e acredita que o bem vencerá, sim, que ele tem de vencer. Só um optimismo saudável ajuda as pessoas e o mundo a renovarem-se; o pessimismo jamais constrói, muitas vezes ele só deita abaixo”.

O autor destas linhas tinha, na época, vários anos de guerra com experiências traumáticas atrás de si. Mas também o presente, nos meses imediatamente após a guerra, deve ter sido muito caótico para Alois Zeppenfeld e os seus contemporâneos: O colapso da monarquia na Alemanha e o caminho difícil para uma nova Constituição democrática; uma situação de abastecimento precária e um enfraquecimento duradouro da própria nação através da perda de grandes áreas, bem como a falta de recursos para a sua reconstrução. A situação era tudo menos fácil. Ao olharmos para trás, sabemos que esta foi uma das razões para a ascensão do Nacional-Socialismo.

Queridas irmãs e queridos irmãos,

tenhamos presente o estado de espírito da sociedade daquela época e, neste contexto, vejamos o optimismo no espírito “em saída” dos fundadores da União. Se nós, hoje, no contexto das interrogações dos nossos dias, quisermos viver a nossa missão fiéis à origem, não será necessário antes de tudo reafirmarmos e aprofundarmos esta disposição fundamental dos Unionistas da primeira hora?

“A nossa União não conhece pessimismo! Ela opõe-se ao radicalismo do mal com um radicalismo do bem e acredita que o bem vencerá, sim, que ele tem de vencer. Só um optimismo saudável ajuda as pessoas e o mundo a renovarem-se; o pessimismo jamais constrói, muitas vezes ele só deita abaixo.” Esta citação não é apenas de jovens idealistas. Não, ela é escrita por um jovem estudante que, junto com o nosso Pai e Fundador e com outros co-fundadores, nos anos que viriam constrói um tipo de movimento eclesial completamente novo para aquele tempo, um movimento que, por um lado, se vai revelar fecundo para a Igreja e para a sociedade e, por outro lado, ser muito resistente a circunstâncias adversas como o Nacional-Socialismo.

Quais são as marcas deste começo há 100 anos? Quero destacar alguns elementos sem pretender atingir toda a sua abrangência. São elementos que, no meu entender e, tendo em conta as questões tão prementes da actualidade, podem, precisamente hoje, representar uma perspectiva.

Primeiro elemento: o nosso Pai e os seus co-fundadores estão convictos de que, por detrás do que aconteceu a 18 de Outubro de 1914 e do que aconteceu nos anos seguintes, está uma iniciativa divina. Desde então, isso tem influenciado decisivamente a mentalidade da nossa Família de Schoenstatt: estamos convictos da acção de Deus no passado e no presente. Sem esta convicção, Hoerde não teria sido possível e, sem esta convicção, o efeito de Hoerde, a origem da União Apostólica e do Movimento Apostólico, não teria sido possível.

Ainda assim: considerando as correntes decisivas actuais também na Igreja, esta convicção de uma “iniciativa divina” é tudo menos evidente. Em muitos círculos da Igreja encontramos algo como um “deísmo eclesial”. Entende-se por isso um modo de pensar que parte do facto de que Deus, em Jesus Cristo, trouxe um impulso essencial a este mundo, mas que hoje já não podemos falar de uma acção de Deus. Demasiadas coisas correm mal neste mundo para acreditarmos num Deus que ama e, ao mesmo tempo, num Deus que age. Somos, antes, desafiados a tirar daquele “impulso Jesus de então as nossas conclusões para o nosso agir hoje.

Mas hoje questiona-se também de um lado completamente diferente o falar acrítico da actuação de Deus, da iniciativa divina. Isto acontece, por exemplo, no contexto da preparação do Sínodo da Amazónia. Especialistas de renome questionam de forma crítica o “Instrumentum Laboris”, que prepara este Sínodo. Definem-se aqui, de repente, – perguntam os críticos – novas fontes de revelação na avaliação teológica das tradições indígenas em relação ao acontecimento salvífico de Jesus Cristo, testemunhado nas Escrituras e na tradição? A forma como isso acontece não contradiz o entendimento da Igreja sobre a revelação?[2] Esses questionamentos devem ser levados a sério. Como se pode ver hoje uma possível acção de Deus em comparação com o mistério da Salvação na Encarnação, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo? Constatamos que já não podemos falar de uma “iniciativa divina” de forma ingénua, ou seja, sem espírito crítico. Nem na Amazónia, nem em Schoenstatt se pode tratar de uma espécie de “revelação paralela ou particular”. Quando falamos de uma “iniciativa divina”, esta não pode ser simplesmente entendida “ao lado” do que a Escritura e a tradição testemunham.

