Colocado em 2016-03-24 In Artigos de Opinião

Testemunhas e missionários da misericórdia

Pe. Óscar Iván Saldivar, Tuparenda, Paraguai, Domingo de Ramos 2016 – Ano C

Queridos irmãos e irmãs

Com a bênção das palmas e dos ramos e com a Procissão do Domingo de Ramos comemorámos a entrada messiânica de Jesus em Jerusalém. Poderíamos dizer que, mediante esta Procissão dos Ramos é como se, também nós, nos uníssemos ao “grupo crescente de peregrinos”[1], que seguia Jesus no Seu caminho, desde a Galileia até Jerusalém.

Quem são os que seguem Jesus?

Os Evangelhos de “Mateus e Marcos dizem-nos que, ao sair de Jericó, havia uma «grande multidão» que seguia Jesus (Mt 20,29; cf. Mc 10,46)”.[2] Mas, quem eram estes homens e mulheres que seguiam Jesus? Quem integra esta multidão que grita, cheia de alegria: «Bendito O que vem em nome do Senhor! Paz na Terra e Glória nas alturas!» (Lc19,38)?

Pelos Evangelhos sabemos que, se trata, em primeiro lugar, dos Apóstolos e dos discípulos mas, à medida que, Jesus caminha entre os homens e as mulheres do Seu tempo e da Sua terra fazendo o bem, muitos se unem à Sua peregrinação. Entre eles, Bartimeu, o cego que, pela sua fé recuperou a vista «e seguia Jesus pelo caminho» (cf. Mc 10, 46-52).

Os que seguem Jesus são os que experimentaram a Sua misericórdia de modo pessoal: os cegos que recuperaram a vista, os doentes que foram curados, os pecadores que foram perdoados, as adúlteras que não foram condenadas, os marginalizados que foram incluídos, os angustiados que foram consolados e os pobres que foram saciados… Todos os que experimentaram a misericórdia de Deus, em Jesus; todos os que, em Jesus, experimentaram que «o Reino de Deus está próximo» (Mc 1,15).

São eles os que «cheios de alegria, começaram a louvar a Deus em voz alta, por todos os milagres que tinham visto» (Lc 19,37).

Peregrinos da Misericórdia

Assim, os homens e as mulheres que caminham para Jerusalém seguindo Jesus e aclamando-O como Rei e Messias, convertem-se em “peregrinos da misericórdia”. Porque receberam misericórdia nas suas vidas, estão de pé de novo, cheios de alegria, caminhando com Jesus e como Jesus.

Sim, também nós estamos aqui porque experimentámos a misericórdia de Jesus nas nossas vidas. Também nós, graças a Jesus, voltámos a olhar para a nossa vida com fé, também nós, fomos curados, perdoados, libertados e saciados no mais profundo do nosso coração. Também nós, fomos salvos da tristeza e do isolamento ao termos sido incorporados na Igreja de Jesus.

Cada um de nós experimentou essa misericórdia, nalgum momento da sua vida, por isso, está aqui aclamando o «Rei que vem em nome do Senhor». Sim, também nós, somos peregrinos da misericórdia de Jesus. Também nós, acreditamos no Seu amor e na Sua entrega.

Missionários da misericórdia

E, se somos peregrinos da misericórdia de Jesus, se nos unimos ao Seu peregrinar, ao peregrinar da Sua Igreja, através de todos os tempos e espaços da humanidade, é para, nos convertermos em “testemunhas da misericórdia”, em “missionários da misericórdia”.

Também hoje, os homens e as mulheres do nosso tempo precisam de testemunhas e de missionários da misericórdia que, com as suas palavras e as suas obras, proclamem: «Bendito O que vem em nome do Senhor! Paz na Terra e Glória nas alturas!»

Testemunhas e missionários da misericórdia que, com as suas vidas, nos ajudem a compreender que, Jesus Cristo «esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens».(Flp 2,7).

Queridos irmãos e irmãs, recebemos misericórdia, recebemo-la para a oferecer. Na medida em que dermos testemunho desta misericórdia de Jesus, sendo misericordiosos com os outros – com todos, sem fronteiras, sem condições, sem excepções – nessa medida estaremos a reconhecer Jesus, como Rei e Messias das nossas vidas. E, deste modo, muitos outros reconhecerão Jesus misericordioso, na nossa misericórdia.

Que Maria, Mãe da Misericórdia, nos ajude a introduzir-nos, nestes dias santos, como peregrinos da Misericórdia de Jesus. Amén.

[1] RATZINGER/BENTO XVI, Jesus de Nazaré. Desde a Entrada em Jerusalém até à Ressurreição (Princípia, Lisboa 2011).

[2] Ibídem

Original: espanhol. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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