Colocado em 7. Novembro 2017 In Dilexit ecclesiam

Um Papa que está muito próximo de Jesus

ENTREVISTA ao Reitor Egon M. Zillekens

De segunda-feira, 23 de Outubro de 2017, atá sexta-feira, 27, os membros da Presidência Geral estiveram em Roma, a celebrar a sua Jornada anual de encerramento. Já foi publicada uma informação oficial do encontro com o Cardeal Farrel. Circulam pelo mundo fora as fotografias do encontro com o Papa Francisco (do Osservatore Romano), durante e depois da Missa em Santa Marta, acompanhadas  do texto da Homilia. O Pe. Egon Zillekens pôs-se à disposição de schoenstatt.org para uma entrevista, logo a seguir ao seu regresso de Roma.

Como viveu o encontro com o Cardeal Farrel, presidente do Dicastério para os Leigos, Família e Vida? Para si o que foi o mais importante?

O Cardeal Kevin Farrel não conhecia Schoenstatt; essa foi a primeira surpresa. Não se cruzou com Schoenstatt durante a sua actividade como sacerdote e Bispo em Washington e Dallas.

Quando nos apresentámos e lhe apresentámos as nossas Comunidades, impressionou-me especialmente, como falou sobre o objectivo e a tarefa de preparar os leigos para o seu trabalho na Igreja. E disse: “foi o grande objectivo do Concílio e vocês reconheceram-no e tiveram-no em conta, em Schoenstatt, há cem anos”. O presidente do novo Dicastério para os Leigos, Família e Vida disse no seu primeiro encontro com Schoenstatt: “o Pe. Kentenich antecipou-se ao Concílio”.

Expôs muito claramente que a Igreja trata-se de leigos e famílias. Pois, trata-se de uma Igreja, na qual há cada vez menos sacerdotes e que tem que se posicionar e agir no mundo, cada vez mais, com base na convicção pessoal e na decisão individual de cristãos.

Falou da sua própria família, provavelmente os filhos ainda vão à Igreja mas, e os netos? Isto, já foi vivido por nós todos.

Por isso, o Papa Francisco insistiu, constantemente, durante três meses: os leigos, a Juventude e as famílias.

O Cardeal Farrel ouvia com muita atenção, quando as nossas Famílias da União e do Instituto falaram sobre as suas iniciativas no âmbito do casamento e da família. Disse-nos: é importante a preparação para o casamento, o acompanhamento dos casais e a formação de treinadores familiares, porque “nós, os sacerdotes, somos pouco credíveis na preparação e acompanhamento de casais” e, por isso, deveriam ser “casais quem prepare os noivos” e estes casais precisam de uma preparação e acompanhamento, para poderem acompanhar outros. Impressionou-me muito quando disse que o maior “pecado” da Igreja desde o Concílio foi não ter formado e acompanhado suficientemente os casais.

Um dos presentes que entregámos ao Cardeal, foi o livro do discurso do Papa Francisco, na Audiência de 25 de Outubro de 2014, em espanhol e em inglês. Nessa altura e dentro do tema “Família”, o Papa recomendou-nos pontos muito concretos que, o Cardeal mencionou neste encontro.

Mais tarde, demo-nos conta que estávamos com o Cardeal Farrel precisamente no aniversário da Audiência com o Papa, 25 de Outubro, três anos depois.

Foto: Zillekens

Como foi ter durante o encontro o “nosso” Pe. Alexandre como Secretário do Dicastério?

Foi uma coisa especial. O Pe. Alexandre saiu ao meu encontro logo que chegámos e isso foi para mim bastante familiar, visto que, nos tínhamos reunido em finais de Agosto e tínhamos falado do seu novo cargo. A seguir ao encontro com o Cardeal, estivemos no gabinete do Pe. Alexandre e visitámos juntos a linda capela, na qual está uma preciosa relíquia do sangue do Papa João Paulo II.

