Audiência: Cultura do encontro é cultura de aliança que cria solidariedade

 

Audiência do Santo Papa Francisco aos peregrinos do Movimento Apostólico de Schoenstatt

25.10.2014

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Em 25 de Outubro, uns 7000 Membros e simpatizantes do Movimento Apostólico de Schoenstatt reuniram-se, em Roma, para o culminar da Celebração dos 100 anos da Aliança de Amor, com um encontro com o Santo Padre Francisco, pedindo-lhe o envio missionário, ao serviço da Igreja e da Sua Missão. O encontro com o Santo Padre Francisco realizou-se em estilo de diálogo. As perguntas, apresentadas pelos Membros do Movimento, basearam-se nos cincos campos estratégicos do apostolado de Schoenstatt descobertos e definidos na Conferência 2014 realizada em Fevereiro de 2009 com a participação de representantes de 33 países. Os projectos apostólicos nestes cinco campos –Família, Juventude, Pedagogia, Nova Ordem Social e Igreja– que foram a parte esencial da Celebração do Jubileu 2014, têm algo de diálogo sobre os sinais dos tempos e sobre os desafíos do Homem da nossa época, sendo um diálogo a partir dos “factos”. Mostram a vida real e, não só, a especulação teórica, o que lhe dá mais força e poder de convicção. Com o objectivo de nos focarmos na mensagem de Francisco as perguntas originais foram condensadas ao essencial de cada uma delas.
O texto to livro também está disponível gráficamente preparado para estudo em formato pdf  e como livro, editado por Nueva Patris, Chile

 

Na forma de um diálogo franco e direto, o Santo Padre mostra-nos a sua visão e expectativas sobre os temas em torno dos quais se articulou o intercâmbio sobre as experiências e projetos pastorais durante as celebrações jubilares no lugar de Schoenstatt: O familiar, o pedagógico, a evangelização da juventude, o eclesial e a nova ordem social. A mensagem do Santo Padre a um movimento eclesial de renovação num momento de graças como é o do jubileu fundacional e nesta hora da Igreja. O valor do mesmo entende-se profundamente quando é visto dentro da vivência da referida audiência e que reflete uma experiência da Igreja que anelou, e pela qual trabalhou e se entregou o nosso Fundador, o Pe. Kentenich, uma Igreja realmente família, não só no espírito mas também nas suas formas e atitudes.

Pe. José María García Sepúlveda (prologo do livro)

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Curar feridas, recuperar e acompanhar a família

FAMILIA: Perante os desafíos que a Família actual enfrenta, pediram ao Santo Padre Francisco que os aconselhasse como acompanhar ainda melhor, os Noivos, os Casais e as Famílias.

A acrescentar a isso, quantas famílias estão a sofrer, quantos casamento desfeito, quanto relativismo na concepção do sacramento do matrimónio. Quer seja do ponto de vista sociológico, que observa as coisas do ponto de vista dos valores humanos, como do ponto de vista do sacramento católico, o sacramento cristão, há uma crise na família. Há uma crise porque a atacam por todos os lados e a família fica muito ferida.

Então, não resta outro caminho senão fazer alguma coisa. Então a vossa pergunta: que podemos fazer? Sim, podemos fazer grandes discursos, declarações de princípios, às vezes há que fazê-los, certo? Ideias claras. Afirmar que aquilo que estão a propor não é casamento. É uma associação. Mas não é casamento. Ou seja, às vezes temos que dizer coisas muito claras. E isto, é preciso dizê-lo. Mas a pastoral de ajuda, neste caso, tem que ser corpo a corpo. Ou seja acompanhar. E isto significa perder tempo. O grande mestre em perder tempo é Jesus, não é verdade? Perdeu tempo acompanhando, para fazer amadurecer as consciências, para curar feridas, para ensinar. Acompanhar, significa fazer caminho juntos.

É claro que se desvalorizou o sacramento do matrimónio e, do sacramento, inconscientemente, tornou-se um rito. A redução do sacramento ao rito. Então acontece que o sacramento é um ato social, pessoas religiosas sim, baptizadas, mas o principal é o social. Quantas vezes encontrei disto na minha vida pastoral, gente que não se casa. Vocês vivem juntos, porque não se casam? Não, é que… temos de fazer a festa,isso, não temos dinheiro. Então o aspeto social sobrepõe-se ao principal, que é a união com Deus! Não é?

