Colocado em 21. Junho 2017 In Missões

Vinte anos das Missões Familiares Schoenstatteanas em Paraguai

PARAGUAI, Silvia Máas •

As Missões Familiares Schoenstatteanas surgem a partir de uma Jornada de Arranque da União de Famílias em Tupãrenda em 1997, na qual um grupo de Comunidade Oficial recebe a missão de averiguar sobre as Missões Familiares Católicas, que se realizavam em Chile há muitos anos, com o acompanhamento do Padre Hernán Alessandri, seu fundador.

Aprendendo em Chile

Nossa família viajou em março deste mesmo ano a Chile, para saber mais sobre a metodologia utilizada e, se era factível, com a ajuda da Mater, iniciar um grupo que pudesse realizar missões em família no Paraguai. Os matrimônios missionários da União de Schoenstatt em Chile que conhecíamos nessa época, não podiam compartilhar conosco porque estavam participando de um Capítulo, mas nos sugeriram falar com seus filhos, jovens que já haviam saído a missionar durante muitos anos.

E realmente fomos muito abençoados. O grupo de jovens chilenos nos recebeu muito amavelmente. Conversando com eles, nos contaram como nasceu as Missões Familiares Católicas (MFC) e como se realizavam as distintas atividades próprias da missão. O que os preocupava era a data que havíamos escolhido para iniciar a primeira missão: o mês de julho deste mesmo ano. Achavam que era muito pouco tempo para que nos organizássemos. Julho nos parecia um mês especial, por três razões: a temperatura era ideal pois não haveria tanto calor nem tantos mosquitos; era tempo de férias de inverno e os jovens poderiam participar sem faltar as aulas, e por último, a escola do lugar onde nos alojaríamos estaria disponível para se converter em nosso lar.

Os jovens chilenos rapidamente se entusiasmaram com a ideia e, demostrando grande generosidade, decidiram vir para nos ajudar. Isto deu o impulso para que, mais adiante, jovens de Paraguai também fossem a outros países para fundar e missionar.

Quando regressamos havia muito para organizar: informar ao Conselho o resultado da visita, buscar matrimônios que quisessem lançar-se a esta maravilhosa aventura de levar Cristo e Maria a todos os rincões da Pátria, falar com o Bispo, visitar o lugar escolhido, e entusiasmar um grupo de jovens que não sabia nada sobre as MFC (Missões Familiares Católicas).

Santiago de Misiones – nas pegadas dos jesuítas

De mãos dadas com Maria, todas as portas começaram a abrir-se. No primeiro retiro da União neste mesmo ano, convidou-se todos os participantes para formar parte desta experiência, que logo teria uma repercussão Nacional.

Monsenhor Claudio Giménez, Bispo de Caacupé, nos deu a oportunidade de escolher entre os povos fundados pelos jesuítas. Depois de muita oração, o Espírito Santo escolheu a localidade de Santiago de Misiones como o lugar onde aconteceria esta experiência de família.

A partir de uma comunidade que buscava maneiras de levar a fé e o Evangelho para a vida, especialmente em seu aspecto familiar, nascem as primeiras Missões Familiares Schoenstatteanas em Paraguai, com as seguintes famílias fundadoras:

  • Gerardo Delfino e Josefina Pfanell, com dois filhos Gerardito e Maria José,
  • Guillermo Leoz e Marité Callizo, com seus filhos, Mauricio, Maria Eugenia, Guillermo, Sebastián e Ignacio,
  • Arturo Diez Pérez e Maria Elsa Gómez, com seus filhos Arturito, Lucia e Pacita,
  • Babio Sallustro e Ivonne Callizo, com seus filhos Valentina, Laura, Alejandro Octavio e Juan Pablo e
  • Carlos Raúl Ayala e Silvia Máas, com seus filhos Carolina, Maria Silvia, Maria Belén, Carlitos e Ignacio

Fomos acompanhados pelo Padre Ludovico Tedeschi e o então seminarista Cruz Viale. O Padre oficiava a missa todos os dias na capela da missão antes de sair para missionar. Também confessava aos jovens, levava a comunhão aos enfermos, e participava das reuniões que se realizavam a noite. Nestas, avaliava-se o dia e se preparava o dia seguinte.

Formou-se um grupo tão lindo que todos nos sentíamos como uma grande família. Igualmente, houve um reencontro mais profundo em cada família, de filhos com pais e também no matrimônio. Formou-se uma comunidade muito especial entre os matrimônios e os jovens que realizaram as missões juntos. Uma aproximação especial que ainda se mantem no tempo. Viveram-se momentos nos quais, sem dúvida, houve um grande presente do Espírito Santo. A missão foi uma experiência de fé, da realidade nacional e de Deus, de sua força e de seu amor. Experiência que esteve marcada pelo caráter familiar. Quanto aprendemos a confiar no Senhor e quanto nos volta a surpreender cada ano! Esta experiência se viveu e contagiou, já que mais adiante as Missões Familiares cresceram.

