Colocado em 3. Dezembro 2017 In José Kentenich

O Ano do Padre Kentenich, um novo advento

Pe. Guillermo Carmona •

Em breve começaremos o tempo do Advento. A Virgem está a caminho. Ela é como um cálice cheio do Altíssimo. Ninguém sabe, a não ser José, a sua prima Isabel, o seu esposo Zacarías e talvez mais algumas pessoas. O resto da humanidade e os judeus de então não sabiam; desconhecem o mistério que se gera no seu ventre e, por isso, não haverá morada para eles em Belém. Que tristeza não descobrir a presença de Deus quando nos vem visitar!

Nós, schoenstattianos, deveríamos viver com especial dedicação e alegria cada advento. “Deus está infinitamente próximo” (Santo Agostinho) e é bom que a sua chegada NÃO nos surpreenda, ocupados com os mil afazeres de fim de ano. Os textos bíblicos induzem-nos a limpar a nossa casa interior -casebre pobre mas digno-, enfeitá-la e transformá-la num santuário, o Santuário coração. Para nos prepararmos é preciso saber que Deus visita-nos sempre naqueles que o representam e o tornam próximo: os doentes, os pobres e desvalidos, as crianças. Qualquer favor que se lhes fizer fazêmo-lo a Ele; Jesus não dirá o mesmo dos ricos e poderosos, talvez porque o subentendia (todos somos filhos do mesmo Pai…) apesar de seguramente não ter sido esse o motivo da omissão.

O Pai Fundador, a quem recordámos dias atrás no seu dia natalício, dizia-nos que a vida é um permanente advento e natal: Deus vem até nós na alegria e tristeza, no amor e na doença, num filho que regressa, no abraço e numa criança que acaba de nascer. Por isso a vida não é mais que esperar e descobrir Deus, “até que Ele venha” (João 21,22).

Há dois símbolos que a Liturgia nos convida a utilizar no Advento: um é o caminho que há que preparar para quando Ele chegar; o outro é o caminho que cada um deverá percorrer, “caminho novo, viajante novo, canto novo” diziam os Padres da Igreja.

Por isso, cada advento é uma exortação a endereçar o caminho, ou ao dizê-lo com a nossa frase síntese, a viver uma “Aliança que transforma”. Por outro lado, há que ser um peregrino, sem deixar de ter a lâmpada acesa e com suficiente azeite – capital de graças – e ter preparado as vestes nupciais – tecidas pelos atos de amor – que nos permitirão receber este Natal e sentarmo-nos um dia na Mesa grande do Reino.

Este “Ano do Padre Kentenich” é também um novo advento. Ele, que já o viveu e hoje partilha o Natal do céu, convida-nos a viver com uma enorme esperança. O seu último escrito tem o lema para sempre: “alegres na esperança, seguros da vitória, vamos com Maria para os novos tempos”  (mensagem final para a reunião dos católicos em Essen, 1968). A esperança é a virtude que se fundamenta nas promessas de Deus; por elas, caminhamos na confiança posta em quem jamais engana. Esperar não é ficar de braços cruzados à espera que aconteça o milagre: é ir juntos ao Santuário, vigiar, purificar o coração de rancores, de maus sentimentos e deixar que o presente de Jesus – o “nada sem Ti” – encontre em cada um – “nada sem nós” – a vivência da reconciliação, a paz e a alegria.

Recordo uma pergunta que o Pe. Esteban Uriburu costumava fazer muitas vezes à Mater: “Em que queres que te ajude hoje Mãezinha?”. É uma boa pergunta para os dias do advento.

Queridos irmãos, Deus já vem, está próximo; vamos encontrá-lo em qualquer esquina e, sobretudo, no Santuário filial e nos Santuários Lar. Talvez Ela não fale demasiado porque está concentrada e a adorar o Filho que vai nascer; mas olhar-nos-á nos olhos e o seu olhar cativar-nos-á, como no primeiro dia em que a conhecemos, e continuará a fazer-nos apaixonar.

Desejando-lhes um abençoado dia de Aliança abençoou-vos e acompanho-vos.

Pe. Guillermo Carmona, Diretor do Movimento da Argentina, Carta de Aliança 18.11.2017

Original: espanhol. Tradução: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal


 

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