Lembro-me que em Buenos Aires alguns padres deram-me a ideia de celebrar o sacramento do Matrimónio a qualquer hora. Porque normalmente o casamento civil celebra-se numa quinta ou numa sexta-feira, e no sábado o casamento sacramental. Claro que, não podiam custear os dois atos porque há sempre algum festejo no primeiro. Então estes padres, muito pastores para ajudar disseram: [casem-se]“à hora que queiram”. Quando acabar a cerimónia civil, passem pela paróquia, para o casamento religioso, ou seja é um exemplo de como facilitar, facilitar a preparação. Não se podem preparar noivos para o casamento com dois encontros, com duas conferências. Esse é o nosso pecado de omissão, como pastores e leigos que estão realmente interessados em salvar a família.

A preparação para o casamento tem que vir de muito atrás. Acompanhar noivos. Acompanhar, mas sempre corpo a corpo e preparar. Saberem o que é que vão fazer. Muitos não sabem o que vão fazer e casam-se sem saber o que significa. As condições. O que prometem. Sim, sim, está tudo bem mas não tomaram consciência de que é para sempre. E isto, tem a ver com esta cultura do provisório que estamos a viver, não apenas na família, mas também entre os padres.

Contou-me um bispo, a quem se apresentou um rapaz excelente, e que queria ser padre mas apenas por dez anos, e depois ele queria voltar. Isso é a cultura do provisório. É preciso tempo. O “para sempre” parece que se esqueceu. Há que recuperar muitas coisas na família ferida de hoje, em dia. Muitas coisas. Mas não nos devemos escandalizar com nada do que acontece na família. Os dramas familiares, destruições de famílias, as crianças, não. No Sínodo um bispo fez esta pergunta: como pastores, estamos conscientes do quanto sofre uma criança quando os pais se separam? Elas são as primeiras vítimas. Então, como acompanhar estas crianças? Como ajudar os pais, que estão separados, a não usarem os filhos como reféns?

Muitos problemas de pseudo-patológico em que as pessoas destroem os outros com as suas línguas vêm de terem assistido a pais que falam mal das mães e mães que falam mal dos pais É preciso aproximarem-se de cada família, acompanhar, ou seja, que tenham consciência do que fazem. Há múltiplas situações hoje em dia. Não se casam, ficam em casa. Têm o seu namorado ou a sua namorada, mas não se casam. Uma mãe dizia-me, Padre o que posso fazer para que o meu filho, que tem 32 anos, se case? Bom, primeiro que tenha noiva, minha senhora. Sim, sim, tem noiva mas não se casa. Então se tem noiva e não se casa, não lhe passe mais as camisas, para ver se assim o inspira, não é verdade? Quer dizer, quantos há que não se casam. Vivem juntos ou, como eu vi na minha própria família, uniões em part-time. De segunda a quinta-feira com a minha namorada e de sexta-feira a domingo com a minha família. Por outras palavras, são novas formas totalmente destrutivas, limitadoras da grandeza do amor matrimonial.

Certo, e porque observamos tantos casos assim, uniões de fato, separações, divórcios, é por isso que a chave que pode ajudar é acompanhar “corpo a corpo”, não fazendo proselitismo, porque isso não resulta. Acompanhá-los. Ter paciência. Perseverança. Uma palavra hoje, amanhã um gesto, não sei. É o que posso sugiro-vos.”

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É Mãe. Maria é Quem ajuda a trazer Jesus. Trá-Lo do céu para conviver connosco.

2 – PEDAGOGIA: Aludindo ao grande amor do Papa Francisco por Nossa Senhora, pediram-lhe que lhes falasse da sua visão sobre a missão de Maria na Nova Evangelização e na renovação da Igreja.

Vou contar uma anedota muito dolorosa para mim. Terá sido pelos anos 80. Fui à Bélgica, a uma reunião onde estavam bons católicos, trabalhadores. E, um casal convidou-me para jantar. Três filhos. Católicos. Mas que eram professores de teologia, estudavam muito. E, de tanto estudar, não sei, tinham um pouco de febre na cabeça. Então, num momento da conversa, falavam de Jesus. Falavam muito bem. Verdadeiramente uma teologia, uma cristologia muito bem feita. Ao terminar disseram-me: “bem, conhecendo nós Jesus assim, não precisamos de Maria. Por isso é que não temos devoção mariana”. Fiquei gelado. Quer dizer, fiquei triste, mal. Como o demónio sob uma forma de algo “bom”, retira o melhor. S. Paulo diz-nos que o demónio se disfarça sob a forma de um anjo de luz. E é uma Mãe, uma Maria sem maternidade. Maria é Mãe, em primeiro lugar e o mais importante. Não se pode conceber nenhum outro título de Maria que não seja “Mãe”.

Ela é Mãe porque gera Jesus e, ajuda-nos com a força do Espírito Santo, a que Jesus nasça e cresça em nós. É quem, continuamente, nos está a dar vida. É a Mãe da Igreja. Ela é toda maternidade.

