Colocado em 2016-05-26 In Artigos de Opinião

Permanente e íntima proximidade de Jesus

Por Pe. Oscar Iván Saldivar •

Terminando o Tempo Pascal a Igreja convida-nos a comtemplar a “Ascensão” do Senhor, do Ressuscitado, ao Céu

O que significa a Ascensão do Senhor? Que celebramos?

Domingo a domingo rezamos no Credo. “Creio em Jesus Cristo (…) que subiu aos Céus e está sentado à direita de Deus Pai Todo Poderoso”. E, hoje, nesta Eucaristia, celebramos esta “Ascensão”, este “subir aos Céus” de Jesus Ressuscitado. Mas, compreendemos o que celebramos? Deixamos que o nosso coração seja tocado por este mistério da vida de Jesus?

Queridos amigos como diz Paulo na Carta aos Efésios, trata-se de valorizar a esperança à qual fomos chamados. (cf. Ef1,18).

E, para valorizarmos esta esperança – isto que esperamos – vale a pena perguntarmo-nos: Aonde ascende Jesus Ressuscitado? Poderão dizer-me. “a resposta é óbvia, ao Céu”… É, realmente, óbvia a resposta? A que nos referimos quando dizemos Céu? Trata-se dum lugar afastado no mais alto do espaço celeste? Trata-se dum “lugar”, dum “espaço”? O que quer expressar a nossa Fé quando diz: subiu aos Céus e está sentado à direita de Deus?

Queridos amigos, o Céu não é um lugar – um espaço mais, dentro do nosso mundo humano – mas a plena comunhão com Deus, com o Pai. O Ressuscitado, Aquele que passou a Sua vida fazendo bem aos outros e Se entregou por cada um de nós, entra na plena comunhão com o Pai. Já o havia anunciado no Evangelho segundo S. João. “Vou para o Pai” (Jo 14,12), e mais, “Eu estou no Pai” (Jo 14, 11).

O que significa a Ascensão do Senhor para nós?

Precisamente, porque Jesus está no Pai, Ele pode estar próximo de cada um de nós, em todo o tempo e lugar. Ao entrar na comunhão plena com Deus participa da Sua Omnipresença.

Deste modo, a Ascensão do Senhor significa para nós, não a distância de Jesus, mas a Sua permanente e íntima proximidade [1]. Por isso, Ele nos diz: “Eu estarei convosco todos os dias até ao fim do mundo”. (Mt 28,20). O Pe. José Kentenich expressou esta íntima proximidade de Jesus para connosco, na Eucaristia dirigindo-Lhe uma formosa oração na Comunhão: “Assim como reinas no Céu e habitas glorioso junto do Pai, estás inteiramente com o teu ser no santuário do meu coração” (Rumo ao Céu 143).

A Ascensão indica-nos também a meta do nosso peregrinar: o Céu, o Coração de Deus Pai”. Todos estamos chamados a lá chegar, lá onde Jesus chegou [2]. Assim, a nossa vida não é um errar vagabundo, mas um peregrinar para o Pai, para o Seu Coração, onde tudo o que é nosso, todo o humano, tem lugar.

Se, hoje, nos alegramos e damos graças a Deus, porque na Ascensão do Seu Filho, a nossa humanidade é elevada com Ele [3]. Isso indica-nos que todas as dimensões da nossa vida – pessoal, familiar, laboral e comunitária – e, todas as dimensões da nossa personalidade – razão, vontade, sentimentos, afetos, corpo e sexualidade – têm um lugar junto de Deus. Sim, Jesus Ressuscitado leva consigo a nossa humanidade à plena comunhão com Deus, com o Pai. Não há nada da nossa humanidade que não possamos partilhar com Deus nosso Pai.

Queridos amigos, o Céu é o Coração do Pai, o lar definitivo. Jesus já lá habita e, por isso, pode morar nos nossos corações. E, a Sua constante proximidade anima o nosso peregrinar para o Pai. Peregrinemos hoje, peregrinemos, na oração de cada dia, ao Coração do Pai e, ponhamos toda a nossa vida humana no Seu Coração. Que assim seja, Amén.

[1] Cf. J. RATZINGER/BENEDICTO XVI, Jesus de Nazaré. Desde a Entrada em Jerusalém até à Ressurreição
[2] “Na casa do meu Pai há muitas moradas…e, quando Eu tiver ido e, vos tenha preparado um lugar, voltarei e levar-vos-ei comigo, para que onde Eu estiver, vós estejais também” (Jo 14,2.3).
[3] Cf. Oração colecta da Solenidade da Ascensão do Senhor.

Fuente: http://vidaescamino.blogspot.com/2014/06/ascension-del-senor-permanente-e-intima.html

Original: espanhol. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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