Vinte anos da primeira missão

As famílias que participaram, os jovens que se inscreveram como filhos adotivos e os sacerdotes que nos acompanharam, temos a bênção de celebrar neste ano 2017, 20 aos da primeira Missão, completando a fundação de 10 Missões em Paraguay. Tanto missionários, jovens e crianças desta primeira Missão, continuam missionando hoje com suas próprias famílias, filhos e até netos.

Os primeiros chefes juvenis foram Víctor Brusquetti e Maria Silvia Ayala. Os responsáveis pela Liturgia foram Josefina Pfannel e Carolina Ayala. A coordenadora da Matinê foi Maria Silvia Ayala e um grupo de 9 missionários. O coordenador do teatro foi Mauricio Leoz. E os chefes gerais das Missões Santiago foram Silvia Máas e Carlos Raúl Ayala.

Os Missionários chilenos que nos acompanharam, foram os irmãos Raúl e Maria Isabel Ventura, Paula Willumsen, José Luís Rosso, Juan Andrés Salas e Tere Divin.

E os muito queridos filhos adotivos, Dulce Duarte, Bettina Masulli, Sandra Borgoñon, Manuel López, Natalia Cárdenas, Vanesa Luvían, Mariela Díaz, Carina Díaz, Maria Lilia Robledo, Javier Rugel, Lizzie Martines, Michael Bareiro, Jazmín Gústale, Santiago Gíral, Claudia Sánchez, Margarita Ruiz Díaz, Raquel Fernández, Luís Ávila, Luis Ayala, Rodrigo Ayala, Adriana e Norita Cáceres, Bochi García, Patrícia Escobar e Ana Laura Rivarola.

Eu sou o coração da Missão

A simplicidade de nossa Mãe Maria foi o fio condutor que havíamos escolhido para nos acompanhar. Simplicidade nas vestimentas, alimentos, nas atividades, nas diversões e no tratamento as pessoas que visitávamos. O hino de nossa Missão foi “O Salmo à criação” e nosso lema “Eu sou o coração da Missão”.

Também nossa capela brilhava por sua simplicidade. Durante a primeira missa de envio, a presença do Espírito Santo era palpável, os jovens saiam entusiasmados para missionar nos lares de Santiago. Nossa Mãe nos mostrava o caminho e o Espírito de Deus, as palavras que devíamos dizer. Um lindo coro, em que todos cantavam, acompanhava as missas, e nossa capela se converteu no lugar preferido por jovens, adultos e gente do lugar. Rezava-se o rosário ao Espírito Santo, e as serenatas para a Mater duravam até bem tarde as noites.

As famílias visitadas não podiam acreditar que eram católicos aqueles que missionavam e nos recebiam com muito carinho. Ao ver a imagem da Virgem Maria com que lhes presenteávamos, nos abriam as portas de suas casas e de seus corações. Podia-se sentir que cada visita era una bênção, não apenas para os que recebiam a visita, mas especialmente para os missionários.

A primeira reunião para os jovens de Santiago foi algo inesperado até para os próprios missionários chilenos. Cada vez chegavam mais e mais jovens. Durante 3 noites de palestras participaram entre 60 e 70 jovens além dos missionários. Tínhamos um tema por ano. No primeiro falou-se e compartilhou-se sobre a família e no segundo ano sobre a Missa. Tudo finalizava com uma bela noite de meditação diante do Santíssimo Sacramento na igreja do lugar. O comparecimento também foi grande nas reuniões para os adultos, a catequese, a matiné e o teatro, onde se apresentou a obra de Mario Halley Mora, “El Solterón”. Também pudemos participar da celebração da missa, a festa patronal de Santiago e desfrutar das galas dos ginetes.

No ano 1998, 2° ano de Missão, o Padre Ludovico convidou uma família de La Plata, Argentina. Maria Eugenia e Daniel Peredo viajaram com seus filhos Juan, Maggie, Laura e Joaquina (que fez a primeira comunhão na capela das missões). Esta família fundou, em janeiro de 1999, as Missões Familiares Católicas Argentinas, com a colaboração da Família Delfino de Paraguai. Também das Missões Familiares de Paraguai nasceram as do Brasil e Espanha.

Também tivemos a felicidade de ter como missionários os jovens que mais tarde se tornariam nossos sacerdotes de Schoenstatt, como o P. Pedro Miraballes, P. Pope Pereira, P. Oscar Saldivar e P. Santiago Cacavelos.

Missões familiares 2016

Original: Espanhol. Tradução: Lena Ortiz, Ciudad del Este, Paraguai

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