Não temos o direito – se o fazemos estamos errados – de ter uma mentalidade de órfãos. Ou seja, o cristão não tem o direito “de se sentir órfão”. Tendes Mãe. Temos Mãe.

Um idoso pregador com muito “humor”, falando sobre a mentalidade de órfãos terminou o seu sermão dizendo: “Bom, quem não quiser Maria como Mãe, vai tê-la como sogra!”

Mãe. Ela é Mãe não só porque nos dá a vida mas Ela também educa-nos na fé. É muito diferente procurar e crescer na fé sem a ajuda de Maria. É outra coisa. É como crescer na fé sim, mas numa Igreja que é um orfanato. Uma Igreja sem Maria é um orfanato. Acima de tudo Ela educa-nos, ajuda-nos a crescer, acompanha-nos, toca as nossas consciências. Ela sabe como tocar as consciências, para o arrependimento!

Gosto, ainda agora o faço, quando tenho um tempinho, de ler as histórias de São Afonso Maria de Ligório. São coisas de outro tempo, a maneira de redigir, mas são verdadeiras. No final de cada capítulo, ele conta uma história edificante, de como Maria…

No sul de Itália, não sei se na Calábria ou na Sicília, existe a devoção à Virgem das Tangerinas. É uma zona onde há muita tangerina. E os bandidos da zona são devotos da Virgem das Tangerinas, os malandros, os ladrões, esses são devotos. E dizem que a Virgem das Tangerinas os ama, e rezam-Lhe porque, quando chegarem ao céu, Ela estará a olhar para a fila das pessoas que chegam e, quando vir alguns deles “faz-lhes assim com a mão” e diz-lhes que não passem, que se escondam. E, à noite quando estiver tudo escuro e São Pedro não estiver lá, irá abrir-lhes a porta.

Ou seja, é uma maneira muito folclórica e muito popular de uma grande verdade, não é verdade? De uma teologia bem profunda. Uma Mãe cuida do seu filho até ao fim e trata de salvar-lhe a vida até ao fim.

Daí, a tese de São Afonso Maria de Ligório : “que um devoto de Maria não se condena”. Ou seja, durante toda a vida, Ela sabe como tocar as consciências. Acompanha-nos. Ajuda-nos. Maria é quem ajuda a trazer-nos Jesus. Trá-Lo do céu para viver connosco. E é Ela quem olha, cuida, avisa. Está presente.

Há uma coisa que, a mim, me toca muito. A primeira antífona mariana do Ocidente é copiada de uma do Oriente que diz “Sob o teu amparo nos acolhemos Santa Mãe de Deus”. É a primeira, a mais antiga do Ocidente. Mas, isso vem de uma velha tradição, que os místicos russos, os monges russos explicitam assim: “no momento, nos momentos de turbulência espiritual, nada mais resta do que acolher-se sob o manto da Santa Mãe de Deus. Ela é quem nos protege, quem nos defende”.Recordemo-nos do Apocalipse, Aquela que sai com a criança nos braços correndo para que o dragão não devore a criança. Por mais que conheçamos Jesus, ninguém pode dizer que é tão maduro que possa prescindir de Maria. Ninguém pode prescindir da sua mãe.

Nós, os argentinos, quando encontramos uma pessoa que tem traços de maldade ou de mau comportamento, tanto por falta de carinho da sua mãe, ou porque não a ama, ou porque a abandonou, temos uma palavra forte que não é uma má palavra, é um adjetivo forte, e dizemos que esta pessoa é um “huacho”, um órfão …

O cristão não pode “sentir-se orfão” porque tem Maria como sua Mãe.

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Testemunho, Missão, Oração

3 – JUVENTUDE: Motivados pelo espírito missionário, que está presente na Juventude de Schoenstatt de todos os países, pediram ao Santo Padre que, os aconselhasse como convidar outros jovens a partilhar com eles, uma vida mais plena em Cristo.

Parto de uma frase do Papa Bento XVI. A Igreja não cresce por proselitismo mas, por atracção… a atracção é dada pelo testemunho. Primeiro conselho: Ou seja, viver de tal maneira que, os outros tenham vontade de viver como nós. Testemunho. Não há outra forma. Não há outro caminho.

Viver de tal modo que os outros tenham interesse em perguntar: porquê? O testemunho. O caminho do testemunho. Que a isso não há nada que o bata. Testemunho em tudo. Nós não somos salvadores de ninguém. Somos transmissores d’Aquele que nos salvou a todos. E isso, somente, o podemos transmitir se, assumirmos na nossa vida, na nossa carne, na nossa história, a vida desse Alguém que se chama Jesus. Isso é testemunho. Testemunho.