Queridas irmãs, queridos irmãos,

aqui não se trata de algo insignificante ou de subtilezas teológicas. Se a convicção da “iniciativa divina” marcou o espírito do nosso Movimento há mais de 100 anos, então Schoenstatt deve ser capaz – pelo menos as Uniões e os Institutos devem ser capazes – de dialogar com as correntes do nosso tempo e também de argumentar com as justificações teológicas.

Vêm-me à mente duas indicações do nosso Fundador que, por um lado, estão inteiramente de acordo com o ensinamento da Igreja e, ao mesmo tempo, expressam a originalidade do seu próprio pensamento:

A primeira indicação: onde Deus toma a iniciativa aqui e hoje, nada de “diferente” ou “adicional” acontece em relação ao que as Escrituras e a tradição testemunham. Muito pelo contrário, o que aconteceu em Jesus Cristo e o que a Bíblia nos testemunha, quer tornar-se outra vez actualidade.[3] Sempre de novo, o nosso Fundador se refere a isso. Ele formula-o de forma marcante no Ofício de Schoenstatt do Rumo ao Céu. Aqui vemos uma proposta de interpretação da situação dramática da Igreja de hoje. O que nós vivemos hoje, pode ser interpretado como uma actualização do que os discípulos, Maria e as outras mulheres experimentaram nos dias antes e depois da Páscoa? Vemos traição e abuso visível da própria missão por parte dos principais representantes da Igreja, aos quais foi confiado o cuidado das almas. Para muitos torna-se cada vez mais impossível reconhecer o “sinal da salvação” nessa comunidade ligada a Jesus Cristo. Poucos dias depois, parece que não resta muito da comunidade viva do Domingo de Ramos. Foi assim só naquela altura ou é assim também hoje?

Acredito que hoje o nosso Pai levar-nos-ia a interpretar a situação atual da nossa Igreja como uma ilustração do drama da Páscoa. Isto também nos pode ajudar a afastarmo-nos do fatalismo e do pessimismo e a encontrarmos o caminho de volta ao espírito fundamental que marcou os nossos Unionistas há 100 anos. Não sabemos com que dramas segue o caminho da Igreja dos nossos dias. Mas, é precisamente aqui, que podemos experimentar-nos em profunda comunhão com Maria e com os discípulos daquelas horas pascais. Também isto significa Aliança de Amor – uma Aliança que transcende o tempo.

Uma segunda indicação: segundo o ensinamento da Igreja, entendemos por Revelação um processo de diálogo entre a auto-revelação de Deus e a aceitação do Homem. Mas é o próprio Espírito Santo que abre o coração e a mente do Homem para esta aceitação.[4] Em toda a sua vida uma das perguntas essenciais do nosso Fundador foi: Como é que se abre o coração e a alma, na sua profundidade, para a acção de Deus? Continuando a pergunta: Como é que eu me torno atento para descobrir quando o Espírito Santo abre a alma de uma pessoa? Deste modo, a nossa percepção das manifestações anímicas de uma pessoa e daquilo que se manifesta na alma de uma cultura, adquire um significado novo e verdadeiramente teológico. Perguntamo-nos: Onde é que possivelmente se mostra em tal anseio ou opinião, a acção do Espírito Santo, que abre as almas à mensagem do Evangelho?

Queridas irmãs, queridos irmãos!

