Colocado em 7. Dezembro 2017 In Casa Mãe de Tuparendá, obras de misericórdia, Schoenstatt em saída

Na alma deste menino ficava a primeira comunhão na Cadeia de Menores e um testemunho

PARAGUAI, Pe. Pedro Kühlcke e Maria Fischer •

Ela nos prometeu naquele dia 18 de outubro de 1914: atrairei a mim os corações juvenis. Então, quando nós provamos com ações concretas que realmente a amamos? Quando saímos para levar a aliança de amor, como aliança solidária, desde o santuário até as periferias. Quando abrimos nosso coração e permitimos que em nossos abraços, em nossas palavras, em nossas ações, e sim, em nossas doações materiais, Ela, a Mãe de todos os homens e especialmente dos mais feridos, abandonados, esquecidos, pode tocar corpos e almas dos irmãos de Jesus…

É um salto da fé. É nisso que acreditamos: o que investimos dará seus frutos. Quanto nos dói quando um jovem delinquente que abraçamos volta a roubar; quando o menino que levamos ao colégio volta às ruas; quando a droga, o álcool, as ruas, o dinheiro… são mais forte que toda nossa solidariedade e amor. Quanto nos é difícil, às vezes, acreditar que nada do amor presenteado ficou marcado na Pastoral Carcerária, nas Casas de Jovens, nas casas de Maria Ajuda, nas 100 Casas Solidárias, na Casa Mãe de Tuparendá, na pastoral das vilas, nas missões nos lugares mais pobres.

Acreditamos. Às vezes, somos presenteados em experimentar isso como aconteceu há uma semana em uma Missa dos jovens na Casa Mãe de Tuparendá no Paraguai, jovens que depois de sair da Cadeia de Menores recebem – graças a contribuições econômicas do Ministério da Justiça, o trabalho profissional e solidário de schoenstattianos e algumas doações – uma segunda e, em muitos casos, a primeira oportunidade para uma vida digna.

 

Bem-vindo outra vez

Conta o Padre Pedro Kühlcke:

“Gostaria de lhes contar um pequeno testemunho que ouvimos justamente na terça-feira, há uma semana. Estávamos na missa no Santuário com os meninos da Casa Mãe de Tuparendá. De repente se abre a porta no meio da missa. Entra o segurança da entrada e traz um menino sujo, com as roupas bem rasgadas, parecia ser conhecido, mas não conseguia lembrar quem era.

Enfim, ele ficou toda a missa ali, então, alguém me contou que no meio da missa começou a chorar e depois da missa fui conversar com ele. Era Pepito, que tinha ficado na Cadeia de Menores em Itaguá em 2015, inclusive tinha feito a primeira comunhão conosco e se lembrava perfeitamente. Depois, fez 18 anos e teve várias entradas na cadeia de Tacumbú, sempre por causa das drogas; e agora tinha saído de Tacumbú alguns dias antes e apareceu em Tuparendá.

E lhe perguntei como conhecia aqui. Porque em 2015 nós tínhamos acabado de começar a sonhar com o que hoje é a Casa Mãe de Tuparendá.”

O testemunho de Pablito

Foi justamente a experiência na Pastoral Carcerária em Itaguá que despertou o sonho de oferecer algo para os jovens que saíssem da cadeia, quase condenados a voltar, pois não tinha ninguém que lhes ajudava a iniciar uma vida diferente da dos roubos para sobreviver nas ruas.

 

Missa na Cadeia de Menores em Itaguá

Transformação

Continuou contando o Pe. Pedro: “Então, ele me contou que em Tacumbú, na última entrada que teve, esteve com um menino chamado Pablito, que lhe contou maravilhas de Tuparendá.

Pablito é um menino que esteve 15 dias na Casa Mãe de Tuparendá, depois, no fim de semana teve uma recaída, fez besteira e voltou a entrar na cadeia”. Tudo o que foi investido na Casa Mãe de Tuparendá, todo o amor, todo o esforço foi em vão, assim parecia.

Era tudo ao contrário.

“Mas, observem que foram 15 dias e mesmo sendo só estes 15 dias que esteve na Casa Mãe, deixou marcas na alma deste menino a tal ponto de ele comentar a outro menino (Pepito) e este veio a Tuparendá com muita esperança, dormindo na rua. Contou que não tinha contato com sua família, pois tinha feito tanta besteira que não tinha coragem de ir para casa e preferia dormir na rua.

E lhe perguntei, como chegou, como encontrou Tuparendá?

Contou que veio caminhando pela Ruta 2 e desde o km 25 começou a perguntar onde ficava Tuparendá e caminhou até chegar lá.

Observem o que fizemos. Mesmo sendo meninos que estiveram só 15 dias aí, algo ficou marcado na alma, e na alma deste menino tinha ficado a primeira comunhão em Itaguá, graças à nossa equipe da pastoral carcerária, ficou o testemunho de um menino que esteve 15 dias só na casa Mãe de Tuparendá”.

É possível imaginar o que passa na alma de um jovem que recebe, todo sábado na Cadeia de Menores, um lanche gostoso, milhares de abraços, tempo para falar, um ombro para se apoiar e chorar, e o carinho de Jesus e a Mãe nos sacramentos?

É possível imaginar o que acontece na alma de um jovem que vive nove meses na Casa Mãe de Tuparendá?

É possível imaginar o que Ela, a Mãe de todos os homens, faz com o tempo, o amor e o cansaço, o dinheiro oferecido com o capital de graças para estes jovens?

“Quero agradecer a todos vocês, porque não imaginam quantas sementes plantadas, quantas marcas positivas vocês deixam em tantas almas”, disse o Pe. Pedro aos colaboradores e benfeitores da Pastoral Carcerária e da Casa Mãe de Tuparendá.

 

Dois “Ex-CMT” com o Pe. Pedro

Faça sua doação

Para a Pastoral Carcerária

 

Para a Casa Madre de Tuparendá

A parábola do juízo prossegue, apresentando o rei que afasta de si quantos, durante a própria vida, não se preocuparam com as necessidades dos irmãos. Também neste caso, eles ficam surpreendidos e perguntam: «Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão, e não te socorremos?» (v. 44). Está subentendido: “Se te tivéssemos visto, certamente ter-te-íamos ajudado!”. Mas o rei responderá: «Todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim mesmo que o deixastes de fazer» (v. 45). No final da nossa vida, seremos julgados sobre o amor, ou seja, sobre o nosso compromisso concreto de amar e servir Jesus nos nossos irmãos mais pequeninos e necessitados. Aquele mendigo, esse necessitado que estende a mão é Jesus; aquele doente que devo visitar é Jesus; esse preso é Jesus; aquele faminto é Jesus. Pensemos nisto!

 

Papa Francisco, 26. 11.2017

Original: espanhol, 26.11.2017. Tradução: Isabel Lombardi, Guarapuava PR, Brasil.

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