E, isto não só nas obras de caridade. Claro que, temos que as fazer porque o critério pelo qual nos vão julgar a todos está em Mateus 25, não é verdade? Bom, então sim, testemunho nas obras de caridade, etc… No trabalho de promoção, de educação, de fazer coisas pelos outros.

Mas não é só isso, não! Só um testemunho de vida. Como vivo? Tenho vida dupla? Isto é, proclamo-me cristão e vivo como pagão? O mundanismo espiritual, o espírito do mundo que Jesus condena tanto. Basta ler o Evangelho de João, como é repetitivo nisso.

Divido-o (o mundanismo espiritual), mais ou menos, com a minha fé cristã? Meio por meio? O testemunho tem que se apoderar de ti completamente. Não é verdade? É uma opção de vida. Ou seja, perdão, dou testemunho porque essa é a consequência de uma opção de vida. Por isso, esse é o primeiro passo. Sem testemunho não podeis ajudar nenhum jovem, nem nenhum velho. Ninguém! E, evidentemente, todos fraquejamos, todos somos fracos, todos temos problemas e, nem sempre damos um bom testemunho. Mas a capacidade de, interiormente, nos humilharmos, a capacidade de pedir perdão quando o nosso testemunho não é o que deve ser.

E um testemunho, do qual também conste, a capacidade de nos mexermos, de nos fazer sair, de ir em missão, que não é ir fazer proselitismo. É ir ajudar a partilhar e, que vejam como o fazemos e o que fazemos.

Eu repito-me muito nisto. Uma Igreja que não sai é uma Igreja “de gente fina”. Um movimento eclesial que não sai em missão é um movimento “de gente fina”. E, para cúmulo, em vez de ir procurar ovelhas para trazer, ou ajudar a dar testemunho, dedicam-se ao grupinho, a pentear ovelhas. Não é verdade? São cabeleireiros espirituais. Não é verdade? Isso não está bem.

Ou seja sair, sair de nós próprios. Uma Igreja ou um movimento, uma comunidade fechada, adoece. Tem todas as doenças do isolamento. Um movimento, uma Igreja, uma comunidade que sai, comete erros, comete erros. Mas, é tão bonito pedir perdão, quando uma pessoa se engana. Assim, não tenham medo. Saiam em missão. Por-se a caminho. Somos caminhantes. Mas cuidado, Santa Teresa avisava, por aí no caminho, gostamos de lugares bonitos e, ficamos por lá. Não é verdade? Esquecemo-nos que temos que continuar para outro lado. Não pararmos. Descansar sim, mas depois continuar a caminhar. E caminhantes, não errantes. Porque sai-se para dar alguma coisa. Dá-se em missão. Mas não se sai para se andar às voltas sobre si próprio. Não é verdade? Dentro de um labirinto que nem nós próprios podemos compreender. Caminhantes e não errantes.

E aí, sim, com a missão, a oração. Ninguém pode dizer “Jesus Cristo é o Senhor” se o Espírito Santo não nos inspira. E, para isso tendes que rezar. Tendes que reconhecer que tendes o Espírito Santo dentro de vós e que é o mesmo Espírito Santo, Quem nos dá força para irmos para a frente, não é verdade?

Oração. Não deixar a oração. E a oração a Nossa Senhora que é uma das coisas que eu costumo perguntar na confissão. Bom, como vai a tua relação com Nossa Senhora? Terço. Mas a oração. Regressamos ao que eu disse anteriormente da Mãe. Para que a Mãe me acompanhe, venha à minha procura, me diga onde falta o vinho, etc., estas coisas que Ela faz. Oração, missão, sair.

E, uma coisa que vocês os jovens vão ter: a tentação do cansaço. Ou, porque não veêm os resultados, ou porque, bem, o espetáculo acabou e já está muito maçador e vou procurar outra coisa. Assim, ao primeiro sintoma de cansaço que encontrem, cansaço do caminho, mas de qualquer modo, abram a boca a tempo. Peçam conselho a tempo. Está a acontecer-me isto. Saí em “quarta” e, agora estou “em marcha atrás”. Mas, a tentação do cansaço é muito subtil. Porque, por detrás da tentação do cansaço em sair para a missão, esconde-se o egoísmo. E, em última análise, esconde-se, o espírito mundano. Não é verdade? Voltar para a comodidade, para o bem-estar, para o divertimento fazer o que nos apetece.

Dir-te-ia assim: testemunho, para que a luz brilhe, que não esteja escondida debaixo da cama, não é verdade? Que brilhe a luz e vejam as obras boas que o Pai , obviamente, faz através de nós? Testemunho. Para que preguntem porque é que vivem assim, coerência de vida, caminhar, caminhantes, não errantes e salvaguardar-se da tentação do cansaço. Não me ocorre outra coisa. Que conselho nos dá para convidar os nossos amigos a partilharem uma vida mais plena em Cristo?

