Colocado em 20. Setembro 2017 In Casa Mãe de Tuparendá, obras de misericórdia, Projetos

Há um ano da abertura da Casa Mãe de Tuparendá

PARAGUAI, Ana María Mendoza de Acha, Presidente de Fundaprova •

Hoje faz um ano (22.08.2016) que inauguramos a Casa Mãe de Tuparendá (CMT). Foi uma linda manhã ensolarada, com a benção do Mons. Claudio Giménez, o acompanhamento do Ministério da Justiça e umas centenas de amigos que nos dão alegrias.

Não posso acreditar, nesse curto espaço de tempo, tudo o que acontece, a Casa avança muito mais rápido do que tínhamos programado. Me surpreende, ver a casa cheia de jovens, ao ponto de ter vários deles, em lista de espera; ser testemunha, de cinco formandos, que se encontram satisfeitos com eles mesmos e já encaminhados ao mercado de trabalho; contamos com uma excelente capacitação em ofícios como padaria, horta e agora iniciamos com a indústria têxtil.

Sem dúvidas  a conquista mais importante, é que um número importante de jovens, saídos dos reformatórios , hoje, encontram em esta casa, um “lar”.

A CMT é um lugar, onde eles podem sempre contar com ajuda, mesmo quando, por um mal comportamento, o jovem tenha sido afastado do programa, que por A ou B motivo, ainda não lograram corregir, esse tal comportamento. Eles sabem, o que significa, ir a “casa da Mãe”, um lugar, que sim, encontram exigências, mas em contrapartida, encontram também uma familia, “sua” familia, que somos todos nós, onde, nos olhamos de frente e todos os olhares dizem. “Você existe”!

Que importante é para eles essa acolhida, quando uma sociedade inteira se nega a vê-los ou conversar, porque são pobres, porque estão sujos, mal vestidos e além disso, não cheiram bem.

Firmeza e ternura

Graças a Diretora, a Psicóloga e a Assistente Social, se aplica diariamente a frase “Firmeza e Ternura, duas caras de um mesmo amor”.

Sem dúvidas, esta obra é da Mãe e quando eles chegam a esta casa, veem a casa da Mãe. É Ela que acolhe e educa, ainda que esta educação cause alguma dor.

Todo crescimento dói e valorizo muito quando logram as mudanças de comportamento, já que é um esforço enorme e que  realizam para romper o círculo vicioso da pobreza, do abandono e da criminalidade.

Os testemunhos são incríveis. “Aqui, aprendí não só a me profissionalizar, aprendi também a dizer: Por favor e Muito Obrigado” ou, Nhá (Senhora), me consegue um trabalho?… eu não quero mais roubar”.

Em nosso Programa, se menciona como principal objetivo, a reinserção do jovem na  sociedade, mas posso garantir que, na maioria dos casos, é uma primeira inserção. Nunca formaram parte da sociedade, nem do sistema. Muitos não conhecem  sequer um amoroso ambiente familiar,  bem conhecidos, sim, são os golpes com ferro ou qualquer outro objeto, capazes de extrair  dentes, em outros casos, também podem quebrar  cabeças, seguem assim; sem escolas, sem livros, sem jornais, nada que aporte algo positivo em suas vidas.

Aqui vivem

Como haveria sido, se eu tivesse nascido em algumas dessas casas?

Penso… como haveria sido se eu tivesse nascido em algumas dessas casas? E não duvido que a resposta seria: exatamente igual a qualquer deles. Claro! Se minha mãe, fosse a traficante do bairro, meu pai, o alcoólatra que rouba o que puder, se meu entorno esta rodeado pelo vício, eu não posso ser diferente.

Ao chegar, em pouco tempo, eles tem um rosto diferente, daquele día, quando ingressaram. Quando começam a utilizar os artigos de higiene, quando contam com apoio psicológico e espiritual, quando a asistente social, visita suas casas,  iniciando um trabalho, também, com a familia, se observa neles um semblante diferente. Sorriem, começam a ter confiança nas autoridades da Casa e lógicamente; sentem-se muito melhor! Eles tem, café da manhã , almoço e lanche, na casa. Conhecem o que é sentar-se em uma mesa limpa, com comida quente, onde também aprendem cidadania. E o melhor, é que cada um recebe o que chamamos um “bônus ” mensal, que é o equivalente ao salario de aprendiz, aproximadamente  R$ 500,00, para isso devem cumprir varios requisitos, para poder retirar o abono, ao final do mês,por essa razão, fica  até mais atrativo cumprir as metas.

Durante 10 anos, eu conheci essa realidade, visitando todas as penitenciárias do Paraguai. Como legisladora, só podia ajudar escutando-os e logo, incentivando as autoridades pertinentes a que realizassem as mudanças correspondentes, para não fazer desses lugares, verdadeiros infernos, como realmente são.

Agora, agradeço a Deus e a Mater, que me tenham utilizado, como instrumento, para que, com um grupo de pessoas maravilhosas que formam o Conselho, obviamente, juntamente com o Padre Pedro Kühlcke, vamos caminhando mais rápido do que pensávamos, rumo a novas metas, em benefício deles.

Assim, entendeu o Ministerio da Justiça, a quem agradecemos profundamente, por financiar-nos praticamente  90 % do orçamento, assim como aos formidáveis doadores, que nos apoiam de diversas maneiras.

 

Visita as familias dos jovens de CMT

Os rastros que deixo no mundo tem nomes e caras.

 

 

Aprendemos no Chile, que cada jovem recuperado, são 2 vítimas a menos nas ruas, por día. Quando  comentamos isso com nossos jovens, eles nos disseram, que aquí, eles cometem entre 4 ou 5 delitos por dia; sendo assim, são mais pessoas,  que salvamos, a cada día, em nossas ruas, graças ao trabalho de recuperação deles.

Salvo, algumas exceções, nós estamos convencidos  que a maioria deles, é tanto, ou igualmente vítima da nossa sociedade. Por isso, é trascendente que cada um de nós, pense na importância de fazer algo concreto, pelos outros, por mas ínfimo que pareça, para assim transformar vidas. A maior satisfação é para quem dá e não ao que recebe.

Nossa missão mais importante, não só como cristãos e sim como seres humanos, é deixar rastros em este mundo.

Estas marcas a mim, me emocionam, porque tem cara, nome e sobrenome.


Fotos: Ani Souberlich

Original: espanhol. Traduçāo: Glaucia Ramírez, Ciudad del Este, Paraguai

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