Colocado em 24. Janeiro 2018 In Vida em Aliança

Viver em atitude e com coração de Diácono em Schoentatt

ALEMANHA, Maria Fischer, com material do gabinete de imprensa do bispado de Würzburg •

Quando se fala de um “diácono” em Schoenstatt internacional, muitos pensam em homens jovens, que logo serão ordenados sacerdotes, como Padres de Schoenstatt ou diocesanos, e que durante o seu diaconato trabalham em paróquias. Alguns pensam num diácono permanente, casado como o diácono João Luiz Pozzobon, de Santa Maria, no Brasil, o iniciador da Campanha da Mãe Peregrina, que é o rosto missionário de Schoenstatt. O grande movimento popular em torno dos santuários por que ansiou o Pe. Kentenich, começou há muitos anos e hoje chega desde o santuário às periferias da Igreja e da sociedade  – ou, como dizia Pozzobon com simplicidade: desde o santuário até aos pobres. João Pozzobon foi ordenado diácono em dezembro de 1972. Nesse mesmo ano, do outro lado do Atlântico, começou na Alemanha uma busca: o diaconato permanente, uma realidade nova na Igreja. Alguns schoenstattianos sentiram o chamamento e decidiram-se por ele, e agora? Agora existe a Comunidade de Diáconos de Schoenstatt, como mais um ramo do Movimento, já há 40 anos. Para recordar este aniversário da fundação, em 29 de dezembro de 1977, cerca de 30 participantes e convidados reuniram-se para celebrar o 4 de janeiro de 2018, no Centro de Schoenstatt em Würzburg, o lugar da fundação.

Como foi a fundação?

„Tratava-se de uma atitude fundamental do diácono, para aceitar o outro tal como é“.
„Tratava-se de uma atitude fundamental do diácono, para aceitar o outro tal como é“. Assim descreveu o momento fundacional, o diácono Bernhard Brantzen, porta-voz da Comunidade de Diáconos de Schoenstatt  – (SDG – Schönstätter Diakonen-Gemeinschaft) – no seu discurso de abertura do 40º aniversário, em Würzburg.

O Pe. Rudolf Ammann, primeiro diretor espiritual da SDG, expressou a sua alegria por ter sido testemunha dos primeiros passos da comunidade: “Juntos buscamos as possibilidades abertas pelo Concilio Vaticano II para despertar o diaconato para uma nova vida, situá-lo bíblica e teologicamente, e em Schoenstatt”. Também o bispo auxiliar, Michael Gerber, encarregado da Conferência Episcopal Alemã para o Diaconato Permanente, assim como o diácono Achim Jaskulski, presidente da Associação para o Diaconato Permanente, enviaram previamente saudações à comunidade.

O Pe. José Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt, disse em 1967: “Se existe na Igreja o diaconato permanente, existe também em Schoenstatt.” Este legado do Pe. Kentenich foi cumprido pelos membros fundadores da Comunidade de Diáconos Permanentes, disseram os diáconos Michael Ickstadt (Maguncia) e Bernhard Lippold (Erfurt).

O santo social

O diácono Brantzen classificou os desenvolvimentos na Igreja e na sociedade como tarefas e desafios, explicou o carácter espiritual da comunidade e deu uma perspetiva olhando o futuro: projetos como a Campanha da Mãe Peregrina, “Juntos pela Europa” ou a utilização dos meios digitais correspondem ao aberto e amplo sentimento das pessoas de hoje. Aqui se radica o principal anseio de Bernhard Brantzen. “A comunidade esteve no início mais concentrada no serviço litúrgico dos diáconos”, disse. Nos últimos anos ampliou-se o horizonte para o atuar diaconal para os necessitados em corpo e espírito. Para a Comunidade de Diáconos de Schoenstatt,  a “Peregrinação Isabel”, em 2007, com motivo do 800° aniversário do nascimento de Santa Isabel, foi um marco neste sentido. Sob o lema “O amor urge – com Isabel para os marginalizados”, mais de 300 pessoas, peregrinaram, quase todo o tempo sob uma chuva torrencial, desde Creuzburg a Wartburg, em Eisenach. O bispo de Erfurt, Joachim Wanke, foi o promotor. Os diáconos de Schoenstatt hoje sentem-se especialmente chamados às tarefas caritativas com os pobres e marginalizados da nossa sociedade, mas também da Igreja. Isabel, que sendo princesa, se dedicou aos pobres, é um exemplo especial para eles. Uma frase do fundador do Movimento apostólico de Schoenstatt, Pe. José Kentenich, apoia-os na sua missão. Como católicos, deveriam dedicar-se aos trabalhadores e aos pobres, e mostrar-lhes como experimentar o amor de Deus. A mensagem do Pe. Kentenich da jornada social do ano 1930, arde no coração de Bernhard Brantzen.

“Sabia que Carlos Ferré, da Argentina, publicou há anos um livro com o título ‘O santo social’, onde fala desta jornada e de muitos outros textos do Pe. Kentenich, em relação à doutrina social cristã?”, perguntei-lhe durante a entrevista telefónica. Na escola do Pe. Horacio Sosa, Carlos Barrio e Lipperheide trabalham sobre o mesmo tema, a partir da perspetiva de uma nova cultura do trabalho e da empresa. Bernhard Brantzen mostrou-se muito interessado.

 

Quarenta anos em movimento e a caminho

Durante a tarde, testemunhos contemporâneos falaram sobre a história e o desenvolvimento da Comunidade de Diáconos de Schoenstatt. O diácono Eugen Ennemose recordou os anos de fundação na década de ’70. “O novo nome para ‘direção espiritual’ e ‘apostolado’ é: entrar-em-conversação sobre o pessoal e o religioso”, disse o Pe. Herbert King, assessor espiritual da SDG, o qual descreveu assim o essencial dos projetos atuais. Na última intervenção, o Pe. Ludwig Güthlein, diretor do Movimento, resumiu porque se complementam bem a vida matrimonial e o diaconato: “Os casais são muito importantes como portadores do movimento apostólico e da vida de fé. Somos uma comunidade de comunidades e mostramos assim a colaboração das diferentes vocações”.

Em seguida, na Eucaristia, o diácono Bernhard Schuler, acentuou na sua homilia a ideia fundamental da SDG: “Há 40 anos puseram-se a caminho os diáconos, com as suas esposas e os seus filhos, para viver em atitude diaconal, juntos e uns para os outros, na comunidade do Movimento de Schoenstatt, e para servir a vida”.

E agora?

Quarenta anos da Comunidade de Diáconos de Schoenstatt é um marco no caminho, mas não um lugar de repouso. A abertura da sociedade, a questão social, a atitude e a ação do diácono: tem-se a impressão de que na realidade está agora a começar. Bernhard Brantzen quer estabelecer contactos, também para além da Alemanha e da Europa. Na América do Sul há uma incipiente busca de um lugar no Movimento para os diáconos permanentes. E há um diácono permanente schoenstattiano em processo de beatificação – apesar de nunca ter pertencido à comunidade de Diáconos, pertenceu à União de Homens. Mas empreendeu o caminho até às pessoas de acordo com a atitude diaconal.

 

Página web da Comunidade de Diáconos de Schoenstatt (em alemão)

Contacto:  [email protected]

Original: alemão. 23.01.2018. Tradução: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

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