Creio que, com isto temos suficiente, não?

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Quando nos vamos fechando no pequeno mundinho, o mundinho do Movimento, da Paróquia, do Arcebispado, ou aqui o mundinho da Cúria, não se vê a verdade.

4 – NOVA ORDEM SOCIAL: Referindo-se às guerras e injustiças do nosso tempo, pediram ao Santo Padre que partilhasse com eles o seu segredo para conservarem a alegría e a esperança e, para perseverarem no serviço ao doente, ao pobre e ao desamparado.

Bom não tenho a mais pálida ideia, mas não importa. Um pouco por maneira de ser, diria que sou meio inconsciente, não é assim? Então, a inconsciência, por vezes, leva-nos a ser temerários, mas não sei como explicar o que me pregunta.

Sinceramente não sei… Rezo e abandono-me. Mas, custa-me fazer planos. Não sei. Estas duas coisas, atrevo-me a dizer. Que o Senhor me deu a graça de ter uma grande confiança. De me abandonar à Sua Bondade. Inclusivamente, nos momentos de muito pecado, não é verdade? E, como Ele não me abandonou, isso, como que me torna mais confiante. E, então, ir para a frente com Ele. Tenho muita confiança. Sei que Ele não me vai abandonar. E rezo. Isso sim, peço. Porque também estou consciente de tantas coisas más e de tantos erros que cometi, ah, quando não me abandonei e quis ser eu a controlar o leme. Quis entrar nesse caminho tão “tenebroso” que é o salvar-se sozinho, não é verdade? Isto é, eu não me salvo cumprindo com o cumprimento, “Cumpro e minto”, cumprimento, não é verdade? O cumprimento, que era a salvação dos Doutores da Lei, dos Saduceus, dessa gente que fazia a vida impossível a Jesus, não é verdade? Mas, não sei. Sinceramente, a sério, não o saberia explicar. Abandono-me, rezo. Mas nunca me falha, ah. Ele não falha. Ele não falha. E, já vi que Ele é capaz, através, não digo através de mim, mas através das pessoas, de fazer milagres. Eu vi milagres que o Senhor faz através das pessoas que vão por este caminho de se abandonar, nas Suas mãos.

Uma coisa que também diria, quando falei que sou um pouco inconsciente. A audácia é uma graça. A coragem. S. Paulo dizia das grandes atitudes que tinha que ter o cristão para anunciar Jesus Cristo: a coragem e a paciência. Ou seja, a coragem de ir à frente e a paciência para suportar o peso do trabalho. Agora, é curioso. Isto que acontece na vida apostólica, devia, deve acontecer na oração também. Ou seja, uma oração sem coragem é uma oração “chocha”, que não serve.

Lembremo-nos de Abraão, quando como bom Judeu, regateava com Deus. Que, se forem 45, que se forem 40, que se forem 30, que se forem 20. Ou seja, tem “cara de pau”. Ele tem coragem na oração.

Lembremo-nos de Moisés quando Deus lhe diz: “olha para este Povo eu já não o suporto mais, vou destruí-lo, mas fica tranquilo que a ti vou-te fazer chefe de outro Povo melhor”. “Não, não, se apagas este Povo, apagas-me a mim também”.

<strongCoragem! Na oração com coragem. Rezar com coragem. “Tudo o que pedirem em Meu Nome, se pedirem com Fé e acreditarem que o alcançam, já o alcançaram”. Quem reza assim? Somos frouxos! A coragem. E, depois a paciência. Suportar as contradições. Suportar os fracassos na vida. As dores, as doenças, não sei, as situações duras da vida.

A mim impressionou-me que o vosso Padre Superior Geral, o Director Geral tenha feito referência à incompreensão que teve que sofrer o Padre Kentenich e a rejeição, não é verdade? Esse é o sinal de que um cristão vai à frente. Quando o Senhor o faz passar pela prova da rejeição. Porque é o sinal dos Profetas, os falsos profetas nunca foram rejeitados, porque diziam aos reis ou às pessoas o que eles queriam ouvir. Assim, “ai que bonito” que está tudo, não é verdade? E nada mais. Não. A rejeição, não é verdade?

Aí está a paciência. Suportar na vida até ser posto de lado, rejeitado, sem se vingar com a língua, a calúnia, a difamação. E, depois uma coisa que é inevitável não ver, um pouco para … ou seja, você perguntava-me qual era o meu segredo, não sei, mas a mim ajuda-me não olhar as coisas a partir do centro, não é verdade? Há um único centro. É Jesus Cristo. Mas olhar para as coisas a partir das periferias. Porque as vemos mais claras, mais claras, não é verdade?