A representação, atrás do Altar da capela, de uma semente brotando que produz ricos frutos ajusta-se exactamente a este lugar.

 

Pessoalmente, como viveu o encontro com o Papa Francisco?

Chegámos às seis da manhã e ainda estava tudo fechado. A essa hora não havia trânsito em Roma, a viagem de Belmonte para o Vaticano foi feita em 25 minutos. Às seis abriram-se as primeiras barreiras em frente da porta, começaram os usuais controlos e às seis e meia entrámos na capela. A primeira surpresa e alegria que tive foi o encontro com o Director Executivo de Adveniat, o Pe. Michael Heinz SVD e o seu antecessor, Bernd Klaschka. Com ele fui missionário na América Latina. Naturalmente, surgiu na conversa a menção ao seu predecessor, o Padre de Schoenstatt Dieter Spelthahn. Quando esteve como jovem sacerdote em La Plata, veio o Pe. Juan Pablo Catoggio para Schoenstatt – aí se estendeu a ponte. Tinham chegado cerca de 15 sacerdotes para a Missa e três Bispos. Os encarregados da ordem indicaram-nos os nossos lugares e deixaram muito claro que já não se podia tirar fotografias. Um dos encarregados da ordem convidou o Sr. Kanzler e o sr. Neiser para o “piccolo servizio” que era levar ao Altar, durante o Ofertório, o vinho e a água e encarregaram-nos do lava-mãos. Houve muitas piadas, depois, durante o pequeno-almoço que, agora, já eram “clericetti”, pequenos clérigos – e nenhum dos dois tinha sido Acólito.

Depois ficámos à espera do Papa…

Como experimentei o Papa? Em muitos aspectos diferentes.

Um sacerdote reflexivo, que está muito perto de Jesus

O Papa saiu da Sacristia para a Missa, um pouco encurvado, com passos pesados, tão discreto e humilde como um simples irmão. Torna-se tão próximo pelas muitas coisas que se publicam e que partilhamos.

Pensei no seu comentário anterior ao Conclave, disse que a seguir ao Papa viajante e ao Papa erudito, devia vir um Papa que pusesse em prática as coisas e estivesse muito perto de Jesus.

Então, dirigiu-se ao ambão e lá, converteu-se noutra pessoa:

Cheio de vida, pastoral, apaixonado – o Pároco de Santa Marta

Fala livremente sobre os textos das Leituras do dia e ganha vida como um Pároco que fala a uma Paróquia familiar. O Osservatore Romano chama à secção com os textos das suas Missas matinais “O Pároco de Santa Marta”. É correcto, está cheio de vida, apaixonadamente pastoral.

Seguiu-se uma celebração Eucarística muito reverente e piedosa, em paz e cheia de emoção e, a seguir, uma longa Acção de Graças, durante a qual o Papa se senta com a sua túnica branca numa cadeira singela com a vista pousada na Imagem da Santíssima Virgem. Todos ficamos muito calados, especialmente o homem que, de repente, tinha o Papa sentado ao seu lado!

E também o cumprimento do dever

Depois da Missa o momento em que o Papa aperta a mão a cada um. Estão dois fotógrafos e o Papa vê-se (como poderei dizê-lo?) arrastado para o local onde deve colocar-se, para que todos façam uma fila para o beija-mão. Deu-me a impressão de um acto de cumprimento do dever, que tantas vezes o Papa tem que fazer.

Chegaram os encontros pessoais e o tempo deteve-se

Ele ouve cada um, tem um tempo para cada um. Nós, os schoenstatteanos deixámos passar os outros e esperámos, mas ficou muito claro para nós: todos chegam ao Papa.

O primeiro foi o Pe. Juan Pablo Catoggio, houve um abraço cordial e amistoso. Ofereceu ao Papa um “Rumo ao Céu” em espanhol e um postal que todos tínhamos assinado.