Com Hoerde, o nosso movimento define-se como “Movimento Apostólico”. O que significa apostolado hoje, numa sociedade pós-moderna e pluralista? No sentido paulino pode significar, defender a Palavra de Deus e a verdade sobre a pessoa de Jesus Cristo, quer seja oportuno, quer não.[5] Mas esta é apenas uma metade da abordagem apostólica de Paulo e do nosso Pai. Por outro lado, Paulo e o nosso Fundador ensinam-nos a ser vigilantes para percebermos onde o Espírito Santo abre uma porta.[6] Para o nosso Pai, esta é sobretudo uma questão de saber onde o Espírito Santo abre uma porta no fundo da alma de uma pessoa. Não temos, por isso, de questionar com espírito crítico os nossos próprios padrões de reacção, os nossos mecanismos de defesa em relação a muitos fenómenos e manifestações de vida na sociedade actual?

Queridas irmãs, queridos irmãos, “Movimento Apostólico” significa: aqui e agora, neste mundo pós-moderno, multi-opcional, conquistar pessoas para um relacionamento vital com Jesus Cristo, para o Evangelho. Isto jamais pode significar, que se procure apenas as pessoas, que ainda mostram que têm de alguma forma “uma boa conduta católica”. Não, se acreditamos na continuação da iniciativa divina, devemos contar com o facto de que o Espírito Santo abre as almas das mais diversas pessoas à sua mensagem, nomeadamente as almas daqueles, de cujo estilo de vida menos o esperamos. O que significa então ter uma postura apostólica? Perguntamos: Onde constatamos, aqui e agora, um sinal na alma de uma pessoa, que poderia ser a escolhida para pôr algo em movimento ou ser um incentivo para os outros? Onde e como nós, como pessoas de orientação apostólica, lidamos de forma responsável com isso?

Durante a sua permanência em Milwaukee, o Padre Kentenich formulou-o com palavras muito claras:

“Se sou jardineiro – educador – (podemos também dizer: se sou apostolicamente activo; MG), devo dar à planta o que ela necessita. Se sou leigo no assunto, deito um fertilizante qualquer à planta. (…) Poder-se-ia dizer que, porque hoje já não temos uma mentalidade católica, todos os tiros que damos caem no vazio. (…) A pergunta inicial era: Onde estão os impulsos fundamentais da … alma? Se não atingirmos as forças primárias, faremos apenas trabalho de colagem. Os instintos primários estão vivos, mas não estão desenvolvidos.”[7]

Dito com outras palavras: se o Homem de hoje, que foi criado num mundo pluralista, não compreende a relevância que a Boa Nova e o caminho da Igreja podem ter para as interrogações profundas da sua alma, permanece-lhe desconhecido o que o cristianismo tem para oferecer como caminho e verdade.

Os cinco anos entre o 18 de outubro de 1914 e Hoerde foram essencialmente marcados pelo facto de que o profundo anseio dos congregados tinha encontrado eco naquilo que eles tinham vivido no esforço comum como schoenstatteanos. Foi por isso que Schoenstatt cresceu antes e depois de Hoerde. Isto está claramente expresso, por exemplo, no discurso de Albert Eise, que era ainda muito jovem na altura, num reencontro e numa celebração comemorativa de 21 de Abril de 1919 – portanto no tempo imediatamente anterior a Hoerde.[8]

Segundo Kentenich, ser apostólico hoje significa, por um lado, manter-se na verdade do que nos é revelado nas Escrituras e na tradição e, por outro lado, ter uma profunda compreensão dos anseios que movem o coração do nosso próximo, das pessoas com quem nos encontramos – no supermercado, junto à entrada do jardim de infância, na fila do padeiro, no trabalho, no Metro ou no Alpha Pendular, na casa vizinha, mas também em muitos pareceres enfáticos sobre questões sociais ou mesmo político-eclesiásticas.

Perguntemo-nos de modo crítico: Como reagi na-Alemanha – à iniciativa „Maria 2.0“? Ou como reagi – no Chile – à Carta da Juventude chilena ao Movimento de Schoenstatt no Chile? Houve uma reacção defensiva imediata? Quando faço perguntas mais profundas, que tipo de vozes da alma se movimentam nesta iniciativa? Que experiências poderiam estar por trás disto? Que nos quer dizer o Espírito de Deus, a mim, a nós? Isto não significa de modo algúm que eu tenha que estar de acordo com as posições lá expressas. Mas, a pergunta: „Que movimentos dos corações estão por trás disto?“ Abre-me a uma primeira aproximação e à oportunidade de entrar, realmente, num diálogo construtivo? Agradeço ter mantido algumas conversas, neste sentido, com representantes de „Maria 2.0“ na Diocese de Fulda.

Um último pensamento para hoje: O que tudo isso significa em termos estruturais para o caminho da Igreja como um todo? Ou melhor: Como deve ser hoje a Direcção na Igreja, para que esta tensão entre a preservação da tradição da fé, por um lado, e a abertura para o que move o coração das pessoas, por outro, e a coesão entre ambos os aspectos, possa ser bem sucedida?

Acredito que as nossas Uniões e os Institutos, pela forma como estão estruturadas as suas Direcções, têm um aspecto profético significativo e, ao mesmo tempo, decisivo, que tem que ser levado como uma mais valia para os debates actuais da Igreja. Actualmente discutimos muito na Igreja sobre a questão de como deve ser a Direcção, especialmente sobre quem pode e quem não pode liderar, e até que ponto. Discutimos sobre as condições de acesso ao sacerdócio.

Na minha opinião, não pode tratar-se apenas da questão que é frequentemente colocada hoje, de quem é autorizado a liderar onde e como, mas deve tratar-se essencialmente da questão de fundo, como é que é a liderança? As Uniões e os Institutos de Schoenstatt têm a sua própria resposta a esta pergunta: Existe classicamente – como em todas as comunidades eclesiásticas reconhecidas – o Superior ou a Superiora. No entanto, pelos Estatutos eles estão claramente vinculados a um Conselho em muitas questões. Os Superiores defendem de forma especial, a unidade e a identidade da comunidade – portanto, tarefa típica da Direcção. Eles garantem a unidade fundamental da comunidade com a verdade e a missão da Igreja e a identidade específica com a missão da própria comunidade.

Temos também um sacerdote como Assistente Espiritual ou Diretor Sacerdotal. Excepto nos Padres de Schoenstatt e no Instituto dos Sacerdotes, há assim mais uma pessoa que complementa o Superior ou a Superiora. Este sacerdote garante – não de forma exclusiva, mas com especial responsabilidade – a realidade sacramental da Igreja e da respectiva comunidade parcial. Isto acontece, prioritariamente, pela administração dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Penitência, assim como pelo anúncio da Palavra. Na vida de cada comunidade devem fazer-se presente, de forma original, os acontecimentos da vida de Cristo. Também este é um serviço específico e indispensável à comunidade: conduzir ao seu fundamento. Este, nenhuma comunidade pode dá-lo a si mesma, pois é o próprio Jesus Cristo.

Além disso – e isso desenvolveu-se em Schoenstatt há muitas décadas como uma novidade para a Igreja – há pessoas nas Uniões e nos Institutos que são responsáveis pela vida espiritual e pelas correntes de vida da comunidade. Nos Institutos é o cargo de Chefe Geral dos Cursos ou de Mãe Geral dos Cursos. Nas Uniões são pessoas ou na União de Famílias casais, que são responsáveis por um curso como Chefes ou Dirigentes de Curso ou um casal/uma dirigente responsável pelos Chefes de Curso. Eles têm a responsabilidade de ficar atentos à vida espiritual, às correntes de vida. A sua função é defender a abertura de espaço para estas correntes na estrutura da comunidade, por exemplo, na procura do Lema do ano.

Identidade – realidade sacramental – sensibilidade para a vida espiritual, estas são três dimensões da Direcção de uma comunidade. Nas Uniões e nos Institutos, elas são assumidas na interação de diversos chefes ou dirigentes. Os Superiores e os Chefes Gerais dos Cursos são, por sua vez, redirecionados para os seus respectivos Conselhos ou para o Círculo de Chefes/Mães dos Cursos. Será que nesta compreensão multidimensional de Direcção está a chave para muitas interrogações sobre a Direcção na nossa Igreja? Será que as discussões que estamos a ter actualmente sobre as condições de ocupação de cargos e de admissão aos mesmos são também uma indicação para uma maior reflexão sobre a Direcção, segundo as experiências vividas em Schoenstatt? Será que a nossa Igreja também precisa de formas complementares de Direcção, como as que temos nas nossas comunidades? Estas são interrogações, que também eu, como Bispo, tenho actualmente, mas que deveríamos abordar em conjunto.

Poder-se-ia objectar: Este modelo de Direcção é fecundo nas Uniões e nos Institutos de Schoenstatt, porque aí existe uma aspiração comum ao que chamamos de “cultivo do espírito”, mas isso não está pressuposto noutras áreas da Igreja.

Mas, queridas irmãs e queridos irmãos das Uniões e dos Institutos, o que significa isto? Cooperar para que este cultivo do espírito seja bem sucedido nas mais diversas áreas da Igreja. Foi precisamente isto o que os congregados de Hoerde fizeram naquela época. Como dizia o seu memorando: “Não se trata antes de tudo de uma nova associação, de uma nova organização, mas sim de uma sábia adaptação à rede de organizações já existente, para insuflar a alma apostólica nas comunidades existentes, para as apoiar “.[9] O facto de sentirmos hoje, como naquele tempo, claramente o limite das nossas forças, não nos pode assustar. Como o nosso Pai e Fundador, cremos na “resultante criadora”, na iniciativa de Deus. Há muito para fazer. Empenhemo-nos naquilo que Deus quer realizar connosco[10].

 

Homilia na Missa Pontifical de 1878/2019 em Schoenstatt, Mons. Dr. Michael Gerber, Bispo de Fulda (pdf)

[1] Carta de Alois Zeppenfeld, escrita em Abril de 1920. Citada na revista MTA de 15.4.1920.
[2] Cf. a crítica de Gerhard Ludwig Müller no jornal “Die Tagespost” de 18 de julho de 2019, p. 9f. O artigo é intitulado: “Deus não está simplesmente em toda a parte”, que constitui um agravante da afirmação de Müller: “Deus não está simplesmente em toda a parte e uniformemente presente em todas as religiões, pelo que a encarnação seria apenas uma típica aparição mediterrânica”. (ibid., p. 10)
[3] Cf. por exemplo J. Kentenich: Conferência para o Instituto dos Sacerdotes no dia 22 de Abril de 1968 (in: Propheta locutus est XVI, 237: “Naquela altura, tínhamos cunhado para isso a palavra: nova iniciativa divina. Biblicamente poderíamos também dizer: ‘Hoje veio a salvação a esta casa’ (Lc 19,9), novamente aconteceu a salvação! Quem se situou um pouco nos círculos de idéias de João XXIII, se situou nos planos da Divina Providência em relação ao Concílio Vaticano II, sabe quão forte é o anseio da Igreja por uma repetição da situação da Ceia do Senhor, uma repetição da descida do Espírito Santo.”
[4] Cf. Concílio Vaticano II: Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Divina Revelação, n. 5: “A Deus que revela é devida a «obediência da fé» (Rom. 16,26; cfr. Rom. 1,5; 2 Cor. 10, 5-6); pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus oferecendo «a Deus revelador o obséquio pleno da inteligência e da vontade» (.) e prestando voluntário assentimento à Sua revelação. Para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte a Deus o coração, abre os olhos do entendimento, e dá «a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade» (.). Para que a compreensão da revelação seja sempre mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé mediante os seus dons.”
[5] Cf. 2 Tim 4,2.
[6] Cf. At 14, 27 e outros.
[7] Kentenich, Schöpferische Resultante, Vatertexte aus Milwaukee  S. 279f.
[8] Cf. Revista MTA de 15.05.1919, p. 41.
[9] Citado conforme Friedrich Ernst: Die Bedeutung der Hörder Tagung 1919 für die Apostolische Bewegung von Schönstatt. Paderborn 1959, S. 37.
[10] Cf Actos dos Apóstolos 14,27

 

Tradução corrigida e completada por: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

Como posso conseguir estar atento aonde o Espírito Santo abre a alma de uma pessoa?

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2 Responses

  1. Ótimo texto, mesmo que alguns pontos se refiram à realidade alemã, cada um pode levar uma mensagem para os próximos anos. Pena que não divulgaram os textos todos, inclusive com participação de leigos, sendo um evento que celebra a abertura de Schoenstatt para leigos. Graças a Deus está disponível em http://www.schoenstatt.de

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