Quando nos vamos fechando no pequeno mundinho, o mundinho do movimento, da Paróquia, do arcebispado, ou aqui o mundinho da Cúria, então não se capta a verdade. Sim, captamo-la, mas talvez, em teoria, mas não se capta a realidade da verdade em Jesus, não é verdade? Então, a verdade capta-se melhor a partir da periferia do que a partir do centro. Isso a mim ajuda-me.

Não sei se é o meu segredo ou não, mas certamente… Recordo-me como mudou a concepção, a cosmovisão do mundo, de Magalhães para diante, ou seja, uma coisa era ver o mundo a partir de Madrid, ou de Lisboa e, outra coisa era vê-lo a partir dali, a partir do Estreito de Magalhães. Aí começaram a perceber outra coisa, não é verdade? Estas revoluções que fazem perceber a realidade do outro lado. O mesmo se passa connosco, se permanecemos fechados no nosso mundinho, que nos protege de tudo, bom, não chegamos a compreender, não é verdade? E, não chegamos a saber qual é a verdadeira situação de uma verdade.

Dizia-me, por estes dias, em que houve aqui um grande encontro mundial de penalistas, um deles falando de experiências, estávamos a falar nesse momento em privado, dizia-me “e, às vezes, acontece-me Padre, quando vou à prisão “chorar” com um preso”.

Então, aí tendes um exemplo. Ou seja, ele vê a realidade, não é verdade? Do Direito, daquilo que tem de julgar, como Juiz penalista, mas a partir da chaga que está ali e esta verdade vê-a ali, vê-a melhor e, para mim, é uma das coisas mais bonitas destes dias, que um Juiz te diga que teve a graça de, às vezes, chorar com um preso. Ou seja, ir para a periferia, não é verdade?

Então, dir-te-ia: Uma sã inconsciência, ou seja que Deus faz as coisas, rezar e abandonar-se. Coragem e paciência e sair para a periferia. Não sei se é esse o meu segredo. Mas é o que me ocorre dizer sobre o que me acontece a mim.

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A liberdade de espírito

5 – IGREJA. Motivados pelo amor à Igreja, herança e missão do Padre Kentenich, perguntaram ao Santo Padre como poderiam ajudá-lo mais na renovação da Igreja e, onde colocar as acentuações da nossa acção evangelizadora nesta nova etapa da nossa Família.

Renovação da Igreja. Alguns pensam na grande revolução, certo? Alguns dizem por aí “o Papa revolucionário”, todas essas histórias, entendem? Porém, talvez seja uma das frases mais antigas da Eclesiologia. Os latinos, os sacerdotes latinos, diziam ‘Ecclesia Semper Renovanda’. A Igreja precisa renovar-se continuamente. Isto desde os primeiros séculos da Igreja. E lutavam para isso; os santos fizeram o mesmo, ou seja, são os santos que levam a Igreja adiante. São aqueles que foram capazes de renovar a sua santidade, e renovar através da sua santidade, renovar a Igreja. São eles que levam a Igreja avante.

Ou seja, como primeiro, como o primeiro favor que vos peço, como ajuda, é a santidade. Santidade. Não ter medo da vida de santidade. Isso é renovar a Igreja. Renovar a Igreja não é, principalmente, fazer uma mudança aqui, uma mudança ali. É preciso mudar porque a vida muda e é preciso adaptar-se. Porém, isso não é a renovação, certo?

Aqui mesmo, é público, por isso me atrevo a dizer, é preciso renovar a Cúria; estamos renovando a Cúria, o Banco do Vaticano, é preciso renová-lo. Todas as renovações são feitas do exterior, aquelas que os jornais citam. É curioso. Ninguém fala de renovação do coração. Não entendem nada do que é renovar a Igreja. Isto é santidade. Renovação do coração de cada um.

Outra coisa que pode ajudar-me, que está na tua pergunta, a liberdade de espírito. Na medida que alguém reza mais e deixa que o Espírito Santo atue, vai conseguindo essa santa liberdade de espírito, que o leva a fazer coisas que produzem um grande fruto. Liberdade de espírito. Que não é o mesmo que relaxamento, não, não é. Não é algo vago, porém dá no mesmo. Não, não. Liberdade de espírito supõe fidelidade, entendem? E supõe oração!

Quem não reza, não tem essa liberdade. Ou seja, aquele que reza tem liberdade de espírito. É capaz de fazer “barbaridades” no bom sentido da palavra. E como lhe ocorreu fazer isso? Que maravilha que essa pessoa conseguiu. Liberdade de espírito, certo?