Eu fui o segundo ou o terceiro. Levava o livro “Maria é minha mãe” em alemão, estendi-lhe a mão, olhei-o nos olhos. Pus o livro à frente e disse-lhe em espanhol: “Também o temos em alemão, traduzimo-lo”. Houve um instante de silêncio, olhou para o livro detidamente, creio que sabia que livro era. Fez uma pequena reverência e disse em alemão: “Danke schön”. Foi tudo muito espontâneo e próximo.

Quando já todos lhe tinham apertado a mão, quisemos fazer uma fotografia de grupo com ele, o Papa aceitou com gosto.

O Papa disse no fim: “Rezem por mim” e uma, da presidência, disse: “Fazêmo-lo na realidade”. Foi muito engraçado, todos se riram, também o Papa Francisco se riu com gosto e no meio dos risos a pergunta: “a favor ou contra mim?”. Então houve uma grande gargalhada.

Fiz-me imediatamente a pergunta: Porque nos diz isto precisamente a nós? Foi apenas uma brincadeira ou é mais qualquer coisa? Senti-me aludido com a pergunta, para mim foi mais do que uma brincadeira ou um modo de falar.

A seguir, estivemos com as Irmãs de Maria no Santuário Cor Ecclesiae e cantámos agradecidos o Magnificat. As Irmãs obsequiaram-nos com um magnífico pequeno-almoço.

Foto: Osservatore Romano

Houve mais encontros nessa semana?

Sim. Fomos convidados pela Comunidade de Sant’Egídio e fomos recebidos pelo seu Secretário-geral, Cesare Zucconi. É surpreendente o que consegue esta jovem Comunidade – foram os organizadores do Encontro Mundial para a Paz “Paths of Peace”, em Münster, ao qual assistiu a Chanceler Merkel. Esta Comunidade negociou estados de cessar-fogo e negociações de paz e foi a voz dominante na erradicação da pena de morte e da política para os refugiados. O seu compromisso político é só uma parte. Por detrás da ideia da amizade com os pobres e, mais concretamente, com a condição de que cada um tenho um amigo entre os pobres. Isto só se consegue com a oração, a oração diária à noite. Na realidade, a oração é fundamental em Sant’Egídio, uma Comunidade que, como Schoenstatt, foi fundada por jovens.

Apercebi-me claramente da amizade entre o Pe. Cesare e o Pe. Heinrich Walter que trabalham desde há anos em “Juntos pela Europa”. Impressionaram-me também as salas do antigo convento que serve de lar a Sant’Egídio.

Chamou-me a atenção a proximidade e também a diversidade dos nossos Movimentos.

Pessoalmente, trouxe comigo uma frase do Pe. Cesare: “Tudo funciona apenas com o diálogo”.

 

Foto: Zillekens

Pessoalmente, como viveu Belmonte? Faltam poucas semanas para a inauguração da Casa de retiros

Desta vez já pudemos viver na Casa e estivemos muito bem.

Todas as noites havia Adoração no Santuário.

Na última noite o pequeno Movimento de Schoenstatt de Belmonte preparou uma Vigília mariana e, a seguir, houve um serão com música de piano, baile, cânticos, vinho e pizza. Também estava presente o Bispo da Diocese de origem do Reitor, Marcelo Cervi, e também os seus pais. Houve um ambiente muito bom e relaxado e, assim vivemos estes dias em Roma, todos os da Presidência Geral, num ambiente bom e aberto.

No dia 26/10/2017 completaram-se exactamente 52 anos da visita do Pe. Kentenich ao terreno e, por essa razão, foi lido um texto do Bispo Auxiliar Tenhumberg.

Foto: Zillekens

Que assuntos se tratam habitualmente numa Jornada de encerramento da Presidência Geral?

Haverá um relatório da Instância de Coordenação Internacional, sobre o qual não quero adiantar nada aqui.

Muito obrigado, Reitor Zillekens, pela entrevista.

 

Original: alemão (30.10.2017). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

Um fogo que pede a transformação: Encontro do Papa Francisco com a Presidência Internacional de Schoenstatt

Etiquetas: , , , , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *