Colocado em 23. Julho 2017 In José Kentenich

Uma passadeira vermelha para o Padre Kentenich no aeroporto Los Cerrillos

CHILE, Ir. Jimena Alliende •

A meio da manhã de 23 de Junho de 1947, o Padre José Kentenich, Fundador da Família de Schoenstatt, acompanhado pelas Irmãs, M. Ursula e M. Candida, embarca num avião em Buenos Aires com destino a Santiago do Chile.

Ao sobrevoar a Cordilheira dos Andes, de repente, o avião caiu num poço de ar. Ao retomar, de novo, a altura, o Pe. Kentenich perguntou às Irmãs:

– Bem…o que pensaram vocês? Assustaram-se? Sentiram angústia?

– Não…-responderam as Irmãs-…angústia…nenhuma…caiu tão rapidamente para baixo que…

– E, porque não? Perguntou o Pai.

– Porque tínhamos a consciência de que o Pai estava connosco.

A seguir a uma pausa, o Pai respondeu:

– Dão-se conta, o mesmo acontece na nossa vida. O Pai do Céu está sempre connosco: não temos razão para nos angustiarmos.

Onze anos à espera… Por fim chegava o Pai!

Havia onze anos que as primeiras Irmãs de Maria tinham chegado ao nosso país e oito anos que, todo o contacto com ele tinha sido interrompido. Tinham sido longos anos de entrega, de saudade, de silenciosa espera. E, agora, dentro de alguns momentos, parecia que, por fim, chegaria o Pai!

O avião que o traz, aterra no aeroporto de Los Cerrillos, ao meio dia e meia. O Pai tinha passaporte diplomático outorgado pela Santa Sé. A Alemanha, nos anos posteriores à guerra, ainda não tinha representações diplomáticas. Por esse motivo, a sua chegada ao nosso país recebe o tratamento especial concedido aos diplomatas. Uma passadeira vermelha, desde a escada do avião até ao edifício central do aeroporto, espera os seus primeiros passos em terra chilena. A porta do avião abre-se e aparece a sua figura paternal: com um largo chapéu negro, uma pequena barba grisalha, com um impermeável de côr clara. Não há dúvida. É o Pai que visita os seus filhos!

No local reservado aos diplomatas, esperam-no cinco daquelas Irmãs de Maria que, ele próprio, tinha enviado para o Chile para proclamarem a sua mensagem de Aliança. Também o esperam oito Padres Pallottinos. Uma chegada, umas calorosas e triunfais boas-vindas! O Pai chegou! Com um largo sorriso, um cordial apertão de mãos e o seu paternal “Nos cum Prole pia”, parece entregar-se totalmente à sua nascente Família chilena, representada por aqueles sacerdotes e pelas Irmãs. A sua bagagem não foi revistada.

Os jornalistas abrem a Schoenstatt o caminho da publicidade

A sua chegada ao Chile tinha sido anunciada nos dias anteriores pelos principais jornais da capital. Assim, à saída do aeroporto, estavam à sua espera representantes dos meios de comunicação. Fotografias e perguntas dos jornalistas abriam a Schoenstatt o caminho da publicidade. A esse respeito, o Pai se referirá numa conversa:

Desde o princípio até ao fim, a minha visita ao Chile teve um marcado cunho público. Todos os meus esforços para evitar a atenção da imprensa, tiveram fraco resultado. Um jornalista pediu-lhe para contar alguma anedota da sua vida. O Pe. Kentenich respondeu-lhe que a vida na Alemanha era demasiado triste e difícil, para haver anedotas. Contudo, sorrindo contou-lhe o seguinte:

Pouco antes de vir para a América do Sul, ia de automóvel pelas ruas de Berlim. Ao pararmos numa esquina, aproximou-se de nós um soldado norte-americano. Faz-me sinais de querer oferecer-me alguma coisa. Pensei que me daria alguns cigarros que, hoje, na Alemanha são uma pequena fortuna. Recebo o seu presente. È uma lâmina de barbear…rimos os dois com muita vontade; a minha barba, uma vez mais, tinha chamado a atenção.

Vim para renovar a nossa consciência de missão…

A D. Perpetua Freire de Valdez tinha posta à disposição das Irmãs o carro e o motorista para que fossem buscar o Pai. Nele, o Pai é levado para a Casa do Seminário Pontifício de Santiago, localizado na rua Seminario, 36. Aí, as Irmãs tinham-se esmerado a preparar-lhe um quarto. A entrada da Casa tinha sido ornamentada com flores, grinaldas, bandeirinhas e uma passadeira. Mal chegou a casa, o Pai dirigiu-se à Capela do Seminário. Frente ao Santíssimo, com os Padres Pallottinos e as Irmãs presentes, entoa com gratidão o cântico de Maria, o Magnificat.

Este encontro é um presente, é um triunfo da fidelidade à Aliança. Bem o merecemos… A seguir, com voz de pai e de profeta que, se sabe portador de uma grande missão, expressa:

Vim trazer fogo à terra e, não quero outra coisa senão que, arda…Vim para renovar a nossa consciência de missão…

70 Anos da fundação de Schoenstatt no Chile

A seguir, o Pai lembra que, em Dachau, tinham fundado a “Internacional de Schoenstatt” e, que a sua presença no Chile, era um dos seus frutos. Diz-lhes que parecia que a Santíssima Virgem queria que saísse de Schoenstatt e viajasse pelo mundo que, Dachau o rejuvenesceu como nunca até então e que as suas viagens não se deviam, apenas, à gratidão, mas a mais alguma coisa, pois há momentos em que a gente se deve decidir:

Agora não resta outra coisa a fazer senão um esforço supremo, empenhando todas as nossas forças na luta contra o colectivismo. Estas palavras foram reproduzidas pelo Diario Ilustrado do dia seguinte, 24 de Junho. Desde o princípio, a visita do Padre Kentenich teve um cunho público e, ele compreendeu a voz de Deus: era o momento de Schoenstatt estar presente na luz pública.

Poucos dias depois chega a Valparaíso e funda oficialmente o Movimento no Chile.

Fonte: Revista Vínculo, Chile,  Junho 2017

Original: espanhol (21/6/2017). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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