Não encapsular-se apenas – digo encapsular-se, o que é preciso entender bem – em directrizes ou coisas que nos aprisionam. Voltemos novamente à caricatura dos Doutores da Lei que, por serem tão exatos no cumprimento dos dez mandamentos, acabaram inventando outros 600. Sem isso não há ajuda. Isso leva-nos a encerrarmo-nos, a encapsularmo-nos, entendem?

Quando o apóstolo planeia, e eis algo que talvez não agrade a alguns de vocês, mas vou dizer de qualquer forma, quando o apóstolo acredita que fazendo um bom planeamento as coisas seguem avante, acaba equivocando-se. É um funcionalista. Quem tem que agir assim é o empresário e outras pessoas.

Nós precisamos usar essas coisas, sim. Porém, não são a prioridade; a prioridade é o serviço ao outro, a liberdade de espírito, da oração, da vocação, do zelo apostólico, do sair, entendem? Ou seja, cuidado com o funcionalismo…

Às vezes, eu vejo em algumas Conferências Episcopais ou em alguns bispados que existem encarregados para qualquer coisa, não é mesmo? Para tudo, não? Não deixam escapar nada. É tudo funcional, tudo bem planejado. Porém, às vezes faltam coisas ou fazem a metade do que poderiam fazer com menos funcionalismo e mais zelo apostólico, mais liberdade interior, mais oração, ou seja, essa liberdade interior, entendem? Essa coragem de sair adiante, entendem? É isso.

A respeito de funcionalismo, para que não existam dúvidas, eu expliquei bem na Evangelii Gaudium. Podem procurar ali o que quis dizer.

Por isso, vejam, quando Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, fala dos carismas, essas coisas tão lindas, do corpo da Igreja, cada qual com seu carisma, como termina? Vou explicar-lhes um pouco melhor. Termina falando do amor. Quer dizer, do que vem bem de Deus, entendem? O mais próprio de Deus e que nos ensina a imitá-lo. Assim, não se esqueçam disso. E façam, muitas vezes a pergunta a vocês mesmos. Eu sou descentrado, neste sentido, ou estou eu no centro, como pessoa ou como movimento, como carisma? Ou seja, o que em castelhano, me perdoem porque falo em minha língua portenha; em meu castelhano portenho, chamamos “figuretti”, entendem? O centro, o centro, é só Jesus Cristo. Sempre o apóstolo é um descentrado. Porque é servo, está ao serviço do centro.

O carisma descentrado não diz “nós”. “Nós” ou “eu”… Diz antes Jesus e eu. Jesus e eu. Jesus pede-me. Tenho que fazer isso por Jesus. Ou seja, Ele é sempre o centro. Assim, se orbita na pessoa de Jesus, entendem? Não se esqueçam. Um movimento, um carisma necessariamente precisa ser descentrado. Depois, algo que atualmente nos é pedido e se fez referência quando falamos das guerras. Estamos. Hoje em dia, estamos a sofrer desencontros cada vez mais profundos, não é verdade? E com a chave do desencontro podemos reler todas as perguntas que vocês me fizeram.

Desencontros familiares, desencontros testemunhais, desencontros no anúncio da Palavra, e da mensagem, desencontros de guerras, desencontros de famílias, ou seja, que o desencontro, a divisão é a arma que o demónio tem. E entre parênteses, lhes falo que o demónio existe. Porque, realmente, alguns duvidam, não é mesmo? Existe e traz desencontros e divisão.

E o caminho é o desencontro que leva à luta, à inimizade. Babel, certo? Assim como a Igreja é esse templo de pedras vivas, que edifica o Espírito Santo, o demónio constrói outro templo da soberba, do orgulho, que gera desencontro, porque ninguém se entende, porque se falam coisas diferentes, como em Babel, entendem?

Daí que precisamos trabalhar por uma cultura do encontro. Uma cultura que nos ajude a encontrarmo-nos como família, como movimento, como Igreja, como paróquia. Sempre à procura de como encontrar-se.

Eu recomendo-lhes, seria maravilhoso se pudessem fazer isso, nestes dias; e para que não vos saia da cabeça, lembrem-se: procurem no livro do Génesis a história de José, certo? De José e seus irmãos. Como toda essa história dolorosa, de traição, de inveja, de desencontro, termina numa história de encontro, que faz com que, durante 400 anos, o povo cresça e se fortaleça. Esse povo escolhido por Deus, certo? Cultura do encontro.

Leiam a história de José, que são vários capítulos do Génesis. Vai lhes fazer bem ver o que é que se quer dizer com tudo isso, entendem? Cultura do encontro é cultura da aliança. Ou seja, Deus escolheu-nos, fez-nos promessas, e no meio de tudo isso selou uma aliança com o seu povo.

Ele disse a Abraão: “caminha que eu vou dizer-te o que te vou dar”. E, pouco a pouco, vai- lhe contando que a descendência que terá será como as estrelas do céu. A promessa. Escolhe-o com uma promessa. Chegado o momento, diz-lhe: “agora aliança”. E as diversas alianças que continua a fazer com o seu povo são as que consolidam este caminho de promessa e através de encontro.

Cultura do encontro é cultura da aliança. E isso gera solidariedade. Solidariedade eclesial. Vocês sabem que é uma das palavras que está em risco. Assim como todos os anos ou a cada três anos, a Real Academia espanhola reúne-se para ver as novas palavras que são criadas, porque somos uma língua viva, acontece com todas as línguas vivas, assim também como outras vão desaparecendo, porque são línguas mortas, ou seja, morrem. E já não são mais usadas. E sendo uma língua viva tem palavras mortas, certo? A que está a ponto de morrer, ou porque querem matá-la, querem tirá-la do dicionário, é a palavra “solidariedade”, não é mesmo? E aliança significa solidariedade. Significa criação de vínculos, não destruição de vínculos. E, hoje em dia, estamos vivendo nessa cultura, nessa cultura do provisório, que é uma cultura de destruição de vínculos.

O que falámos dos problemas da família, por exemplo. Destroem-se os vínculos, em vez de criar vínculos. Porquê? Porque estamos vivendo a cultura do provisório, do desencontro, da incapacidade de criar aliança, entendem?

Então, cultura do encontro, que cria uma unidade que não é mentirosa e é a unidade da santidade, entendem? Que leva à cultura do encontro.

Talvez queira terminar assim… Era muito comum o povo eleito, na Bíblia, renovar a aliança, fazer a renovação da aliança, renovava-se a aliança em determinadas festas, em determinados anos, ou depois de ter vencido uma batalha, depois de terem sido libertados; e, vindo Jesus, pede-nos para renovar a aliança, não é assim? E Ele mesmo participa dessa renovação, na Eucaristia.

Ou seja, quando celebramos a Eucaristia, celebramos a renovação da aliança. Não apenas mimeticamente, certo? Mas sim, de uma forma muito funda, muito real, muito profunda. É a própria presença de Deus que renova a aliança connosco. Porém, não o costumamos dizer porque se nos varre da cabeça ou porque não está tão na moda, a renovação da aliança no sacramento da Reconciliação.

Isto nunca o esqueçam. Não se esqueçam nunca. Quando eu não me confesso porque não me ocorre o que dizer ao sacerdote, algo vai mal. Porque não temos luz interior para descobrir a ação desse espírito mau que nos faz mal. Ou seja, essa renovação da aliança na Eucaristia e no sacramento da Penitência, da Reconciliação, vai nos levando à santidade sempre com esta cultura do encontro, com esta solidariedade, com esta criação de vínculos.

E isso é o que vos desejo, entendem? Que neste mundo de desencontros, de difamações, calúnias, destruições com a língua, levem adiante esta cultura do encontro, renovando a aliança. E, claro, ninguém se pode educar sozinho. Precisa que a Mãe o eduque. Assim, recomendo todos vocês à Mãe, para que vos continue a fazer caminhar adiante nessa renovação da aliança. Obrigado.

Os envio como missionários nos próximos anos

Logo a seguir à renovação da Aliança de Amor e, antes de dar a sua benção, acrescentou:

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Ao dar-vos a benção, eu envio-vos como missionários nos próximos anos. Eu envio-vos, não em meu nome, mas em nome de Jesus. Eu envio-vos não sozinhos, mas sim pelas mãos de nossa Mãe, a Virgem Maria e dentro do seio de nossa Mãe, a Santa Igreja. Eu envio-vos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Antes de terminar, e de todo coração, agradeço-vos a visita. E lembrei-me; perguntaram-me qual é o meu segredo. Quero contar-vos dois segredos. Antes, o Superior Geral disse que não queria aumentar o tempo para não atrasar o meu almoço. Um segredo é este: eu nunca vi nenhum sacerdote que morresse de fome.

Segundo segredo: há algum tempo, um sacerdote de Schoenstatt ofereceu-me uma imagem da Mãe. Eu tenho-a na minha mesa de cabeceira. E todas as manhãs, quando me levanto, eu toco-lhe e rezo. É este o segredo que vos queria contar.

Novamente, obrigado pela visita. Não se esqueçam de rezar por mim, porque preciso muito. Que Deus vos abençoe e a Virgem cuide de vocês.

Tradução da transcrição da comunicação oral (espanhol): Maria Rita Fanelli Vianna – São Paulo / Brasil; Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal, Helena Castro Valente, Lisboa Portugal. Revisão: José Cravo, Portugal

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